Milho

Milho

Lucas do Rio Verde (MT) encerra colheita de milho 2022/23, diz sindicato

Até a última sexta-feira, 28, os trabalhos em Mato Grosso haviam atingido 91,62% dos 7,4 milhões de hectares destinados ao grão


Canal Rural - Publicado: 02 Ago 2023 - 08:47

A colheita de milho em Lucas do Rio Verde (MT) foi dada por encerrada. Em Mato Grosso, até o dia 28 de julho, os trabalhos já foram realizados em 91,62% dos 7,4 milhões de hectares destinados ao grão nesta segunda safra 2022/23.

Lucas do Rio Verde destinou ao milho nesta temporada cerca de 161,45 mil hectares. Um aumento de 5% em comparação ao ciclo 2021/22.

De acordo com o sindicato rural do município, a produtividade média desta safra deve fechar em cerca de 130 sacas por hectare, dez sacas a mais em relação a última temporada. No que tange a comercialização estima-se que 60% da produção colhida tenha sido vendida até o momento.

“A produção foi até acima do esperado. O produtor teve muitos desafios nesse plantio, por exemplo as eleições, burocracias, falta de infraestrutura, falta de armazenagem e mesmo assim com o uso de tecnologia e de bons manejos o produtor conseguiu atingir uma produção boa em Lucas do Rio Verde, o que vai com certeza ajudar muito na economia local e na geração de empregos”, diz o presidente do sindicato rural, Marcelo Lupatini.

Lupatini salienta ainda que a inauguração de um grande armazém no município auxiliou para que não houvesse falta de espaço nesta safra, uma vez que ele acabou absorvendo grande parte da produção. Outro fator que influenciou positivamente o resultado do milharal foi o aumento da área destinada para o algodão.

Reta final

Segundo levantamento do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), as regiões norte (99,35%) e médio-norte (97,5%) do estado devem encerrar os trabalhos no decorrer da semana. Outra região com os trabalhos acelerados é a nordeste, com 95,45%.

Contudo, aponta o Imea, na região sudeste as máquinas devem seguir em campo por mais alguns dias. Por lá, apenas 75,48% do milho foi retirado das lavouras. No noroeste mato-grossense, 93% da área foi colhida; no oeste, 88,21%; e no centro-sul, 84,11%.

A colheita do milho teve início em meados do dia 19 de maio. Em decorrência do atraso no plantio, diante da colheita tardia da soja, os trabalhos nas lavouras com o cereal ao longo das últimas 11 semanas seguiram atrasado em relação ao ciclo 2021/22. Em 29 de julho do ano passado, a colheita do milho no estado estava em 97,95%

Em relação à média dos últimos cinco anos, conforme o Imea, também há atraso. A média histórica para o período é de 92,63%.

Preço do milho é desafio

Entre as dificuldades enfrentadas pelos produtores de milho em Mato Grosso está o preço da saca de 60 quilos no mercado disponível, que hoje não cobre os custos de produção.

A saca de 60 quilos de milho no mercado disponível em Mato Grosso encerrou a última semana de julho cotada a R$ 33,23, em média. O valor representa uma desvalorização de 43,18% ante o mesmo período em 2022, quando fechou em R$ 58,48.

Desde o início de 2023, o preço do cereal no estado vem exibindo fortes quedas. O quadro se intensificou ainda mais nos últimos meses, vindo, inclusive, a ficar abaixo do preço mínimo estipulado pela Companhia Nacional do Abastecimento (Conab) para 2023, de R$ 43,26 por saca.

“Esse cenário é em decorrência do aumento da disponibilidade do cereal no mercado interno, do déficit de armazenagem e da perspectiva de uma produção de 50,15 milhões de toneladas, 14,39% a mais que a safra 2021/22”, pontua o Imea.

O instituto ressalta ainda que o produtor rural mato-grossense deve ficar de olho no mercado externo, uma vez que “para as próximas semanas o preço do cereal poderá ainda ser impactado pelas oscilações da CME-Group devido à produção da safra americana ainda estar em aberto e ao aumento das tensões entre a Rússia e a Ucrânia”.

Luiz Patroni e Viviane Petroli