A Petrobras registrou lucro líquido de R$ 31 bilhões no quarto trimestre, recuo de 28,4% ante o mesmo período do ano anterior, com impacto de queda do preço do petróleo no mercado internacional, despesas com baixas contábeis e abandono de áreas, informou a companhia nesta quinta-feira, 7.
O petróleo Brent, referência internacional, caiu 5,3% no quarto trimestre ante o mesmo período do ano anterior, para US$ 84,05 por barril, mostrou a companhia.
A petroleira apontou perdas no último trimestre de 2023 em campos de produção de óleo e gás no Brasil, com destaque para Roncador, na Bacia de Campos, devido a uma revisão da curva de produção.
Além disso, houve aumento de despesas com a provisão de abandono em campos em devolução, principalmente em Sergipe Alagoas, Bacia de Campos e Rio Grande do Norte e Ceará.
Desconsiderando itens não recorrentes, o lucro líquido seria de R$ 41 bilhões, redução de 6,3% na comparação com o trimestre do ano anterior, ficando acima do esperado por analistas, que previam um resultado de R$ 35,3 bilhões, em média, conforme pesquisa da LSEG.
No ano de 2023, o lucro líquido da Petrobras caiu 33,8% ante o recorde registrado no ano anterior, para R$ 124,6 bilhões, diante de um recuo de 18% do valor do Brent. Apesar da queda, o montante foi o segundo mais alto da história da companhia.
“Este é o primeiro ano de uma jornada que levará a Petrobras a liderar a transição energética justa no Brasil de forma gradual e consciente”, disse em nota o CEO, Jean Paul Prates. “Vamos encarar os desafios aproveitando as sinergias com os nossos negócios e alavancados nas nossas expertises, nunca negligenciando a geração de valor econômico, como não poderia deixar de ser para uma empresa que quer manter-se competitiva e perpetuar valor para as gerações futuras”.
Com o resultado, o conselho da Petrobras autorizou o encaminhamento à Assembleia Geral Ordinária (AGO), prevista para 25 de abril, da proposta de distribuição de dividendos equivalentes a R$ 14,2 bilhões.
Caso haja aprovação pela AGO da proposta autorizada pelo conselho nesta quinta-feira, os dividendos totais do exercício de 2023 totalizarão R$ 72,4 bilhões.
O lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação (Ebitda) ajustado totalizou R$ 66,9 bilhões entre outubro e dezembro, queda de 8,5% versus o mesmo período do ano anterior. Já a receita de vendas da petroleira somou R$ 134,3 bilhões no trimestre, queda de 15,3% na comparação anual.
A empresa havia reportado no mês passado que suas vendas totais de petróleo, gás e derivados no quarto trimestre alcançaram 3,07 milhões de barris ao dia, estável ante o mesmo período do ano anterior e praticamente estável na comparação trimestral.
O resultado anual foi ainda impactado pelo aumento nas despesas operacionais, incluindo menores ganhos de capital decorrentes dos acordos de coparticipação nos campos de Sépia e Atapu, por maiores despesas com baixas contábeis, abandono e tributárias.
O Ebitda ajustado recuou 23% no ano passado, para R$ 262,2 bilhões, também o segundo mais alto na história da companhia. A Petrobras ainda registrou o segundo maior fluxo de caixa operacional da história, com R$ 215,7 bilhões, uma queda de 15,5% ante um ano anterior.
“Estes resultados foram sustentados pelos recordes operacionais ao longo do ano passado e pela bem-sucedida estratégia comercial para diesel e gasolina”, disse a empresa em nota.
Em 2023, a Petrobras investiu US$ 12,7 bilhões, um crescimento de 29% em relação ao ano anterior. Além disso, a companhia pagou R$ 240 bilhões em tributos à União e demais entes públicos.
A companhia reportou ainda redução de US$ 1,2 bilhão na dívida financeira e apontou que a dívida bruta permanece controlada, a US$ 62,6 bilhões, mesmo após o aumento de US$ 10 bilhões referentes a arrendamentos de plataformas.
Marta Nogueira e Andre Romani