A agência levantou a possibilidade de rebaixar ainda mais o rating da empresa
A Usina Caeté, companhia pertencente ao grupo alagoano Carlos Lyra, sofreu o rebaixamento de seu rating de crédito corporativo pela agência de classificação de risco Standard & Poor’s.
Somada a capacidade das quatro unidades do grupo, três localizadas em Alagoas, a estimativa é que a moagem de cana seja de 6,6 milhões de toneladas, volume em linha com a safra passada.
A revisão negativa, comunicada pela S&P, reflete o fraco desempenho operacional da sucroalcooleira no centro-sul, onde possui uma usina em Paulicéia (SP).
Veja a seguir:
- Provável quebra de cláusulas contratuais restritivas;
- Capex mais altos que o esperado: estimativa para 2014 e 2015;
- Possível elevação da dívida;
- Risco financeiro “agressivo” e a estimativa de FOCF negativo em 2014 e 2015;
- Liquidez “menos que adequada” e necessidade de refinanciamento;
- Perspectiva negativa: risco de novo rebaixamento
A Usina Caeté, companhia pertencente ao grupo alagoano Carlos Lyra, sofreu o rebaixamento de seu rating de crédito corporativo pela agência de classificação de risco Standard & Poor’s. A revisão negativa, comunicada pela S&P na terça-feira (25), reflete o fraco desempenho operacional da sucroalcooleira no centro-sul, onde possui uma usina em Paulicéia (SP).
Na avaliação da agência, a processadora de cana-de-açúcar também tem apresentado investimentos (capex) mais altos que o esperado. Em função disso, a análise prevê geração de fluxo de caixa operacional livre (FOCF, na sigla em inglês para free operating cash flow) negativa e o aumento do nível de endividamento.
Nesse contexto de piora do desempenho, a S&P rebaixou os ratings de crédito na escala global de ‘BB-’ para ‘B+’ e na escala nacional de ‘brA-’ para brBBB-’, incluindo ratings de emissão de dívida. A perspectiva dos ratings de crédito corporativos também foi rebaixada.
“A perspectiva negativa reflete a possibilidade de que poderemos rebaixar ainda mais os ratings da empresa caso esta não seja capaz de melhorar sua liquidez, ou se nossa expectativa de que a empresa quebrará cláusulas contratuais restritivas (covenants) no final do ano pressionar sua liquidez”, justificou a agência.
Reflexos da seca
Afetada pela seca no estado de São Paulo, a usina Paulicéia sofreu a redução dos volumes processados e níveis de produtividade na safra atual. Com a queda da matéria-prima a agência acredita que a Caeté não deve conseguir melhorar a utilização da capacidade instalada.
Somada a capacidade das quatro unidades do grupo, três localizadas em Alagoas, a estimativa é que a moagem de cana seja de 6,6 milhões de toneladas, volume em linha com a safra 2013/14. Combinado com os baixos preços do açúcar, esse fator deve prejudicar a geração de fluxo de caixa operacional e de FOCF.
Agrava o quadro o aumento dos investimentos da Caeté nas plantações a fim de elevar a disponibilidade de cana-de-açúcar nas próximas safras. Em consequência, a S&P acredita que a empresa registrará FOCF negativo em R$ 22 milhões em 2014. O resultado irá aumentar a necessidade de refinanciamento da dívida de curto prazo. Para 2015 a previsão é de FOCF negativo em cerca de R$ 50 milhões.
“O aumento da dívida para financiar seu capex provavelmente resultará no descumprimento dos covenants [cláusulas restritivas] financeiros da empresa, que exigem que esta mantenha um índice de dívida líquida sobre o Ebitda inferior a 2,5x. No entanto, esperamos que a empresa continue negociando waiver [perdão] com os bancos, como fez no fim de 2013”.
Com o descumprimento de cláusulas restritivas à elevação da alavancagem, a companhia alagoana deve aumentar a taxas de juros de algumas de suas dívidas.
Risco financeiro “agressivo”
A S&P ainda alterou negativamente o perfil de risco financeiro da Caeté de “significativo” para “agressivo”.A mudança reflete principalmente a projeção de que a empresa gerará FOCF negativo, embora a análise considere provável que ela mantenha seu índice de dívida sobre o Ebitda em torno de 3 vezes. A projeção de geração interna de caixa (FFO, ou funds from operations) sobre a dívida é acima de 22%.
A análise em relação a ratings comparáveis foi rebaixada de positiva para neutra, “refletindo o aumento das necessidades de refinanciamento da empresa, que está em linha com aquelas de outras empresas avaliadas na categoria ‘B+’”.
Liquidez “menos que adequada”
A liquidez da Caeté é avaliada como “menos que adequada”. Segundo a agência, a relação fontes sobre usos de caixa da empresa é inferior a uma vez, o que exige o refinanciando das dívidas da sucroenergética.
A maior parte da dívida de curto prazo da Caeté consiste em empréstimos de trade finance, em geral renovados à medida que a empresa exporta o açúcar produzido. No entanto, ressalva a S&P, a empresa elevou a alavancagem para financiar seu capex, estimado em R$ 228 milhões em 2014.
Mesmo com a quebra de covenant, a análise não acredita que ocorra a aceleração do pagamento das dívidas. “As debêntures são de apenas três bancos com longo histórico de relacionamento com a empresa e com os quais a Caeté vem negociando as cláusulas de seus covenants”, argumentou a S&P indicando que a empresa também descumpriu cláusulas restritivas em 2013, o que levou somente a taxas adicionais de cobranças.
Em 30 de setembro último a dívida de curto prazo da Caeté somava R$ 260 milhões. A necessidade de capital de giro da companhia é de aproximadamente R$ 9 milhões anuais e de R$ 50 milhões anuais sazonais, conforme a análise. Para 2015 o capex é projetado em cerca de R$ 180 milhões, 21% menor do que no ciclo atual.
Perspectiva negativa
Frente ao risco da quebra da cláusula de covenant pressionar a liquidez, enquanto as condições adversas da indústria dificultam o acesso ao refinanciamento da dívida de curto prazo, a S&P atribuiu à empresa “perspectiva negativa”, o que significa a possibilidade da agência rebaixar ainda mais os ratings da Caeté.
“Poderemos rebaixar os ratings da empresa se esta não for capaz de negociar a dispensa do cumprimento dos covenants com seus credores, o que elevaria os pagamentos de juros e limitaria a capacidade da empresa de contrair novas dívidas com a finalidade de melhorar sua liquidez e estrutura de capital. Um cenário no qual os preços do açúcar continuem baixos poderia acelerar uma ação de rebaixamento”.
Uma eventual melhora da perspectiva, depende da capacidade da empresa refinanciar a dívida de curto prazo e alongar o perfil do endividamento. A elevação dos preços do açúcar e do etanol também poderia ajudar a companhia a reduzir seu endividamento e a aumentar níveis de caixa, “o que resultaria em um colchão de covenant superior a 10%”.
Amanda SchArr – NovaCana