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Itaú BBA mostra avanço das disparidades entre usinas e responde “o que esperar” de 2015

itau bba 290415Sob o título “Brasil 2015, o que esperar?”, o executivo do Itaú BBA dá mostras de como o declínio da economia, a crise hídrica, as perdas da Petrobras e a lacuna no suprimento de combustíveis acabaram por ampliar a relevância do setor no atual contexto brasileiro

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Com a expectativa de um cenário de crescimento negativo (-1,5%) e inflação chegando a 8,5% este ano, o banco de investimentos Itaú BBA prevê o aumento da importância do setor sucroenergético. A previsão, que não chega a ser otimista, aponta o efeito paradoxal de anos de políticas ineficientes para as usinas brasileiras que agora, com os revezes do cenário macroeconômico, tem mais oportunidades de ocupar o protagonismo reclamado há muitas safras.

“Tudo indica que a dependência brasileira do etanol irá aumentar, o que aponta para a necessidade urgente de investimento em aumento de capacidade de produção”, destaca a análise do diretor de agronegócios do Itaú BBA, Alexandre Figliolino.

Sob o título “Brasil 2015, o que esperar?”, o estudo dá mostras de como o declínio da economia, a crise hídrica, as perdas da Petrobras e a lacuna no suprimento de combustíveis acabaram por ampliar a relevância do setor no atual contexto brasileiro.

E mais:

- Gráficos e tabelas com a situação das empresas que compõe a carteira do Itaú BBA

- O quadrante do setor atualizado

- Rentabilidade do açúcar e do etanol

- Políticas públicas

- As opiniões do banco

Com a expectativa de um cenário de crescimento negativo (-1,5%) e inflação chegando a 8,5% este ano, o banco de investimentos Itaú BBA prevê o aumento da importância do setor sucroenergético. A previsão, que não chega a ser otimista, aponta o efeito paradoxal de anos de políticas ineficientes para as usinas brasileiras que agora, com os revezes do cenário macroeconômico, tem mais oportunidades de ocupar o protagonismo reclamado há muitas safras.

“Tudo indica que a dependência brasileira do etanol irá aumentar, o que aponta para a necessidade urgente de investimento em aumento de capacidade de produção”, destaca a análise do diretor de agronegócios do Itaú BBA, Alexandre Figliolino, que apresentou uma análise atualizada sobre os números mais recentes do setor sucroenergético durante evento da consultoria Canaplan, em Ribeirão Preto (SP).

Sob o título “Brasil 2015, o que esperar?”, o estudo realizado anualmente por Figliolino dá mostras de como o declínio da economia, a crise hídrica, as perdas da Petrobras e a lacuna no suprimento de combustíveis acabaram por ampliar a relevância do setor no atual contexto brasileiro.

No entanto, a carência nacional de fontes energéticas competitivas e realizáveis no curto prazo não é motivo para que o investidor volte a aplicar dinheiro em um negócio que têm funcionado à despeito da lógica de mercado e causado prejuízos subsequentes. Por isso, o banco alerta, a ampliação do parque produtivo “só ocorrerá se os retornos voltarem a ser compatíveis com o risco da atividade e se as regras de longo prazo forem claras”.

Na última safra, o Itaú BBA viu a dívida de sua clientela do setor sucroenergético aumentar 12%, para R$ 50,5 bilhões, enquanto a receita líquida apresentou crescimento de apenas 3%, passando para 53,5 bilhões.

Os 65 grupos sucroenergéticos que compõe a carteira do banco de investimento, respondem por 72% da moagem de cana da região centro-sul e a estimativa é que tenham processado 429 milhões de toneladas na safra 2014/15, repetindo a moagem do ciclo anterior.

Para a safra, 2015/16, que iniciou este mês, apesar das dificuldades, o etanol e a bioeletricidade são as apostas mais prováveis para uma retomada de fôlego no setor.

Embora o banco projete elevadas taxas de câmbio para o futuro próximo – R$ 3,10 por dólar ao final de 2015 e, em 2016, subindo a R$ 3,40 – o que eleva a remuneração em reais para a venda de açúcar, a análise alerta para esta dependência, uma vez que os preços internacionais ainda permanecem pressionados.

