Especialistas do setor financeiro observam os riscos para novos empreendimentos, considerando um cenário que vai além da oferta e demanda pelo biocombustível
Embora os investimentos em novas usinas de cana-de-açúcar sejam raros há alguns anos, o setor de etanol registrou um aumento de capacidade recente graças às destilarias que utilizam o milho como matéria-prima. No acumulado da safra 2024/25 até 16 de outubro, a produção com o grão atingiu 4,13 bilhões de litros, alta de 27,4% na comparação anual. Em toda a temporada 2023/24, por sua vez, a elevação foi de 41,4% ante 2022/23, para 6,26 bilhões de litros.
Além disso, novos empreendimentos seguem sendo anunciados. Conforme levantamento publicado pelo NovaCana em setembro, 12 unidades de etanol de milho em construção e quatro em ampliação estavam sob acompanhamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Projetos ainda em seus estágios iniciais, entretanto, não precisam de aval de reguladora.
O líder do setor de agro, alimentos e bebidas na área de pesquisa da XP Investimentos, Leonardo Alencar, comentou esse quadro durante a 24ª edição da Conferência Internacional Datagro sobre Açúcar e Etanol. “Tem muitos projetos de etanol de milho no Centro-Oeste, principalmente, e agora estão aparecendo também projetos no Norte. Arrisco dizer que alguns deles, se não muitos, talvez não saiam do papel”, afirmou.
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