I - Análise Conjuntural
AÇÚCAR
ANÁLISE CEPEA – Em junho, o Indicador CEPEA/ESALQ do açúcar cristal se manteve na casa dos R$ 40,00/saca de 50 kg durante todo o mês. No acumulado do período, no entanto, houve baixa de 1,73%, com o Indicador fechando a R$ 40,21/saca de 50 kg no final do mês. A média mensal do Indicador foi de R$ 40,40/sc, com redução nominal de 7,67% em relação à de maio. Comparando-se a média de junho de 2010 com a do mesmo período do ano anterior (R$ 42,21), observou-se queda nominal de aproximadamente 4%.
De modo geral, muitas usinas brasileiras consultadas pelo Cepea estiveram focadas em negócios para exportação, fazendo com que os preços seguissem estáveis no Brasil. Compradores paulistas, por sua vez, mantiveram a postura retraída, adquirindo apenas pequenos volumes.
Quanto à remuneração proporcionada pelo etanol, cálculos do Cepea mostram que açúcar cristal remunerou 51% a mais que o etanol anidro em junho, considerando-se preços médios no estado de SP. Já comparando o açúcar ao hidratado, o primeiro remunerou 64% a mais, em média, em junho, no estado de São Paulo.
No Nordeste, os preços do açúcar cristal tanto em Alagoas como em Pernambuco caíram. Segundo agentes nordestinos consultados pelo Cepea, as chuvas ocorridas naquela região no final de junho prejudicaram parte da safra. Assim, o Indicador de junho do açúcar cristal CEPEA/ESALQ do estado de Alagoas foi de R$ 61,40/saca de 50 kg, queda de 6,43% sobre o de maio/10. Em Pernambuco, o Indicador Mensal foi de R$ 56,74/sc, queda de 7,23%.
Em junho, conforme cálculos do Cepea, a comercialização do açúcar no mercado externo remunerou mais que a venda interna, com vantagem de 5%. Para esse cálculo, foi considerado o valor médio do Indicador CEPEA/ESALQ, o vencimento Agosto/10 na Bolsa de Londres, Liffe, um desconto de qualidade, estimado em US$ 35,20/tonelada, e custos com elevação e frete, de US$ 82,00/t.
De modo geral, o mercado internacional continuou demandado pelos países da Ásia e Oriente Médio e, praticamente, o Brasil é o único fornecedor atual capaz de atender a essa forte procura. Agentes colaboradores do Cepea comentam que o volume de açúcar embarcado pelos portos da região Centro-Sul em junho foi elevado. Exportadores enfrentaram espera no porto de Santos de cerca de 10 dias, tanto para desembarcar o produto no porto quanto no mar, e acabaram sendo prejudicados, visto que precisavam pagar as estadias.
Outros fatos que impulsionaram as cotações externas em junho foram: a expectativa de redução da tarifa de importação de açúcar bruto da Rússia em agosto, conforme informações da Associação Soyuzrossakhar, passando dos atuais US$ 239/tonelada para US$ 200/t; e os problemas climáticos do Nordeste, que podem diminuir as estimativas de oferta da safra 2010/11 brasileira, além de reduzir, em especial, a oferta de açúcar refinado, o que, segundo a Sucden, daria suporte às cotações futuras da Bolsa de Londres.
Para o longo prazo, as notícias mostram que o mercado pode perder toda esta força com o aumento da oferta mundial de açúcar. A consultoria F.O. Licht estima que, em 2010/11 (de outubro/10 a setembro/11), o déficit da temporada atual volte a ser superávit, por conta do aumento das produções do Brasil e Índia, já que condições climáticas são favoráveis e houve melhorias nas práticas de cultivo, influenciadas pelo aumento nos preços da commodity.
De acordo com a Associação das Usinas de Açúcar da Índia, a produção da temporada 2010/11 deve chegar a 23 milhões de toneladas, o que atenderia à demanda indiana. O governo indiano, visando conter as importações e não prejudicar o mercado interno, estuda a possibilidade de impor nova tarifa sobre as importações de açúcar, para que os preços locais parem de recuar.
Quanto à safra brasileira, em junho, segundo pesquisadores do Cepea, o tempo firme na região Centro-Sul permitiu que a colheita da cana seguisse sem interrupções, além de ter favorecido uma produção de açúcar de boa qualidade.
Segundo a Unica, de 1º de abril a 16 de junho, a produção de açúcar foi de 8,95 milhões de toneladas nesta safra (2010/11), volume 30,9% superior à do ano passado (6,84 milhão). Quanto ao etanol, a produção atingiu 7,19 bilhões de litros, alta de 17,5% em relação à da safra passada (6,12 bilhões), sendo 5,42 bilhões de hidratado (aumento de 9,6%) e 1,77 bilhão de litros de anidro (elevação de 51,1%).
