A companhia de açúcar e etanol Jalles registrou lucro líquido de R$ 49,5 milhões no primeiro trimestre da safra 2023/24, queda de 58,8% comparada ao mesmo período do ciclo anterior, conforme balanço financeiro divulgado nesta quinta-feira, 10.
“Essa diminuição deve-se a uma menor comercialização no trimestre em relação ao mesmo período da safra anterior e à amortização de tratos referentes à safra passada”, disse a Jalles em relatório. Segundo a companhia, o recuo ocorreu nas vendas de etanol por conta de preços menores para o biocombustível.
Na mesma linha, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) ajustado recuou 16,7% no período, para R$ 271,4 milhões. A companhia pontuou que é preciso considerar a sazonalidade do setor, a capacidade de estocagem e a estratégia comercial para o período.

A receita líquida, por sua vez, teve um leve aumento de 0,5%, para R$ 445 milhões, impulsionado pelo aumento das exportações de açúcar.
Segundo a Jalles, a receita com o açúcar VHP exportado subiu 3,7%, para R$ 62,3 milhões. O valor inclui o produto bruto (R$ 19,4 milhões, +161,6%) e o orgânico (R$ 42,9 milhões, -18,6%).

A companhia teve um incremento de 33,9% na moagem de cana do período, para 3,02 milhões de toneladas. O avanço ocorreu por conta da adição dos resultados da unidade Santa Vitória, que contribuiu com o processamento de 842,8 mil toneladas de matéria-prima.

A produção de açúcar da Jalles alcançou 128,8 mil toneladas no primeiro trimestre da safra 2023/24, aumento de 21,8% comparado ao mesmo período do ciclo anterior e um recorde trimestral, conforme balanço divulgado.
Já o volume de produção de etanol aumentou 36,8%, para 144,7 milhões de litros no trimestre, considerando que a unidade Santa Vitória produz exclusivamente o biocombustível. As duas outras plantas da empresa têm o mix de produção dividido com o açúcar.

Sobre as movimentações do mercado, a Jalles destacou que a redução na produção global teve um impacto significativo sobre o preço do açúcar, que cresceu 8,1% no primeiro trimestre da temporada para a empresa, a R$ 2.852,79 por tonelada.
“A companhia consegue capturar esse aumento de preços em sua receita por comercializar no mercado interno grande parte do seu volume de comercialização do açúcar branco que possui um prêmio histórico de cerca de 15% em relação ao açúcar VHP”, ressaltou.
Por outro lado, a empresa informou que houve redução nos preços tanto do etanol anidro quanto do hidratado, de respectivos 18,4% e 26,8%, razão que motivou a queda de comercialização. As vendas do biocombustível diminuíram nas unidades Otávio Lage e Jalles Machado, mantendo o produto em estoque.
“Houve queda de 26,8% na comercialização de etanol anidro e 77,8% na comercialização de etanol hidratado nestas duas unidades”, afirmou a empresa.

No total, as vendas de etanol somaram 63,6 mil metros cúbicos, recuo de 3,9%, com a comercialização de 35,2 mil metros cúbicos do hidratado Santa Vitória compensando parcialmente a redução ocorrida nas outras plantas.
Já no açúcar, as vendas cresceram 12,5%, para 88,6 mil toneladas, como estratégia para capturar o aumento de preços da commodity.
Nayara Figueiredo
Com informações adicionais e edição NovaCana