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Lucratividade da produção de etanol nos EUA: uma visão atualizada

Etanol dos EUA: preço, custos e lucroEvolução da lucratividade do setor pode ajudar a avaliar prováveis tendências de produção e potenciais impactos sobre oferta, demanda e preços
NovaCana 5 min de leitura
A ideia é que este modelo seja representativo da situação de uma usina de etanol "média" construída em 2006. Mas certamente existe dentro do setor uma variação substancial quanto a capacidade e eficiência produtivas. É preciso levar isso em conta ao olhar as estimativas de lucro obtidas com o modelo. Eis algumas das premissas utilizadas:

Não é surpresa que a produção de etanol teve um papel fundamental para que os preços dos grãos nos EUA disparassem desde 2006. O aumento na produção de etanol foi reflexo de uma combinação de incentivos de mercado e políticas para biocombustíveis. Dada a proeminência da produção de etanol, é importante retraçar a evolução da lucratividade do setor para poder avaliar prováveis tendências de produção e potenciais impactos sobre oferta, demanda e preços no mercado de grãos.

Para traçar a lucratividade da produção de etanol, há anos usamos como modelo uma usina de Iowa representativa. A ideia é que este modelo seja representativo da situação de uma usina de etanol "média" construída em 2006. Mas certamente existe dentro do setor uma variação substancial quanto à capacidade e eficiência produtivas. É preciso levar isso em conta ao olhar as estimativas de lucro obtidas com o modelo. Eis algumas das premissas utilizadas originalmente:

- Capacidade de produção: 100 milhões de galões anuais de etanol
- Custos de construção da usina: US$ 2,11 por galão de capacidade de produção
- Financiamento: 40% por dívida (empréstimo) e 60% por venda de ações
- Juros de 8,25% para o financiamento da dívida, empréstimo com prazo de 10 anos
- Custos fixos: US$ 0,60 por bushel de milho processado

Outras premissas foram atualizadas ou acrescentadas ao modelo:
- Custos variáveis excluindo milho e gás natural: US$ 0,61 por bushel de milho processado em 2012 (era maior nos anos anteriores)
- Produção: 2,8 galões de etanol (incluindo desnaturante) por bushel de milho processado
- 16 libras (7,26 kg) de grãos secos de destilaria (DDGS–Dried Distillers Grains with Solubles) por bushel de milho processado
- 0,55 lb (250 g) de óleo de milho por bushel de milho processado (a partir de janeiro/2012)
- Custos de frete: US$ 0,05 por galão de etanol e US$ 4,00 por tonelada de DDGS

A principal mudança feita em nosso modelo em relação à postagem anterior sobre o assunto foi que acrescentamos os itens "receitas com óleo de milho" e "custos de frete". As premissas atualizadas baseiam-se num estudo de referência relativo a uma usina de etanol em 2012, elaborado por Christianson e Associados. Agradecemos à firma por partilhar conosco os resultados desse estudo.

Para traçar a evolução da lucratividade da usina ao longo do tempo, coletamos as cotações semanais do etanol e do DDGS em usinas de etanol de Iowa a partir de janeiro de 2007. Os preços do óleo de milho não processado no Meio-Oeste foram obtidos do Oil Price Information Service (Opis). O custo do gás natural foi estimado com base nos dados mensais disponibilizados pela Agência de Informações Energéticas (EIA) e atualizados de acordo com os preços futuros do gás natural. A Figura 1 apresenta as estimativas (antes de impostos) para as margens de processamento do etanol com base nos preços e premissas adotadas.

Ao longo de todo o período, as margens líquidas dos custos fixos e variáveis ficaram numa média de US$ 0,12 por bushel de milho processado, mas com enorme variabilidade. Em relação às margens líquidas, podemos dividir o período em basicamente três fases:

i) margens altas, de 2007 até a metade de 2008;
ii) margens equilibradas, da metade de 2008 até o fim de 2011;
iii) margens negativas, 2012 até o presente.

A cotação elevada do milho, resultante da seca de 2012, exerce obviamente uma pressão considerável sobre a lucratividade do etanol. As margens positivas voltaram a aparecer nestes últimos três meses de 2013, alcançando uma saudável média de US$ 0,37 por bushel. O principal responsável por isso foi o salto nos preços do etanol durante o período.

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Fig. 1 – Margens líquidas semanais do processamento de etanol para todos os custos fixos e variáveis em usinas de Iowa (26/01/2007 – 07/06/2013)

Vale a pena agregar as margens de lucro para um horizonte anual, a fim de enxergar tendências mais amplas para a lucratividade estimada das plantas de etanol. A Figura 2 mostra os lucros anuais totais para custos fixos e variáveis a cada ano entre 2007 e 2012. Os lucros são apresentados tanto em termos de retorno total em dólares aos acionistas como em porcentagem de retorno das ações. Os lucros foram claramente maiores em 2007: US$ 25 milhões. Em seguida vem 2011, com US$ 11 milhões. As piores cifras ocorreram em 2012, com um prejuízo de US$ 7,4 milhões. A média dos seis anos foi de US$ 4,7 milhões e 3,7%, respectivamente. Houve prejuízo em três dos seis anos desde 2007.

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Fig. 2 – Retorno aos investidores em usina de etanol representativa do estado de Iowa (2007-2012)

Conclusões

Após iniciar o recente período de crescimento com lucros sólidos, as usinas de etanol lutaram para manter a lucratividade. Não fica claro se os três meses recentes de margens positivas terão continuidade. Pode-se argumentar em prol de algum otimismo, dadas a possibilidade de cotações mais baixas do milho com a comercialização da próxima safra e a pressão por volumes crescentes de etanol para atender à mistura obrigatória de renováveis, ditada pela Norma para Combustíveis Renováveis (RFS). As cartas não parecem mostrar mais um longo período no vermelho, como ocorreu em 2012.

Por Scott Irwin
Department of Agricultural and Consumer Economics - University of Illinois
Fonte: FarmDocDaily
Tradução e adaptação: NovaCana
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