Foi agendada para o dia 17 de novembro deste ano a assembleia geral de credores da Usina São Fernando, localizada em Dourados, a 233 km de Campo Grande.
Durante a reunião, marcada para o espaço de eventos Serrado Brasil, com início às 9h, a empresa pertencente à família do pecuarista José Carlos Bumlai vai tratar de seu plano de recuperação judicial com os credores.
Existe expectativa que a São Fernando apresente a proposta de uma venda judicial em mais uma tentativa para sair da falência e pagar as dívidas, que somam R$ 1,1 bilhão.
A São Fernando quer criar uma UPI (Unidade Produtiva Isolada) para incluir a usina de Dourados e os ativos biológicos (lavoura de cana) e submetê-los a uma venda judicial, através de leilão.
Amigo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Bumlai é um dos réus na Operação Lava Jato. A usina de Dourados está em nome de seus dos filhos.
O juiz Jonas Hass da Silva Junior, da 5ª Vara Cível de Dourados, que cuida dos processos de falência da São Fernando, determinou que o cartório judicial intime as centenas de credores da indústria sobre a assembleia, que tem uma segunda convocação marcada para o dia 1º de dezembro deste ano, no mesmo local e horário da primeira assembleia.
A assembleia foi agendada após desembargadores da 4ª Seção Cível do TJ-MS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul) negarem mandado de segurança que impedia a São Fernando de reunir os credores.
O mandado foi apresentado por um dos principais credores da companhia, o BNP Paribas, e impediu que a assembleia fosse realizada no dia 10 de março deste ano. O banco alegou que a usina não apresentou documentos contábeis e financeiros necessários para a análise de sua viabilidade econômica.
O juiz Jonas Hass Silva Junior já tinha negado o recurso do BNP, mas o banco recorreu ao TJ-MS, onde também teve o pedido indeferido.
Além dos credores, entre eles o BNDES, a São Fernando já sofreu pedido de falência até da administradora judicial, a VC Consultoria e Perícia.
Segundo Pedro Coutinho, sócio da VC Consultoria, a Justiça preferiu deixar com os credores a decisão sobre a situação da empresa. Entretanto, ele acredita que o plano de recuperação não será aceito na assembleia marcada para novembro porque os bancos não estão propensos a aprovar as propostas em pauta.
Helio de Freitas