“A disparidade entre as empresas [sucroenergéticas] sempre foi grande e agora se tornou abissal.” O Itaú BBA apresenta o quadro financeiro médio do setor, a partir dos resultados de 55 empresas sucroenergéticas. O recorte abrange companhias que são responsáveis por 65% de toda a moagem do setor, com cerca de 404 milhões de toneladas moídas na última safra.
O Itaú BBA, banco privado que detém a maior carteira de clientes do setor sucroenergético, mostrou que a safra 2015/16 permitiu que muitas empresas sucroalcooleiras incrementassem seus resultados operacionais, além de melhorar os indicadores de endividamento e financeiros.
Por outro lado, o pequeno grupo de elite se distanciou ainda mais daquelas empresas que enfrentam dificuldades. Este último grupo, segundo a instituição financeira, continuou a apresentar resultados operacionais negativos e a ver as dívidas e a pressão das despesas financeiras sobre seus caixas aumentarem.
É dentro desse contexto, que o Itaú BBA apresenta o quadro financeiro médio do setor, a partir dos resultados de 55 empresas sucroenergéticas. O recorte abrange companhias que são responsáveis por 65% de toda a moagem do setor, com cerca de 404 milhões de toneladas moídas na última safra.
Além das características financeiras dos principais grupos sucroalcooleiros do Centro-Sul, o banco destaca a crescente desigualdade entre os resultados das melhores e piores companhias do segmento que fazem parte de sua carteira de clientes.
“A disparidade entre as empresas sempre foi grande e agora se tornou abissal”, destaca documento do Itaú BBA.
Veja também:
- Geração de caixa nas últimas safras e projeção para 2016/17
- Evolução do endividamento e perspectiva para atual temporada
- Geração de caixa detalhada
- Média dos resultados financeiros obtidos por 55 companhias
- Comparação dos indicadores das 5 melhores e 5 piores usinas clientes do Itaú
O Itaú BBA, banco privado que detém a maior carteira de clientes do setor sucroenergético, mostrou que a safra 2015/16 permitiu que muitas empresas sucroalcooleiras incrementassem seus resultados operacionais, além de melhorar os indicadores de endividamento e financeiros.
Por outro lado, o pequeno grupo de elite se distanciou ainda mais daquelas empresas que enfrentam dificuldades. Este último grupo, segundo a instituição financeira, continuou a apresentar resultados operacionais negativos e a ver as dívidas e a pressão das despesas financeiras sobre seus caixas aumentarem.
É dentro desse contexto que o Itaú BBA apresenta o quadro financeiro médio do setor, a partir dos resultados de 55 empresas sucroenergéticas. O recorte abrange companhias responsáveis por 65% de toda a moagem do setor, com cerca de 404 milhões de toneladas moídas na última safra. O banco não considerou grupos que estão em recuperação judicial ou que buscam reestruturar suas dívidas.
Além das características financeiras dos principais grupos sucroalcooleiros do Centro-Sul, o banco destaca a crescente desigualdade entre os resultados das cinco melhores e das cinco piores companhias do segmento que fazem parte de sua carteira de clientes. “A disparidade entre as empresas sempre foi grande e se tornou abissal”, destaca documento do Itaú.
Cenário médio melhora
No cenário médio, que abrange todos os clientes do Itaú BBA, o banco destaca a perspectiva de evolução de geração de caixa nesta temporada.
O documento assinala que ainda na safra 2015/16 já houve significativa melhora do fluxo de caixa livre (FCL) após investimentos e pagamentos de juros. As usinas conseguiram aliviar o FCL, e o indicador foi positivo após duas safras no vermelho.
No entanto, a melhora não foi suficiente para melhorar o nível de investimentos, que ainda estão deprimidos. O Capex médio das companhias, influenciado especialmente pela contração no capex de expansão, retrocedeu cerca de 22% passando de R$ 10,7 bilhões na safra 2014/2015 para R$ 8,3 bilhões na última safra.

O crescimento do caixa deve ser maior em 2016/17 em relação a temporada anterior do que o percebido na virada da safra 2014/15 para safra seguinte, considerando a perspectiva dada por alguns indicadores.
O Ebitda (Lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização, em português) deve crescer 52,8% na atual safra, 2016/17. O indicador demonstra quanto, em média, as usinas devem gerar de recursos em suas atividades operacionais, sem levar em consideração os efeitos financeiros e impostos.
A previsão é que o indicador feche essa temporada em R$ 55 por tonelada de cana, frente aos R$ 36 por tonelada de cana na safra 2015/16.

Para o Ebit, que considera os efeitos contábeis, a previsão é de um crescimento de 35,7%. Passando de R$ 28 por tonelada de cana, para R$ 38 de toneladas de cana.
O faturamento por tonelada de cana também deve apresentar bons resultados na média do setor, passando de R$ 136 por tonelada de cana para R$ 158 por tonelada.
Já em relação ao endividamento do setor, o Itaú BBA analisa que a dívida das empresas começa a entrar numa trajetória de redução. No entanto, sai de um “patamar alto”.

A previsão do banco é de estabilidade na dívida por tonelada de cana e nas despesas financeiras por tonelada de cana. A melhora no cenário aparece no indicador de dívida líquida pelo Ebitda que sai de 3,5 para 2,5. Este indicador mede a alavancagem financeira de uma companhia e mostra que as usinas provavelmente devem encerrar a atual safra em um cenário onde seja necessário gerar menos dinheiro para pagar suas dívidas.
O perfil financeiro das usinas podem ser visualizadas no gráfico abaixo, com o desempenho da safra 2015/16.

Diferença abissal
Para analisar as disparidades entre os resultados das cinco melhores e das cinco piores companhias do segmento que fazem parte de sua carteira, o Itaú BBA analisou os grupos de empresas por três indicadores: Ebit, Despesas Financeiras e Dívida Líquida. O NovaCana comparou os resultados de cada um dos grupos, com a média do setor.

A disparidade entre os desempenhos operacionais dos grupos fica ainda mais evidenciada na safra 2015/16.
Quando analisado o lucro antes dos juros e tributos (Ebit), o abismo entre os primeiros e os últimos colocados da amostra chega a R$ 54,5 por tonelada de cana de diferença entre os resultados.
Segundo o estudo do Itaú, o Ebit das cinco melhores companhia foi, em média, de R$ 49,7 por tonelada de cana moída, enquanto as cinco piores tiveram resultado negativo médio de R$ 4,8.

Além disso, as empresas com os cinco piores resultados entre os clientes do Itaú BBA apresentaram na última safra um endividamento médio de R$ 328 por tonelada de cana processada. O número é 16,4 vezes maior do que a média das cinco melhores, que ficou em R$ 20 por tonelada de cana processada.

O número evidencia o distanciamento entre as empresas de melhor e pior resultado, já que na temporada 2014/15 as cinco piores empresas registraram endividamento médio 11,4 vezes superior ao das cinco melhores do recorte.

Em relação ao indicador da despesa financeira média das cinco piores usinas, esse grupo tem custos quase 18 vezes maiores do que as melhores companhias. O indicador chegou a R$ 41,30 por tonelada de cana moída em 2015/16, ante os R$ 2,10 médios (por tonelada de cana) das cinco melhores.
Por Marina Gallucci – NovaCana