“Em função da ainda elevada produção em importantes países produtores uma recuperação mais robusta dos preços internacionais do açúcar deve demorar, deixando a rentabilidade do produtor brasileiro bastante dependente da taxa de câmbio”.

A favor do renovável pesam o retorno da cobrança da Cide, o aumento da mistura do anidro na gasolina para 27% e a redução do ICMS do etanol em Minas Gerais, medidas que estão provocando um forte incremento na demanda por etanol o que deverá acarretar a melhora dos preços médios. No entanto, apenas estas medidas não serão suficientes para reverter a estagnação atual e a tendência de encolhimento do setor.

“Não haverá retorno de investimento sem políticas públicas que definam o papel do etanol na matriz de combustíveis líquidos e um maior reconhecimento de suas externalidades positivas via tributação do combustível fóssil. Também são necessários mecanismos de longo prazo com regras claras na definição de preços da gasolina”, argumenta o banco.

Safra 2014/15: aumenta abismo entre grupos

No ano passado, o executivo do Itaú BBA mostrava as disparidades existentes entre as empresas do setor. Agora, no quesito geração de caixa em relação à dívida líquida as companhias estão cada vez mais distantes uma das outras.

A safra 2014/15 acentuou um pouco mais as diferenças como é possível observar pelo gráfico que divide as 65 companhias em quatro quadrantes e mostra a dispersão das sucroalcooleiras em relação à temporada anterior, com mais empresas se afastamento do ponto central entre os eixos.

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O agravamento da dívida e o aumento modesto das receitas, veio acompanhado de um esforço ferrenho para redução de despesas, que resultou em um crescimento do custo caixa de apenas 1%, bem abaixo da inflação.

O custo caixa – que engloba tratos culturais, CCT, cana de terceiros, arrendamento, despesas gerais, administrativas e comerciais, operação e manutenção industrial e renovação de canavial – foi de R$ 43,9 bilhões, considerados os 65 grupos. Na média, o custo caixa por tonelada aumentou de R$ 101 para R$ 102.

As dificuldades financeiras afetaram o nível de investimentos do setor que caiu 15%, de R$ 12,2 bilhões para R$ 10,4 bilhões. O capex médio foi reduzido a R$ 24/ton, queda de 15% em relação ao investido no ciclo anterior e de 37,5% quando comparado aos R$ 33/ton aplicados em 2012/13.

A austeridade levou a uma melhora do fluxo de caixa livre (FCL) após investimentos e pagamentos de juros. Com a disciplina nos custos e redução do capex de expansão, as usinas conseguiram aliviar em 68% o FCL, apesar do indicador ainda estar negativo em R$ 1,3 bilhão.

O resultado operacional, medido pelo Ebitda (sigla inglesa para lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), melhorou 6,9%, para R$ 13,7 bilhões.

No entanto as médias, não refletem as profundas assimetrias do setor, que podem ser visualizadas no gráfico abaixo, ainda com o desempenho da safra 2013/14.

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Açúcar rentável para 39 grupos

A análise do Itaú BBA indica que a venda de açúcar é um bom negócio apenas para 39 dos 654 grupos que compõe a amostra e revela que a disparidade entre os custos de produção das 64 empresas pode chegar a até R$ 500 por tonelada (R$/ton) do adoçante.

O estudo separa as usinas por cinco faixas de custo, enquanto as 13 companhias mais eficientes conseguem produzir a commodity por até R$ 750/ton, as quatro mais ineficientes precisam desembolsar R$ 1.250/ton.

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Considerado o preço FOB Santos do açúcar no mercado futuro (em contratos para maio, junho e outubro de 2015), a venda da commodity só é rentável para as empresas com custo, no máximo, pouco superior a R$ 900/ton.

Etanol oferece margens mais apertadas

Na fabricação de etanol, o mesmo número de empresas consegue obter alguma margem, no entanto, mais estreita que no caso do açúcar. Considerada a projeção de preço médio de R$ 1,32 por litro para o etanol hidratado na safra, dos 39 grupos com rentabilidade, 26 devem obter apenas uma margem bastante apertada, praticamente apenas cobrindo os custos.

