O cenário para o milho de segunda safra no Brasil ficou “mais preocupante”, diante do atraso na safra de soja, plantada antes do cereal. A avaliação é do gerente da consultoria agro do Itaú BBA, Cesar Alves.
Em apresentação realizada nesta terça-feira, 5, ele disse que só será possível “calibrar” o impacto do atraso da soja para o milho no Centro-Oeste em fevereiro, quando terminar a colheita da soja.
Alves lembrou que já havia “desejo de reduzir a área plantada” de milho, devido à margem menor em meio à queda dos preços.
Agora, com o aumento do risco climático para o milho, pelo atraso do plantio da soja, crescem as dúvidas para os produtores sobre o plantio do cereal. “É possível que o ímpeto de reduzir área aumente”, afirma.
O Itaú BBA está assumindo o cenário da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para o milho, que aponta que o Brasil poderia produzir 119,1 milhões de toneladas em 2023/24, versus 131,8 milhões na temporada passada.
Dessa forma, a exportação cairia para 38 milhões de toneladas no próximo ano, versus 52 milhões de toneladas em 2023, quando o Brasil assumiu o posto de maior exportador global de milho. Em 2024, o país voltaria a ficar atrás dos EUA, considerando a menor expectativa de produção.
Roberto Samora