A Jalles, companhia do setor sucroenergético, registrou prejuízo líquido de R$ 2,4 milhões no primeiro trimestre do ano fiscal 2024/25, encerrado em 30 de junho, informou a empresa ontem, 13, depois do fechamento do mercado.
O resultado reverte o lucro líquido de R$ 49,5 milhões reportado em igual período do ano fiscal anterior. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado ficou 10,1% abaixo na mesma comparação, tendo caído de R$ 271,4 milhões para R$ 243,9 milhões.
Já a receita líquida recuou 9,8%, para R$ 401,3 milhões, ante os R$ 445,1 milhões reportados há um ano.

Por sua vez, a dívida líquida da sucroenergética aumentou 35,8% ante a posição de um ano antes, para R$ 1,68 bilhão. O valor bruto subiu ainda mais, 41,7%, indo a R$ 3 bilhões.
Com isso, a alavancagem da Jalles – medida pela relação entre a dívida líquida e o Ebitda – ficou em 1,4 vez. Um ano antes, esse indicador era de 1,1 vez.

Ao mesmo tempo, a companhia divulgou um aumento de 14,4% nos investimentos feitos ao longo do trimestre, que totalizaram R$ 166,7 milhões. Com a inclusão dos tratos culturais, o montante chega a R$ 280,3 milhões, alta de 12,3% no ano.
Dentro desse montante, os aportes em expansão foram de R$ 60,5 milhões, aumento de 37,4%. O valor foi dividido entre ampliações previstas na abertura de capital da companhia (R$ 7,9 mi), expansão do plantio (R$ 8,9 mi) e na fábrica de açúcar da unidade Santa Vitória (R$ 43,8 mi).

A Jalles processou 3,16 milhões de toneladas de cana-de-açúcar no trimestre, 4,7% mais do que no primeiro trimestre da safra anterior (3,019 milhões de toneladas).
A sucroenergética ainda divulgou uma produtividade média de 91 toneladas de cana por hectare, também caracterizando alta de 4,7%. Já a concentração de açúcar total recuperável (ATR) foi de 121,1 kg/t, queda de 3,8% ante o mesmo período da safra anterior.

Por sua vez, a produção de açúcar subiu 4,4% na mesma comparação, de 128,8 mil toneladas para 134,4 mil toneladas. O mix ficou em 63,4% para etanol e 36,6% para o açúcar, ante 64,5% e 35,5%, respectivamente, em igual período de 2023/24.
O açúcar orgânico, especialidade da empresa, representou 21,6 mil toneladas (queda de 28,5%); o branco, 96,9 mil toneladas (+4%), e o VHP, que costuma ser destinado à exportação, 16 mil toneladas (+189%). O etanol produzido somou 144,4 milhões de litros, queda de 0,2% na comparação anual.
A produção do biocombustível anidro cresceu 3,8% no período, para 35 milhões de litros, enquanto a do hidratado caiu 6,8% na Usina Otávio Lage, a 37,7 milhões de litros. A Usina Santa Vitória produziu 71,7 milhões de litros, alta de 1,7%.

A Jalles Machado anunciou ter comercializado 196,1 mil toneladas de ATR, queda anual de 2,4%. O número corresponde a 76,3 mil toneladas de açúcar (-13,8%) e 68,5 milhões de litros de etanol (+7,7%).
A empresa ainda vendeu CBios (165,9 mil créditos), saneantes (186,6 mil caixas), levedura (0,5 mil toneladas) e energia elétrica (104,3 gigawatts-hora).

Leandro Silveira
Com informações adicionais NovaCana