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Ex-presidente da Unica faz previsão sobre o futuro do fornecimento de cana

marcos-jank-020513Marcos Jank acredita que o setor caminhará para uma mudança completa no fornecimento de cana-de-açúcar
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O ex-presidente da Unica e atual presidente do conselho do Instituto de Estudos do Comércio e Negociações Internacionais (Icone), Marcos Jank, fez uma aposta para o futuro em relação ao fornecimento de cana-de-açúcar para as usinas. Veja os detalhes e os argumentos.

Em participação no programa Conexão Agrícola, da FMC, o ex-presidente da Unica e atual presidente do conselho do Instituto de Estudos do Comércio e Negociações Internacionais (Icone), Marcos Jank, fez uma aposta para o futuro em relação ao fornecimento de cana-de-açúcar para as usinas.

Além de comentar sobre o recente pacote de incentivos lançado pelo governo para a indústria sucroalcooleira e a necessidade de políticas públicas de longo prazo, Jank afirmou que deve acontecer uma mudança completa no perfil dos fornecedores de cana para as usinas. "[Daqui a algum tempo] nós vamos ter grandes produtores de cana que vão trabalhar, em terras próprias ou arrendadas, em parceria com as usinas", previu.

Para justificar sua visão, ele lembrou que este domínio dos grandes produtores já chegou ao setor de soja e milho brasileiro. "Assistimos isso também no algodão, uma mudança de modelo completa do antigo algodão do Paraná e hoje o novo algodão do Centro-Oeste", completou.

Ele considerou importante que as usinas busquem formas de aumentar a importância do papel desempenhado pelos fornecedores de cana na produção. Segundo ele, este modelo levaria a uma especialização e ao aumento da eficiência na produção de cana e etanol. Ele poderia também acarretar na diminuição no número de pequenos produtores. "Acho difícil um produtor de cana pequenininho em um contexto em que se exige mecanização no plantio e na colheita, máquinas caríssimas", disse.

O sistema de parcerias já estaria sendo estudado por alguns grupos. Contudo, Jank não entra em detalhes sobre como isso deve acontecer, considerando que, ao contrário da soja e do milho, a cana precisa ficar próxima da usina tanto porque o transporte só deixaria o produto final mais caro, quanto porque ela não pode ficar armazenada e deve ser moída pouco depois de ser colhida.

O ex-presidente da Unica salientou também que as usinas precisam investir em medidas que aumentem a produtividade e tragam inovação. "É preciso acelerar o processo de utilização de organismos geneticamente modificados, melhorar o próprio manejo da atividade, com espaçamentos diferentes", enumerou.

Situação atual e novas medidas do governo
"Tínhamos todas as condições para estar crescendo não só aqui, mas lá fora também. Infelizmente, a política pública atrapalhou", lamentou o presidente do conselho do Icone, citando o congelamento dos preços da gasolina, o teto para o preço de etanol e o aumentos dos custos de produção de etanol.

Sobre o pacote de incentivos anunciados pelo governo, Jank externou a mesma posição do resto do setor: "Isso vai melhorar a rentabilidade das empresas que estão aí, mas não vai gerar investimentos em novas usinas".


Vivian Faria – NovaCana
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