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Jalles Machado sobe em escala da Fitch por conta de caixa fortalecido e investimentos

Agência de classificação de risco aumentou a nota da companhia, que passou de A+ para AA- na escala nacional

NovaCana 10 min de leitura

Um relatório divulgado pela Fitch Ratings afirma que a expectativa de fortalecimento de caixa da Jalles Machado nos próximos três anos deve permitir investimentos para melhoria da eficiência operacional e reforço da capacidade de moagem “ao mesmo tempo em que mantém indicadores de crédito conservadores”.

Por conta disso, a agência de classificação de risco elevou a nota da sucroenergética no rating nacional, de A+ para AA-, mantendo sua perspectiva como estável.

A Fitch acredita que uma forte liquidez – beneficiada pela entrada da Jalles Machado na bolsa de valores, no início do ano passado – e um desempenho operacional consistente poderão apoiar a estratégia de expansão, desde que se mantenha um cenário de preços atrativos. Além disso, o relatório aponta que, mesmo neste contexto de investimentos, a companhia deve conseguir permanecer com uma baixa alavancagem.

O documento também traz que, ainda que a Jalles Machado esteja em um setor volátil, ela tem mantido um forte modelo de negócio “caracterizado por um portfólio de produtos de alto valor agregado, baixo custo de produção e incentivos fiscais”.

Entre as principais premissas para a elevação da classificação da Jalles Machado a Fitch cita: a moagem de 5,3 milhões de toneladas projetada para os próximos anos, a destinação de 48% da sacarose total para a produção de açúcar nas safras 2021/22 e 2022/23 e a produção totalmente baseada em cana-de-açúcar própria.

Além disso, foi mencionado o aumento nos investimentos anuais da companhia, já prevendo projetos de expansão nas usinas Jalles Machado e Otávio Lage. Segundo a Fitch, os dividendos da empresa devem ser equivalentes a 25% do lucro do ano anterior.

Entretanto, a agência destaca que as projeções não consideram a aquisição de uma nova usina, algo que é parte dos planos da companhia.

Na reportagem completa, exclusiva para assinantes, você encontra mais detalhes sobre os fundamentos de rating pela Fitch e suas expectativas para a saúde financeira da Jalles Machado nos próximos anos.

Um relatório divulgado pela Fitch Ratings afirma que a expectativa de fortalecimento de caixa da Jalles Machado nos próximos três anos deve permitir investimentos para melhoria da eficiência operacional e reforço da capacidade de moagem “ao mesmo tempo em que mantém indicadores de crédito conservadores”.

Por conta disso, a agência de classificação de risco elevou a nota da sucroenergética no rating nacional, de A+ para AA-, mantendo sua perspectiva como estável.

A Fitch acredita que uma forte liquidez – beneficiada pela entrada da Jalles Machado na bolsa de valores, no início do ano passado – e um desempenho operacional consistente poderão apoiar a estratégia de expansão, desde que se mantenha um cenário de preços atrativos. Além disso, o relatório aponta que, mesmo neste contexto de investimentos, a companhia deve conseguir permanecer com uma baixa alavancagem.

O documento também traz que, ainda que a Jalles Machado esteja em um setor volátil, ela tem mantido um forte modelo de negócio “caracterizado por um portfólio de produtos de alto valor agregado, baixo custo de produção e incentivos fiscais”.

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Entre as principais premissas para a elevação da classificação da Jalles Machado a Fitch cita: a moagem de 5,3 milhões de toneladas projetada para os próximos anos, a destinação de 48% da sacarose total para a produção de açúcar nas safras 2021/22 e 2022/23 e a produção totalmente baseada em cana-de-açúcar própria.

Além disso, foi mencionado o aumento nos investimentos anuais da companhia, já prevendo projetos de expansão nas usinas Jalles Machado e Otávio Lage. Segundo a Fitch, os dividendos da empresa devem ser equivalentes a 25% do lucro do ano anterior.

Fundamentos do rating

Embora a agência destaque que as projeções não consideram a aquisição de uma nova usina, algo que é parte dos planos da companhia, um dos fundamentos do rating foi o modelo de negócio da sucroenergética, que tende a aumentar sua produção por meio de investimentos brownfield.

Segundo a Fitch, isso deverá fortalecer a geração de caixa pelos próximos três anos. A agência ainda aponta que a capacidade de moagem da empresa aumentará em 1 milhão de toneladas por ano até a safra 2024/25.

Além disso, o relatório destaca a estrutura de baixo custo-caixa da Jalles Machado, que seria capaz de compensar grande parte dos impactos vistos em ciclos de baixa no preço do açúcar e do etanol.

De acordo com a Fitch, as altas margens operacionais do grupo refletem também os incentivos fiscais concedidos pelo estado de Goiás à venda de etanol e açúcar pela companhia. Para completar, os custos das terras arrendadas no estado são mais baixos do que em São Paulo.

A agência também cita o clima mais quente da região e o uso de irrigação, fatores que beneficiam a produção agrícola. Além disso, foi destacado o mix de produtos da Jalles Machado, com açúcar cristal de marca e orgânico, etanol hidratado, saneantes e fermento seco. Segundo o relatório, isso dá uma maior flexibilidade para que a empresa possa alternar a produção entre etanol e açúcar.

Entre os fatores que podem elevar novamente o rating da empresa, o relatório cita: geração de fluxo de caixa livre (FCF, na sigla em inglês) positivo e de forma sustentável; manutenção de forte estrutura de capital; e fortalecimento do modelo de negócio por meio de aumento de escala, diversificação de produtos e manutenção de forte estrutura de capital.

Por outro lado, podem levar ao rebaixamento: a aquisição de uma usina que resulte em deterioração do custo-caixa ou seu desempenho operacional; uma relação entre dívida e Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) acima de 2,5 vezes em uma base contínua; ou qualquer outro sinal de deterioração na flexibilidade financeira da empresa.

