Etanol: Mercado

Etanol: Mercado

Lento retorno à competitividade


Brasil Energia - Publicado: 13 Set 2013 - 12:07 | Atualizado: 19 Ago 2021 - 12:07

O ano começou promissor para a indústria de etanol. Após quebras de safras seguidas provocadas por condições climáticas adversas, os usineiros contam com uma indicação mais positiva no campo. Com mais cana disponível para moer, a expectativa é que mais etanol seja produzido. E para o consumidor, pode representar um alívio - ainda que pequeno - no bolso na hora de abastecer o carro no posto.

Apesar de discreta, a retomada nas vendas de etanol já pode ser sentida. Pela primeira vez desde 2009 houve aumento nas vendas de etanol hidratado nos postos no acumulado até maio. Essa inversão na tendência ainda não acompanha o crescimento do mercado e o espaço para o etanol na matriz energética veicular vem minguando.

Naquele ano, o etanol hidratado representou 39% do volume comercializado para veículos com motor Otto. O patamar atual patina nos 19,5%, metade do recorde histórico.

Apesar de estar mais competitivo, o combustível não está necessariamente mais barato. A vantagem sobre a gasolina está restrita a quatro estados. Entre eles, São Paulo, o mais importante. Na usina, a venda do produto nesta safra está na mediana das últimas 13 colheitas, segundo acompanhamento do Cepea/ Esalq. Seis delas apresentaram preço maior e seis, menor.

"Não há queda de custos para a indústria, por isso todo o ganho será do aumento de produtividade", analisa Mirian Bacchi, pesquisadora responsável pela área de etanol do Cepea/EsalqAJSP. Com o preço estável no produtor, parte do ganho de competitividade do etanol vem de intervenções externas ao setor, como o reajuste da gasolina, seu concorrente.

Empurrão do governo
Em janeiro, o governo anunciou o primeiro aumento real do derivado - sem a retirada de montante idêntico impostos - desde o início da crise do setor. Mais de olho no caixa da Petrobras do que no setor de etanol, o governo autorizou reajuste de 6,6% na gasolina A em janeiro. Indiretamente, também deu maior competitividade ao biocombustível nas bombas.

Além dessa medida, o governo também oficializou a desoneração de PIS/Cofins, demanda de longa data do setor, cujas alíquotas encareciam o produto em cerca de 12 centavos por litro.

As intervenções, contudo, não dão fôlego para garantir uma retomada ao setor. "Falta uma política econômica clara, estável e sustentável por parte do governo. A redução do imposto não é política econômica. É socorro econômico", afirmou Julio Maria Borges, diretor da JOB Economia.

Essa desoneração, pensada no âmbito de políticas para ajudar o produtor a recuperar capacidade de investimento, não deverá surtir efeito no médio prazo. "No dia da retirada dos impostos, houve uma recuperação de preços para o produtor, mas depois não há nada mais forte que oferta e demanda. Uma parte do benefício já foi repassada para a cadeia", afirma Bacchi. E com o clima político no país, ninguém aposta num novo reajuste da gasolina.

Apesar de ainda pontuais, as medidas governamentais vêm em boa hora. A produção de etanol hidratado bateu no fundo do poço na safra iniciada ano passado, quando a produção de combustível contraiu e fechou em 12,6 bilhões de litros, patamar compatível ao de 2007/2008.

Para esta safra em curso, a UNICA está mais otimista e espera elevar pela primeira vez em três anos a produção de etanol hidratado. A expectativa é que as usinas do Centro-Sul produzam 14,2 bilhões de litros de hidratado. A expectativa ainda está longe do recorde de 17,9 bilhões de litros processados pelas usinas na safra 2010/2011, quando a crise já batia à porta do setor.

Renovação
Essa recuperação, ainda tímida, também tem a participação dos empresários. O aumento de produção vem na esteira da retomada dos investimentos em renovação de canaviais iniciada há dois anos. No ano passado, a taxa de renovação do canavial chegou próxima ao patamar histórico de 20%, contra cerca de 12% em 2009 e 2010.

Essa renovação trouxe mais produtividade, que começa a dar frutos nessa safra. Até a segunda quinzena de julho, as usinas do Centro-Sul produziram 38% mais etanol hidratado do que o acumulado até o mesmo período na safra passada, um total de 4,6 bilhões de litros.

Esse aumento de produção contrasta com as vendas ainda tímidas na bomba. "Há uma inércia do consumidor em trocar de combustível. Em algum momento terá um grande incremento de venda, pois há produto disponível", aposta o diretor Técnico da UNICA, Antonio de Padua Rodrigues.

No ano, o etanol também deverá ganhar fôlego com o desaquecimento do mercado de açúcar, cuja cotação no mercado internacional está cerca de 20% menor neste ano. A previsão é que a moagem de cana, 60 milhões de t maior, seja integralmente direcionada para a produção do biocombustível.

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