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O desequilíbrio entre os players chega a R$ 0,80 por litro de etanol hidratado. Os quatro grupos em situação mais delicada gastam R$ 1,90/litro para produzir, já as 13 companhias melhor posicionadas têm um custo de aproximadamente R$ 1,10/litro.

Efeitos possíveis da lacuna no abastecimento e das perdas da Petrobras

Considerando a nova perspectiva do Ministério de Minas e Energia (MME), que assumiu um défice crescente na oferta interna de combustíveis para a próxima década, o banco aponta a possibilidade de um cenário mais favorável.

A análise que considera, para o período até 2019, o aumento progressivo do preço internacional do petróleo e também da taxa de câmbio, resultando em um acentuado aumento do custo da gasolina importada no Brasil.

A convergência do preços local ao do mercado internacional, “poderia trazer alento ao setor”, afirma o banco. Além disso, amenizaria a situação deficitária da unidade de abastecimento da Petrobras.

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Considerando esse cenário, o banco projeta que em 2019, a gasolina A seria vendida nas refinarias do país ao preço de R$ 2,49 por litro, aumento de 71% em relação valor de R$ 1,45/litro, verificado em 22 de abril.

Essa elevação do valor da gasolina, daria espaço para o preço do etanol hidratado crescer em média 11% ao ano, elevando em um real o valor do renovável pago ao produtor, de R$ 1,26/litro, em 2015, para R$ 2,16/litro, em 2019.

Solução sucroenergética em tempos de crise hídrica

Outro ponto da análise de Figliolino, recai sobre o setor elétrico. Apesar das chuvas registradas nos primeiros meses de 2015 terem aumentado o nível dos reservatórios das hidrelétricas e, com isso, reduzido o risco de racionamento, o estudo sinaliza que a situação não elimina a necessidade de medidas adicionais e apenas posterga os riscos para 2016.

Ao mesmo tempo, a oferta de bioeletricidade de bagaço de cana tem crescido muito abaixo do potencial que, segundo a análise, é 5.570 MW médios. Em 2014, o fornecimento do setor de cana para a rede elétrica nacional correspondeu a menos da metade desse potencial, apenas 2.115 MW médios.

Contudo, “finalmente há sinais de melhora” em função do aumento do preço teto dos leilões de energia, já que o mercado regulado é o responsável por viabilizar investimentos novos em cogeração.

O leilão de fontes alternativas realizado na segunda-feira (27), contratou oito projetos de cogeração já existentes ao preço médio de R$ 210 por megawatt-hora, deságio de 2,3% em relação ao teto de R$ 215/MWh. O próximo certame A-5, para contratação de energia nova, será realizado dia 30, com preço-teto de R$ 281/MWh.

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Para Figliolino, os investimentos em cogeração poderão se acelerar se forem realizados leilões de energia por região e por fonte, com preços-teto ainda mais altos. Além da importância para o suprimento elétrico do país, a bioeletricidade favorece as próprias usinas. “O aumento da cogeração no setor é decisivo para a elevação da competitividade do etanol dado a sinergia existente entre eles”, diz a análise.

Políticas públicas

O executivo avalia que faltam políticas públicas para o etanol e aponta quadro medidas necessárias para a volta de investimentos. As primeiras são definir o papel do etanol hidratado na matriz de combustíveis líquidos no Brasil e estabelecer regras claras para o reajuste de preços dos combustíveis no longo prazo.

A terceira sugestão é possibilitar o aumento da mistura do anidro na gasolina para até 30% e, por último, definir uma fórmula que quantifique a Cide “a partir de um valor atribuído às externalidades positivas do biocombustível, principalmente com relação à economia de emissão de carbono”.

Com a melhora das condições de médio e longo prazo, acredita que investidores estrangeiros podem adentrar ao setor fazendo parcerias com grupos já estabelecidos.

A última constatação da análise, aponta para a inovação. “Sem dúvida, a tecnologia dará uma enorme contribuição para o etanol recuperar a sua competitividade em relação à gasolina”, prevê Figliolino.

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