As especulações sobre o La Niña são fortes e crescentes neste ano. O NOAA, o departamento oficial de clima dos Estados Unidos trouxe, nesta quinta-feira (14), uma nova previsão indicando que o fenômeno tem de 55% a 60% de chances de ocorrer entre agosto e outubro. No mês passado, essa probabilidade era de 75%.
Ainda de acordo com informações da instituição, as condições de um clima mais neutro foram registradas no mês passado, embora as temperaturas das águas ainda estejam abaixo da média para essa época. Esse padrão continua se estendendo por toda a superfície de áreas central e leste do Pacífico Equatorial.
As chances de que o La Niña se desenvolva entre os meses de setembro e novembro ficam em 57% e, entre novembro e janeiro, em 61%
Para o agrometeorologista Marco Antônio dos Santos, essa projeção fica bem em linha com as condições atuais para o desenvolvimento do fenômeno e, caso isso se confirme dessa forma, os meses de agosto e setembro poderão ser um pouco mais secos nos Estados Unidos.
Assim, Santos acredita que os impactos sobre a nova safra norte-americana de grãos acontecerão não deverão ser tão fortes. "Mas eles não deverão ter uma safra cheia, alguma quebra pode ter", diz. Ainda segundo o especialista, isso pode ser registrado tanto na cultura da soja, quanto do milho, principal matéria-prima para o etanol no país.
"O maior problema está nas temperaturas, que estão muito elevadas, e não tanto na questão das chuvas. Observando os últimos relatórios semanais (de acompanhamento de safras do USDA), vimos que há muitas lavouras de soja florescendo e muitas de milho na fase de pendoamento, e isso acontecendo nesse calor forte pode ocasionar em alguma perda", explica Santos.
O agrometeorologista alerta ainda que, dependendo da intensidade do La Niña, os Estados Unidos poderiam registrar, além de uma menor pressão das chuvas, o frio chegando mais seco, o que aumentaria a possibilidade de ocorrência de geadas precoces.
Carla Mendes