A ministra brasileira do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, disse nesta segunda-feira, 11, que a linguagem para combustíveis fósseis no novo rascunho do Balanço Global (GST, em inglês) – o documento mais aguardado da Conferência Climática da ONU (COP28) – não está adequada ao objetivo de limitar o aquecimento do planeta a 1,5 °C.
Segundo a ministra, negociadores brasileiros vão trabalhar por mais ambição no texto final.
Até o fim de semana, a possibilidade de eliminação gradual dos combustíveis fósseis da matriz global figurava entre as opções do GST. Já o texto divulgado em Dubai nesta segunda-feira, 11, chama os países para “reduzir tanto o consumo quanto a produção de combustíveis fósseis, de maneira justa, ordenada e equitativa”.
O aguardado “phase out” ficou restrito aos “subsídios ineficientes”, repetindo as COPs 26 e 27.
O principal encontro de líderes para discutir acordos globais que levem à descarbonização da economia alinhada com a meta de limitar o aquecimento do planeta está previsto para ser encerrado hoje, 12.
O recuo na linguagem do documento, embora não signifique o resultado das negociações, reforça a dificuldade de chegar a um consenso sobre o tema.
No fim de semana, uma coalizão de mais de 80 países, incluindo os Estados Unidos e membros da União Europeia, pressionou por um acordo que aborde a eliminação gradual dos combustíveis fósseis.
O movimento ocorreu em resposta ao vazamento de uma carta da Opep+ instando as delegações ligadas ao cartel a “rejeitar proativamente qualquer texto ou fórmula que vise a fonte de energia, ou seja, combustíveis fósseis em vez de emissões”.
Já nesta segunda-feira, o presidente da COP28 e da petroleira Adnoc, sultão Al Jaber, disse que “ainda resta muito por fazer” até chegar a um acordo, e pediu mais ambição para fechar o texto.
“Sabem o que ainda falta ser acordado e sabem que quero que alcancem a maior ambição possível em todos os aspectos, inclusive na linguagem sobre combustíveis fósseis”, disse Al Jaber no plenário da conferência após a divulgação do rascunho.
A ministra Marina Silva falou sobre a atualização do GST. “Temos muitas insuficiências [no rascunho]. Uma delas é não estarem estabelecidos os esforços para eliminação dos combustíveis fósseis. Não é só a questão da redução de emissão”, comentou.
Para ela, faltou também uma “clareza sobre o balanço entre países desenvolvidos e em desenvolvimento”.
“O posicionamento do Brasil é de que os esforços não estão sendo suficientes até agora para alinhar com a meta de 1,5 °C, há uma dificuldade de reduzir as emissões de CO2 e é preciso criar um caminho para não termos mais nossas economias dependentes de um combustível fóssil, com os países ricos liderando o processo”, disse Marina Silva.
Ela ainda completou: “Mas isso não significa que não deva haver esforços e compromisso dos países em desenvolvimento, dentro do princípio de justiça climática e transição justa”.
Ao defender que os países ricos liderem os esforços para reduzir a dependência de petróleo, carvão e gás, o Brasil encontra um caminho para continuar explorando esses recursos sob o selo de “transição justa”.
A versão publicada às 16h30 (horário de Dubai), a menos de 24 horas do fim da COP28, “reconhece a necessidade de reduções profundas, rápidas e sustentadas nas emissões de GEE”. Ela também afirma que as partes devem tomarem medidas que podem incluir, entre outras coisas:
Nayara Machado