A BrasilAgro acumula lucro líquido de R$ 25,8 milhões no período de nove meses do ano fiscal de 2023 (equivalente à safra 2022/23, que começou em julho de 2022), 95% menor do que os R$ 488,989 milhões registrados em igual período do ano fiscal de 2022. A margem líquida no período recuou 29 pontos porcentuais na comparação com os nove meses de 2022, de 33% para 4%.
A receita líquida no acumulado de nove meses soma R$ 663,214 milhões, valor que representa um recuo de 38% ante o montante de R$ 1,068 bilhão contabilizado em nove meses do ano fiscal de 2022.
O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado atingiu R$ 168,447 milhões, 73% abaixo dos R$ 622,233 milhões apurados um ano antes. A margem Ebitda ajustado também caiu, assim como a margem líquida, saindo de 42% em nove meses de 2022 para 23% em igual período deste ano.
Conforme a companhia, a queda da receita no acumulado de nove meses de 2023 se deve, principalmente: à estratégia de comercialização adotada na safra, que traz variação na quantidade faturada por trimestre; à queda no preço do Conselho dos Produtores de Cana-de-Açúcar, Açúcar e Etanol do Estado de São Paulo (Consecana), que passou de R$ 1,45 para R$ 1,14 de uma safra para outra; e à diminuição de 16% do volume de cana produzido na safra 2022.
A BrasilAgro informou que, em 31 de março de 2023, havia comercializado 92,91% da soja da safra 2022/23 e 11,7% da soja de 2023/24, a US$ 14,64/bushel e US$ 13,54/bushel, respectivamente; 33% da produção de milho esperada para o ciclo 2022/23, por R$ 71,81/saca, em média; 65,7% da safra de algodão projetada para 2022/23, por R$ 87,88 por arroba; e 35,26% da produção de etanol prevista para a temporada atual.
A BrasilAgro registrou receita líquida de R$ 190,69 milhões no terceiro trimestre do ano fiscal de 2023 (correspondente ao terceiro trimestre da safra 2022/23, que começou em julho de 2022), alta de 8% ante os R$ 175,94 milhões apurados em igual período de 2022.
A empresa também contabilizou prejuízo líquido de R$ 3,293 milhões no período de janeiro a março deste ano, revertendo o lucro líquido de R$ 81,781 milhões verificados no terceiro trimestre do ano fiscal de 2022. A margem líquida ficou negativa em 1%, contra 21% no terceiro trimestre de 2022.
O Ebitda ajustado, em contrapartida, somou R$ 44,175 milhões, 107% superior aos R$ 21,321 milhões registrados no intervalo correspondente do ano passado. A margem Ebitda ajustado no trimestre foi de 18%, ante 6% há um ano.
O aumento da receita líquida no trimestre, segundo a companhia, é explicado “pelo maior volume de soja e milho faturado no período, que foi afetado pela queda nos preços”.
As vendas de soja entre janeiro e março aumentaram 3%, enquanto a receita líquida com as vendas do grão recuou 3%; o volume de milho vendido cresceu 165% e a receita líquida obtida com o produto aumentou 404%. Das 74,57 mil toneladas de produtos vendidas pela companhia no terceiro trimestre de 2023, 63,4 mil toneladas foram de soja.
“Do ponto de vista de preços, com a queda dos preços das commodities e aumento dos custos, tivemos uma diminuição das margens em todas as culturas, principalmente se compararmos com os resultados recordes da safra passada, que apresentaram margens acima da média histórica”, disse o CEO da BrasilAgro, André Guillaumon, no comunicado de resultados.
A companhia informou no documento que as adversidades climáticas enfrentadas durante a safra afetaram a produção no plantio, quando a empresa deixou de plantar 5 mil hectares de soja, 7,3 mil hectares de milho segunda safra e 4,9 mil hectares de algodão, e na fase de desenvolvimento das plantas, em especial na Bahia, onde, devido ao veranico, a produtividade foi 29% e 40%, respectivamente, menor.
“Com a diminuição da área plantada inicialmente estimada e a perda de produtividade na Bahia, esperamos diminuir em 7% a produção total de grãos e algodão”, disse a empresa.
A BrasilAgro projeta agora redução de 7% da produção de soja na safra 2022/23, para 203,63 mil toneladas; queda de 10% para o milho segunda safra (56,32 mil toneladas); de 30% na produção de algodão (12,91 mil toneladas); e de 29% para o algodão safrinha (9,29 mil toneladas).
Para a safra 2023 de cana-de-açúcar, a BrasilAgro estima alcançar um rendimento de 84,27 toneladas por hectare, com produção de 2,1 milhões de toneladas. Em 2022, foram observadas 78,1 toneladas por hectare, com produção de 1,941 milhão de toneladas.
A empresa informou que terminou o terceiro trimestre de 2023 com caixa e equivalente de caixa de R$ 243,985 milhões, 46% abaixo dos R$ 455,073 milhões contabilizados ao fim do ano fiscal de 2022.
O endividamento aumentou 29% entre 30 de junho de 2022 e 31 de março de 2023, chegando a R$ 583,734 milhões. A relação entre a dívida líquida ajustada e o Ebitda ajustado no mesmo período saiu de 0,04 vez para 1,71 vez. O custo médio da dívida é de 96,56% do CDI, conforme a empresa.
Clarice Couto