A técnica de irrigação subterrânea, conhecida como gotejamento enterrado, começou a ser utilizada em plantações de cana-de-açúcar e café no norte do Espírito Santo. A prática tem dado bons resultados para produtores, que estão colhendo mais frutos e, ao mesmo tempo, economizam água na propriedade.
Esse tipo de sistema está presente há mais de 20 anos em lavouras brasileiras, mas está sendo testado apenas agora em lavouras de Linhares e Jaguaré. Chamado de Sistema de Gotejo Enterrado (SDI), ele funciona em diversas plantações, como fruticultura, hortaliças, grãos e culturas perenes.
Nesta prática, mangueiras são colocadas dentro do solo, respeitando a profundidade da cultura utilizada. Com isso, a água e o fertilizante são aplicados diretamente na raiz das plantas, minimizando o crescimento de ervas daninhas e aumenta produtividade das culturas.
De acordo com os especialistas, o gotejo subterrâneo é uma boa opção para regiões de clima tropical e em cultivos de alto valor agregado. Em Jaguaré, o gotejamento subterrâneo foi implantado no cultivo de café. Já em Linhares, em lavouras de cana-de-açúcar.
O produtor rural Ataydes Armani conta que começou a implantar a prática há um ano em uma área de 23 hectares de café conilon. As mangueiras utilizadas na produção dele ficam a 15 centímetros dentro do solo.
“A mangueira enterrada dá várias condições melhores para o trabalho no dia a dia. Na hora da capina, da colheita, você tem um custo bem menor de mão de obra e da durabilidade do equipamento. Ao longo desse um ano, tem demonstrado que funciona maravilhosamente bem, como se a mangueira estivesse do lado de fora da terra”, comenta.
O doutor em agronomia Ailton Dias explica que a técnica, além de fortalecer a planta, ajuda na economia de água. “Conseguimos reduzir a demanda de água e aplicar mais regularmente água e nutrição porque, estando enterrado o equipamento, os tubos gotejadores ficam protegidos de uma série de avarias que se observa no sistema convencional, como animais que entram na lavoura buscando água e perfuram o tubo, ou ferramentas que podem cortar o tubo”, destaca.
Já na plantação de cana-de-açúcar de uma agroindústria, o sistema foi implementado em 2023 e funciona em 250 hectares. Neste caso, diferente do café, a irrigação precisa ser instalada antes da plantação ser feita.
O superintendente executivo da plantação, Rafael Soares Raso, disse que o modelo melhorou a aparência das plantas e fez com que elas crescessem mais do que o normal. “Nós já implementamos uma parte e vamos continuar implementando nos próximos anos devido aos resultados que nós já tivemos com a primeira etapa”, afirma.
Ele ainda relata: “Nós captamos a água, purificamos, adicionamos fertilizantes e, com isso, conseguimos mandar para todo o canavial de forma uniforme a mesma quantidade de água e insumos. A gente tem uma produtividade de três a quatro vezes maior do que seria o processo natural de plantio e adubação. Além disso, tem a vantagem de ter um canavial totalmente uniforme”.
Com o sucesso da prática nas duas lavouras, os produtores planejam ampliar a área de irrigação ainda este ano. “Está dando resultado. Vou aumentar para 46 hectares e já estou começando a preparar a terra para um novo plantio de 55 hectares. A probabilidade é fazer o projeto com aterramento da mangueira”, conta o produtor rural Ataydes.
O superintendente executivo completa: “Colhemos a primeira safra no ano passado. A produtividade média daquele canavial era de 40 toneladas por hectare. Agora, mesmo colhendo um pouco antes do tempo, por outras razões, a gente conseguiu um crescimento para 120 toneladas por hectare. Nossa expectativa para esse ano é ter uma média de, pelo menos, 140 toneladas por hectare”.
Isaac Ribeiro