A segunda oferta de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) do grupo goiano será feita no valor original de R$ 60 milhões, podendo ser elevada em mais R$ 21 milhões
A sucroenergética Jalles Machado está no caminho de captar até R$ 81 milhões, através de uma nova distribuição pública. Sua segunda oferta de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) será feita no valor original de R$ 60 milhões, podendo ser elevada em mais R$ 21 milhões.
Com duas usinas de cana-de-açúcar em Goiás, a Jalles já havia realizado, no ano passado, uma emissão de R$ 41,5 milhões por meio de CRA. Juntas as unidades Matriz e Otávio Lage têm uma capacidade de moagem de 4,3 milhões de toneladas de cana-de-açúcar.
A operação da companhia goiana deixa para trás concorrentes importantes como São Martinho, Tonon, Biosev, Cosan e Tereos. Em uma sequência de seis gráficos, a Jalles Machado mostra como se posiciona à frente de outros grupos do setor sucroenergético em termos de cana própria, capacidade industrial utilizada, exportação de energia por tonelada de cana, produtividade, mecanização e margem Ebitda.
A seguir, os detalhes sobre a captação e também:
- a evolução da produção da Jalles nas últimas cinco safras: moagem, açúcar, etanol e energia elétrica;
- o mix de vendas dos últimos 12 meses;
- quem são os principais clientes do grupo;
- o perfil de dívidas;
- a comparação com cinco concorrentes do setor em seis indicadores.
A sucroenergética Jalles Machado está no caminho de captar até R$ 81 milhões, através de uma nova distribuição pública. Divulgada ontem (10) ao mercado, sua segunda oferta de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) será feita no valor original de R$ 60 milhões, podendo ser elevada em mais R$ 21 milhões.
Se ocorrer, a elevação da oferta original se dará em duas etapas, primeiro com acréscimo em até 20% e, depois, com a opção de distribuição de um lote suplementar que poderá totalizar até 15% do valor sobre o valor original.
Os recursos obtidos com a emissão de CRA serão utilizados para capital de giro, investimento nos canaviais e pagamentos de dívidas de curto prazo, contraídas para o desenvolvimento das atividades da empresa.
Com duas usinas de cana-de-açúcar em Goiás, a Jalles já havia realizado, no ano passado, uma emissão de R$ 41,5 milhões por meio de CRA. Juntas as unidades Matriz e Otávio Lage têm uma capacidade de moagem de 4,3 milhões de toneladas de cana-de-açúcar.
A nova emissão será feita em série única pela securitizadora Gaia Agro, a mesma empresa responsável pela operação anterior da Jalles e também de captações do gênero feitas para outros grupos do setor, como Raízen e a usina mineira Vale do Tijuco, da CMAA.
O procedimento da coleta de intenções de investimento, chamado bookbuilding definirá a demanda pelos títulos e começa no próximo dia 16, indo até 3 de dezembro. A remuneração aos investidores será composta por 100% da taxa DI, acrescida de prêmio, que será definido no processo de bookbuilding, até o limite de 3,5% ao ano.
A atual captação do grupo goiano está prevista para ser finalizada em 23 de dezembro deste ano. O pagamento dos recursos será feito mensalmente ao longo de cinco anos, com vencimento dos certificados em abril de 2020. Os papeis serão lastreados em certificados de Direitos Creditórios do Agronegócio (CDCA), baseados em contratos de fornecimento de etanol com a distribuidora Ipiranga.
O coordenador líder da oferta é o banco Votorantim, que conta ainda com a coordenação da XP Investimento. A assessoria jurídica está a cargo da Mattos Filho, Veiga Filho, Marrey Jr e Quiroga Advogados e a assessoria financeira é da FG/Agro.
Na frente dos concorrentes
A operação da companhia goiana deixa para trás concorrentes importantes como São Martinho, Tonon, Biosev, Cosan e Tereos. Em um conjunto de seis gráficos (clique na imagem para ampliar), a Jalles Machado mostra como se posiciona à frente de outros grupos do setor sucroenergético em termos de cana própria, capacidade industrial utilizada, exportação de energia por tonelada de cana, produtividade, mecanização e margem Ebitda.
Jalles em detalhes
Na safra 2014/15, as duas usinas da Jalles moeram 4,25 milhões de toneladas de cana, volume muito próximo à capacidade nominal, que é de 4,3 milhões. A maior parte da matéria-prima foi destinada para a produção de biocombustível, o que resultou em um mix 66% alcooleiro. No mesmo período, o grupo exportou 183 GWh de energia elétrica, o que representa quase 50 KWh exportado por tonelada de cana produzida.
A companhia possui diversidade em termos de portfólio de produtos, sendo que cerca de 80% de seu faturamento advém do mercado interno. Os principais clientes da Jalles são distribuidoras de combustíveis, como Petrobras e Ipiranga.

No documento a investidores, o grupo aponta ainda um aumento na receita líquida de 21,4% entre março de 2014 e março de 2015, atribuído, principalmente, ao alcance da capacidade plena de moagem nas duas unidades do grupo. A maior quantidade de matéria-prima contribuiu para aumento da produção destinada a itens de maior valor agregado, como açúcar orgânico e o açúcar destinado ao mercado interno de marca própria.

Este aumento de produção refletiu também na geração de caixa da companhia, representado pela variação positiva de 14,7% no Ebitda no período. Com a geração de caixa de R$ 333,7 milhões a companhia conseguiu fazer todos os investimentos necessários em seu canavial e capital de giro.

Em junho de 2015, a companhia possuía R$ 150 milhões em caixa e equivalentes. A dívida bruta estava em R$ 1,067 milhões de reais, composta por R$ 378 milhões no curto prazo e R$ 689 milhões no longo prazo, resultando em uma dívida líquida de R$ 917 milhões.
Prospecto completo
As páginas do prospecto preliminar da nova oferta de CRA da Jalles Machado podem ser acessadas clicando aqui.
Marina Gallucci – NovaCana

