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Leilão por falência: usinas de etanol da Abengoa nos EUA atraem 3 compradores


NovaCana - Publicado: 15 Jun 2016 - 10:03 | Atualizado: 15 Jun 2016 - 11:35

A Abengoa Bionergy recebeu três propostas para quatro de suas plantas de etanol no meio-oeste norte-americano, totalizando US$ 350 milhões. As ofertas devem ser avaliadas durante um processo de leilão por falência supervisionado. A informação foi obtida a partir de documentos oficiais, que detalham novas etapas do processo de falência que a companhia iniciou nos Estados Unidos.

As propostas de compra recebidas pela Abengoa Bionergy são para as unidades que o grupo possui em Mount Vernon, no estado de Indiana; Madison (Illinois); Ravenna (Nebraska); e York (também em Nebraska).
A companhia pediu às autoridades judiciais que tramitam o processo de falência para poder negociar as plantas durante o próximo mês de agosto.

O interesse pelas unidades de etanol foi divulgado após novas subsidiárias norte-americanas da companhia darem entrada em processos voluntários nos tribunais de falência dos Estados Unidos.

A situação da filial da Abengoa Bioenergy nos Estados Unidos é diferente da sua matriz espanhola. Na Espanha, a companhia negocia acordo com os credores e tenta levar em frente um plano de refinanciamento. Nos Estados Unidos, o grupo entrou com pedido pela lei falência, o que, na prática, a coloca em um caminho direto para a liquidação sistemática.

Entre os procedimentos dos processos de falência estão leilões supervisionados pelas autoridades. No dispositivo, lances individuais por grupos interessados em certos ativos podem ocorrer em paralelo, mas também deve-se abrir a possibilidade de outros licitantes no leilão geral.

Como indicado na documentação apresentada às autoridades norte-americanas, a filial no país recebeu uma oferta do grupo Green Plains no valor US$ 200 milhões para as plantas de Mount Vernon e de Madison. Além disso, uma subsidiária da Kaapa Etanol apresentou proposta de US$ 115 milhões para a planta de Ravenna. Já a fábrica de York recebeu uma oferta de US$ 35 milhões da companhia BioUrja Trading.

Além destas instalações, a Abengoa Bionergia tem no país duas outras fábricas no biocombustível. A maioria delas foi fechada no final do ano passado devido à falta de recursos na sequência do pedido de recuperação judicial, em novembro, pela matriz espanhola.

Ainda na última semana, foi noticiado que a companhia fez uma solicitação para que outras subsidiárias no país norte-americano façam uso do procedimento voluntário de falência nos tribunais. Alguns desses processos já teriam começado a tramitar na justiça.

A crise da Abengoa, deflagrada no fim do ano passado, passou por várias fases desde que a companhia deu início ao intricado plano de reestruturação em janeiro. O plano paralisou vários projetos e colocou várias filiais à venda, o que prevê a negociação de sua divisão de Bioenergia pelo mundo, incluindo unidades brasileiras.

Brasil

No país, a única subsidiária que não se encontra em processo de recuperação judicial é a Abengoa Bioenergia Brasil, que estaria nos planos de venda da matriz espanhola.

Em janeiro, quando foi anunciada as intenções da empresa, a notícia era de que a Abengoa já teria recebido ofertas pelas usinas brasileiras. Agora, próximo do final do primeiro semestre do ano, não se tem conhecimento sobre o avanço das negociações ou se os planos da companhia permanecem os mesmos.

Em um comunicado no final de abril, a Abengoa Bioenergia Brasil apenas afirmou que “continua avançando” em suas negociações visando a reestruturação interna para poder renegociar dívidas com bancos e dar continuidade aos pagamentos a fornecedores.

Marina Gallucci – novaCana.com