O Itaú BBA rebaixou a recomendação da São Martinho de outperform (desempenho acima da média do mercado, equivalente a compra) para market perform (desempenho em linha com o mercado, equivalente a neutro), com preço-alvo passando de R$ 31 para R$ 21 por ação no fim de 2027.
Segundo o banco, o corte incorpora uma visão mais conservadora para os preços do etanol e do açúcar, que não apresentaram a recuperação esperada após o agravamento das tensões geopolíticas no Oriente Médio.
Às 11h34 (horário de Brasília), as ações da companhia caíam 2,6%, a R$ 16,46.
Na avaliação do Itaú BBA, as ações do setor já precificaram parte do potencial benefício desse cenário, mas a ausência de catalisadores concretos pode pressionar as expectativas de lucro no curto prazo e afetar o sentimento dos investidores.
Do ponto de vista de valuation, o banco destaca que a companhia oferece um rendimento recorrente de fluxo de caixa livre para o acionista (FCFE) de apenas 4% para o ano fiscal de 2027, além do adiamento dos investimentos de expansão (capex), o que posterga uma distribuição mais relevante de recursos aos acionistas.
Outro fator de cautela é a valorização do real, que tende a pressionar as receitas da companhia, além do novo ciclo de investimentos em etanol de milho, que pode pesar sobre a percepção do mercado até que a nova planta entre em plena operação.
Apesar da postura mais cautelosa, o Itaú BBA continua vendo a São Martinho como uma das empresas de maior qualidade do setor sucroenergético, destacando sua estrutura de baixo custo, elevados padrões de governança, políticas de gestão de risco e hedge, além do potencial para capturar uma recuperação do setor quando surgirem sinais mais claros de melhora nos fundamentos.
O relatório lembra que, inicialmente, o conflito no Oriente Médio impulsionou os preços do petróleo e favoreceu as ações do setor sucroenergético, diante da expectativa de maior demanda por biocombustíveis.
No entanto, medidas de subsídio para limitar o preço da gasolina reduziram o potencial de alta do etanol, enquanto a fraqueza dos preços no segundo trimestre de 2026 levou o banco a revisar as perspectivas para os resultados no curto prazo.
No mercado de açúcar, apesar de as cotações estarem próximas do custo de caixa da indústria e do elevado volume de posições vendidas, os preços continuam pressionados pela expectativa de uma safra robusta de cerca de 640 milhões de toneladas no Centro-Sul na temporada 2026/27.
Segundo o Itaú BBA, a reação limitada dos preços, mesmo com alguma recomposição de posições, indica cautela dos investidores.
Felipe Moreira