Logística

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Logística deficiente não permite redução de custos para o setor sucroenergético


Globo Rural - Publicado: 11 Set 2013 - 13:32 | Atualizado: 30 Nov -0001 - 21:00
O alto custo do transporte da cana-de-açúcar e do produto final está encarecendo demais o custo de produção do açúcar no Brasil na safra 2013/2014, afirmou o consultor Plinio Nastari, da Consultoria Datagro. Segundo ele, há um desequilíbrio muito grande entre a produtividade da cana, que foi recuperada neste ciclo e está em 75 toneladas por hectare (acima da média histórica) e o preço para fabricar o produto. Por isso, as usinas estão priorizando a produção de etanol. A previsão é que as usinas produzam mais 4,2% etanol agora que na safra passada.

De acordo com Nastari, transportar açúcar ficou mais caro no Brasil. Entre Ribeirão Preto (SP) e o Porto de Santos, o frete saltou de R$ 68 por tonelada em 2012/2013 para R$ 95 por tonelada nesta safra. Em Goiás, este custo na última safra era de R$ 110 por tonelada e atualmente está em R$ 180 por tonelada. "O produtor não vai arcar com este custo quando tem a possibilidade de trabalhar com o etanol e pagar um custo menor", diz.

As duas principais causas que estariam influenciando essa tendência altista, além da falta de investimentos em logística, seriam a Lei da Balança, que limita a 75 toneladas o transporte de cargas por veículo, incluindo a tara, e a Lei de Descanso dos Caminhoneiros, que tirou da atividade mais de 500 profissionais.

Outra novidade para este ciclo é que o consumo de etanol esta crescendo muito nas regiões Norte e Nordeste, o que leva a usinas do Centro-Sul a enviarem 16,6% a mais de etanol para estas regiões do que foi enviado no ano passado, chegando a 1,4 bilhão de litros do biocombustível. "Mas em alguns casos, devido à complicada logística brasileira, é mais simples importar etanol dos Estados Unidos", explica. "E não tem nada de ruim nisso". Essa "facilidade" segundo ele também se deve ao preço. "É mais barato importar do que transportar".

Safra atual
As projeções da Datagro para esta temporada sofreram pequenas alterações no último mês. A perspectiva é que sejam moídas 584,8 milhões de toneladas de cana: 34,18 milhões de toneladas de açúcar (na safra passada a produção foi de 34,09) e 25,35 milhões de litros de etanol (21,35 na safra 2012/2013).

"O crescimento de moagem que devemos ter neste ano deve ir todo para a produção de etanol", comentou em entrevistas a jornalistas em São Paulo. De acordo com Nastari, os preços internacionais do açúcar ainda estão próximos do custo de produção, o que reduz as margens dos produtores.

A consultoria estima ainda que o excedente de açúcar ao término da safra global 2012/13, em 30 de setembro, alcançará o recorde de 9,50 milhões de toneladas. Já para o ciclo 2013/14, que se inicia em outubro, a expectativa é de um superávit de 3,06 milhões de toneladas.

Investimentos futuros
Nastari afirmou que os investimentos no setor devem começar a ser retomados, sobretudo na área de cogeração de bioenergia. "É uma necessidade da industria voltar a focar os investimentos em cogeração, caso contrario a região Centro-Sul terá um gap de 5 a 7 GW de energia nos próximos anos", diz.

Conforme o consultor, o que ainda esta travando a retomada de investimentos é a falta de política pública para o setor. "O governo deveria se preocupar em desenvolver uma política mais adequada, regular e definir preços. Os investimentos, a iniciativa privada faz".

Ele afirma que os investimentos em novas plantas (que leva em media 4 a 6 anos) são necessários para atender a demanda até 2020, tanto de açúcar como de etanol e cogeração, caso contrário, o Brasil vai ter mais cana do que capacidade de moagem.

Viviane Taguchi
Adaptada por novaCana.com com informações da Agência Estado e do G1