A trading Archer-Daniels-Midland divulgou nesta quinta-feira, 26, resultados positivos no quarto trimestre, com as fortes margens de esmagamento de soja e a demanda robusta por safras aumentando em 46% o lucro operacional em sua principal unidade de negócios.
O lucro operacional ajustado de serviços agrícolas e sementes oleaginosas, maior segmento de negócios da ADM, subiu para US$ 1,18 bilhão, ante US$ 810 milhões no ano anterior, com as fortes exportações de safras sul-americanas e boas margens compensando os impactos negativos das exportações reduzidas dos Estados Unidos.
A baixa água no rio Mississippi em setembro e outubro restringiu os embarques de barcaças de safras recém-colhidas para os terminais da Costa do Golfo dos EUA durante o pico da temporada de exportação dos EUA, após a colheita.
Os lucros trimestrais da moagem de oleaginosas mais que dobraram em relação ao ano anterior, disse a ADM. A receita desta divisão, que também abrange compra, transporte e armazenagem de produtos agrícolas, aumentou 16,3% no quarto trimestre ante igual período de 2021, para US$ 21,03 bilhões.
Assim, o forte resultado em serviços agrícolas e sementes oleaginosas compensou os ganhos mais fracos das operações de biocombustíveis e no negócio de nutrição.
No segmento de soluções de carboidratos, que inclui amidos e adoçantes e etanol, a receita foi de US$ 3,263 bilhões, alta de 1,94% na comparação anual. A receita no segmento de nutrição cresceu 7,33%, para US$ 1,845 bilhão.
Desta forma, o lucro líquido ajustado da empresa ficou em US$ 1,1 bilhão, ou US$ 1,93 por ação, no período de três meses encerrado em 31 de dezembro. A estimativa de analistas era de US$ 1,65 por ação, segundo dados da Refinitiv.
Os ganhos superaram a estimativa de consenso dos analistas pelo 14º trimestre consecutivo.
Sem reajustes, o lucro líquido no quarto trimestre de 2022 foi de US$ 1,019 bilhão, ou US$ 1,84 por ação. O resultado representa alta de 30,3% ante os US$ 782 milhões, ou US$ 1,38 por ação, registrados em igual período do ano anterior.
A ADM aumentou seu dividendo trimestral em 12,5%, para US$ 0,45 por ação.
Os resultados ofereceram uma visão de como as tradings globais resistiram ao aumento dos custos de energia e às interrupções da cadeia de suprimentos, como a queda nas exportações de grãos da região do Mar Negro após a invasão da Ucrânia pela Rússia.
A ADM e rivais, incluindo Bunge, Cargill e Louis Dreyfus, ganham dinheiro processando, negociando e enviando safras ao redor do mundo. Os intermediários da cadeia de suprimentos, como a ADM, tendem a prosperar quando crises como secas ou guerras provocam escassez em partes do mundo.
“À medida que olhamos para frente, estamos fortalecendo nosso foco em ações controláveis para mitigar o impacto das forças do mercado e continuar a melhorar nossas capacidades globais para atender nossos clientes”, disse o CEO da ADM, Juan Luciano, em comunicado à imprensa.
“Também estamos aumentando nossos investimentos na descarbonização de algumas de nossas grandes instalações de produção para permitir a evolução de nosso segmento de soluções de carboidratos e investindo em nosso futuro, capacitando novas plataformas de tecnologia de alimentos para atender às preferências dos consumidores em evolução e às necessidades de segurança alimentar de longo prazo”, acrescentou.
Karl Plume
Com reportagem de Sourasis Bose e informações adicionais da Agência Estado