Projeções para a Jalles Machado

A Fitch também trouxe estimativas para a saúde financeira da sucroenergética. Em relação ao Ebitda, por exemplo, a agência acredita que a Jalles Machado poderá alcançar R$ 970 milhões e R$ 900 milhões nas temporadas 2022/23 e 2023/24, respectivamente.

Para 2024/25, considerando que um aumento do volume moído deva compensar uma já projetada queda no preço dos produtos, a Fitch acredita que a empresa possa alcançar um Ebitda de R$ 850 milhões.

Em 2021/22, a expectativa é que Ebitda da empresa chegue a R$ 636 milhões, um aumento anual de 52,5%. A agência destaca que, em comparação com suas concorrentes, as unidades da sucroenergética não sofreram tanto com as secas ou queimadas de 2021 devido a investimentos em irrigação e a um manejo adequado.

“A companhia deve reportar rendimentos agrícolas em linha com a média histórica e moagem média estável, em 5,3 milhões de toneladas, nesses anos”, informa a agência de classificação de risco.

Em relação ao fluxo de caixa de operações (CFFO, na sigla em inglês), a Fitch acredita que a companhia deve alcançar R$ 750 milhões em 2022/23 e 2023/24, o que representaria um acréscimo de 20,3% ante os R$ 623 milhões vistos na safra 2021/22.

Para a safra 2023/24, a Fitch projeta uma moagem perto de 5,8 milhões de toneladas, além de esperar investimentos em torno de R$ 712 milhões, assim como dividendos e juros sobre capital próprio de R$ 90 milhões para este e para o próximo ano.

No mesmo recorte de tempo, a agência prevê que o FCF da Jalles vai ser negativo em R$ 35 milhões e R$ 87 milhões, respectivamente. Este resultado deve retornar a patamares positivos somente em 2024/25, “à medida que os volumes moídos crescem”.

Preço de açúcar e etanol

A Fitch também tem boas perspectivas para o setor sucroenergético como um todo: “Os produtores brasileiros devem continuar se beneficiando da alta dos preços internacionais do açúcar e desvalorização do real”.

Para o açúcar, a projeção da agência é que o produto alcance um valor médio de 18,4 centavos de dólar por libra-peso em 2022 e de 16,7 centavos de dólar por libra-peso em 2023, sem incluir o prêmio de polarização para o açúcar brasileiro.

Em setembro do ano passado, a Jalles Machado já havia fixado 33% dos volumes de açúcar branco da safra 2022/23, a R$ 1.932 por tonelada, e do ciclo seguinte, a R$ 2.243/t. A empresa também conta com um início de fixações a R$ 2.455/t para 2024/25.

Para completar, os preços do etanol devem se manter elevados devido a combinação de dois fatores: alta do petróleo e desvalorização do real. A Fitch projeta o barril brent em uma média de US$ 70 em 2022. Seguindo este cenário, o biocombustível produzido pela Jalles Machado deverá ser negociado, em média, a R$ 3,50 por litro em 2021/22 e 2022/23, um valor 55% acima do visto no ciclo 2020/21.

Liquidez e estrutura da dívida

A Fitch prevê que a sucroenergética deve manter sua alavancagem líquida baixa. “O índice dívida-Ebitda deve permanecer abaixo de 0,5 vez nos próximos três anos, com dívida líquida de aproximadamente R$ 300 milhões”, informa a agência.

A expectativa é positiva pois, de acordo com o relatório, a Jalles Machado tem demonstrado adequado acesso a linhas de financiamento, com prazos alongados e sem necessidade de garantias reais.

Em setembro de 2021, a dívida total era de R$ 1,2 bilhão, com 21% do valor em dólares. De acordo com a Fitch, o risco cambial é bem administrado pela Jalles Machado, uma vez que 25% da receita da empresa vem da exportação de açúcar orgânico e que os pagamentos de principal e juros até 2025/26 estão protegidos por uma combinação de ativos e derivativos em dólares.

“Ainda que gargalos logísticos tenham afetado a exportação de açúcar orgânico no ano-safra 2021/22, a Fitch espera que os volumes retornem a patamares históricos na próxima safra”, completa.

De acordo com o relatório, a dívida de R$ 1,2 bilhão da Jalles Machado, é composta por: linhas de capital de giro (39%); mercado de capitais (23%); empréstimos com organismos multilaterais (27%); créditos junto ao Banco de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES); e demais linhas subsidiadas somadas a outras aplicações (11%).

Além disso, há uma dívida de curto prazo inferior a R$ 300 milhões durante o exercício fiscal que será encerrado em 31 de março de 2022. “[Isso] resultará um robusto índice de cobertura caixa/dívida de curto prazo, superior a 4 vezes”, coloca a Fitch.

Segundo o relatório da agência, em setembro do ano passado, a companhia relatou caixa e aplicações financeiras de R$ 1 bilhão e dívidas de curto prazo de R$ 313 milhões, já incluso os derivativos cambiais. A posição de caixa reflete o IPO da empresa, que levantou R$ 550 milhões em fevereiro de 2021, e o FCF positivo dos últimos anos.

A Fitch também considera a capacidade de refinanciamento da Jalles Machado elevada, com permanente acesso a linhas de crédito de longo prazo a custo competitivo nos mercados bancário e de capitais.

Em dezembro de 2021, a companhia emitiu R$ 451 milhões em debêntures. A primeira série, de R$ 310 milhões, vencendo em parcela única no final de 2028 e a segunda, de R$ 141 milhões, em amortizações anuais nos oitavo, nono e décimo anos a partir da emissão.

Giully Regina – NovaCana

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