A Raízen reportou nesta quinta-feira, 8, um lucro líquido de R$ 793,3 milhões no terceiro trimestre da safra 2023/24, alta de 472,2% ante os R$ 168 milhões reportados um ano antes. No acumulado da temporada, de abril a dezembro de 2024, o lucro é de R$ 1,42 bilhão, revertendo o prejuízo de R$ 159,8 milhões do mesmo período de 2022/23.
Além disso, a companhia destacou um lucro líquido ajustado de R$ 754,4 milhões no trimestre, mais que o dobro dos R$ 255,7 milhões registrados no mesmo período do ano anterior. O resultado ocorreu em meio a um salto na moagem de cana-de-açúcar e um aumento do volume vendido de combustíveis pela unidade de distribuição.
A Raízen, maior produtora global de açúcar e de etanol de cana, elevou a moagem trimestral em 36,2%, para 18,8 milhões de toneladas, com a recuperação da produtividade agrícola e o clima favorável.

“Nossos resultados apresentam um dos melhores trimestres da história da Raízen. Executamos nosso plano, combinando crescimento, rentabilidade, disciplina em custos e adaptação à volatilidade dos mercados”, disse o presidente da companhia, Ricardo Mussa.
A receita líquida, no entanto, teve uma queda de 3,1% na comparação anual, para R$ 58,49 bilhões. O resultado é justificado principalmente pela queda nos preços dos combustíveis.

Ainda assim, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado da companhia somou cerca de R$ 3,9 bilhões no mesmo período, com alta de 32,5% na mesma comparação.
A produção de açúcar saltou 38%, para 1,2 milhão de toneladas, enquanto a de etanol de primeira geração avançou quase 28% na comparação com o mesmo período do ano anterior, para 749 milhões de litros. A companhia ainda registrou produção de 8,9 milhões de litros de etanol de segunda geração (+7,2%) no trimestre.
Entretanto, o volume de vendas de açúcar atingiu 2,655 milhões de toneladas, queda trimestral de 7,2%, com o ritmo de negócios “em consonância com estratégia de embarques definida para a safra, com objetivo de maximizar a rentabilidade”, disse a Raízen.
Neste contexto, os estoques de açúcar aumentaram 86% ante o mesmo trimestre do ano anterior, para 2,357 milhões de toneladas, já que a empresa espera capturar melhores negócios à frente.
As vendas de etanol pelas usinas da Raízen recuaram 17,6%, para 1,4 bilhões de litros, com o “posicionamento do estoque para venda futura dado o cenário de preços depreciados em função da maior oferta de etanol de cana e de milho”, explicou a empresa.
Os estoques de etanol nas unidades produtoras cresceram 28%, para 1,38 bilhão de litros. “Nos posicionamos taticamente para um potencial melhor ambiente de preços, como tem ocorrido nos primeiros dias de 2024, alavancado pela diferenciação via novas geografias e aplicações”, justifica a companhia.
Especificamente, a receita da companhia com açúcar e de renováveis alcançou R$ 13,91 milhões no trimestre (-2,5%). Com isso, o Ebitda ajustado destes segmentos somou R$ 1,73 bilhão (-15,5%).

Já as vendas de combustíveis pela unidade de distribuição da companhia somaram pouco mais de 9 bilhões de litros no trimestre, alta de 1,8% na comparação anual, apesar de resultados mais fracos de negócios de diesel e de uma quase estabilidade para etanol e gasolina.
A companhia citou sustentação do patamar de rentabilidade pelo segundo trimestre consecutivo, expansão de rede de postos Shell e da base de clientes B2B contratados.
Roberto Samora
Com informações adicionais NovaCana