De modo geral, a produtividade do canavial na temporada 2010/11 segue conforme esperado pelos fornecedores. Ainda conforme a Unica, de 1º de abril a 16 de junho, foram moídas 173,66 milhões de toneladas de cana da safra 2010/11 na região Centro-Sul, volume 20,4% superior ao mesmo período da temporada 2009/10 (144,26 milhões). O mix de produção apontou 57% da cana destinada à produção do etanol e 43%, ao açúcar. O Açúcar Total Recuperável (ATR) ficou em 124,85 kg/t, 2,3% acima do obtido no ano passado (122,07 kg/t).
Quanto às exportações, segundo dados da Secex, foram embarcadas 1,92 milhão de toneladas de açúcar bruto (VHP) em junho, volume 12,7% acima do de maio (1,71 milhão) e 15,7% superior ao de junho/09 (1,66 milhão). No acumulado da safra 2010/11 (abril a junho), os embarques totalizam 4,65 milhões de toneladas de açúcar VHP, quantidade 10,7% superior à exportada no mesmo período da safra anterior (4,2 milhões de toneladas).
Para o açúcar branco, em junho, foram embarcadas 578,78 mil toneladas, acréscimo de 38,6% sobre o volume de maio (417,70 mil) e praticamente igual ao de junho/09 (577,08 mil). No acumulado da safra, foram exportadas 1,34 milhão de toneladas, 9,9% inferior à safra anterior (1,49 milhão).
ETANOL
ANÁLISE CEPEA – Em junho, no mercado paulista, o Indicador CEPEA/ESALQ para o anidro caiu 1,42%, com a média mensal a R$ 0,8273/litro (sem impostos). Para o hidratado, o Indicador CEPEA/ESALQ mensal foi de R$ 0,7203/litro (sem impostos), recuo de apenas 0,56% em relação ao maio.
Segundo pesquisadores do Cepea, o avanço da moagem de cana-de-açúcar e o menor interesse de algumas distribuidoras continuaram pressionando as cotações do etanol no mercado paulista. Do lado das usinas, algumas ofertaram maiores volumes, no intuito de fazer caixa para quitar dívidas de início de mês e de safra. Distribuidoras, por sua vez, parcelaram suas compras, que foram realizadas em pequenos volumes; muitas à espera de novos recuos nos preços.
Cálculos do Cepea sobre a paridade de preços entre os produtos do setor sucroalcooleiro no estado de São Paulo mostraram que, ao se comparar os dois tipos de etanol, o anidro continuou a remunerar 9% a mais que o hidratado em junho.
Nos estados do Nordeste, os preços do etanol subiram em junho. O suporte veio da redução da oferta devido à entressafra, ocasionando compras em outros estados. Em Alagoas, o Indicador mensal CEPEA/ESALQ do anidro foi de R$ 1,1477/litro (com impostos), alta de 2,41% em relação ao do mês anterior. Para o hidratado, o Indicador fechou a R$ 0,9962/litro (com impostos, exceto ICMS), elevação de 3,02% sobre a média do mês anterior. Em Pernambuco, o Indicador CEPEA/ESALQ do anidro fechou em R$ 1,1706/litro (com impostos) e o do hidratado, em R$ 1,0121/litro (com impostos, exceto ICMS), aumentos de 3,07% e de 6,39%, respectivamente, sobre a média de maio.
No mercado goiano, a demanda esteve aquecida, principalmente por parte de distribuidoras que atuam no Norte e Nordeste. Vendas para fora de Goiás não são contabilizadas nos Indicadores CEPEA/ESALQ, mas influenciam a formação dos preços do combustível destinado ao próprio estado. O Indicador semanal do anidro foi de R$ 0,8818/litro e o do hidratado, de R$ 0,6361/litro, ambos sem impostos. Essas cotações representam alta de 0,79% para o anidro e queda mínima de 0,08% para o hidratado.
Quanto às exportações, segundo a Secex, foram embarcados 212 milhões de litros de etanol em junho/10, volume 127% superior ao de maio/10, mas 50% inferior à quantidade exportada em junho de 2009, de 420,4 milhões de litros.
Conforme dados da Unica, desde o início da safra foram processadas 174 milhões de toneladas de cana, aumento de 20,38% frente ao mesmo período da temporada passada. De açúcar, foram produzidas 8,95 milhões de toneladas e de etanol, 7,19 bilhões de litros, aumentos de 30,9% e de 17,5%, nessa ordem. Sobre o mix de produção nesse período, 43,34% da cana foi alocada para a produção de açúcar e 56,66% ao combustível.
Cepea/Esalq - Pesquisadoras responsáveis: Heloisa Lee Burnquist, Mirian Rumenos Piedade Bacchi, Lilian Maluf de Lima, Ivelise Rasera Bragato, Mariana Pessini e Andressa Cristina Galdi.
cepea@esalq.usp.br
II - Séries Estatísticas Cepea
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III – Gráficos
CEPEA – AÇÚCAR
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CEPEA - ÁLCOOIS ANIDRO E HIDRATADO
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