Produção de etanol continuou se desenvolvendo ao redor do mundo, mas investimentos tiveram forte quedaUm estudo publicado recentemente na Europa traçou um panorama das energias renováveis em todo o mundo entre os anos de 2012 e 2013.
O portal NovaCana analisou o documento de 215 páginas e traz um resumo do trabalho em relação ao etanol, incluindo dados sobre as políticas de incentivo, investimentos, produção e o consumo no planeta nos últimos dois anos.
Um estudo divulgado recentemente pela Rede de Política Energética para o Século 21 (Ren21, na sigla em inglês) traçou um panorama das energias renováveis em todo o mundo entre os anos de 2012 e 2013.
O estudo possui 215 páginas e pode ser acessado aqui. A seguir o portal NovaCana fez um resumo das constatações apresentadas envolvendo o mercado mundial de etanol.
Para o presidente da REN21, Arthouros Zervos, as fontes de energia renovável conseguiram entrar de vez na agenda mundial. Embora os combustíveis fósseis ainda representem 78,4% da demanda global, a procura por fontes mais limpas em 2012 chegou a 19%, diz a entidade no relatório "Renewables 2014: global status report".

Produção e consumo
Em 2013, a produção mundial de etanol foi de 87,2 bilhões de litros, alta de 5,5% em relação aos 82,6 bilhões registrados em 2012. Na comparação com 2004, a diferença é de 205%, ante os 28,5 bilhões de litros fabricados (veja tabela ao lado).
Na comparação por regiões, a América do Norte foi a que mais produziu etanol, seguida pela América Latina. Já a Europa foi o maior mercado consumidor de biodiesel.
"Na Ásia, a produção de etanol e biodiesel continuou a crescer rapidamente. A Tailândia, por exemplo, continuou sua rápida expansão na produção de biocombustíveis (tanto etanol quanto biodiesel), que subiu cerca de 30% em 2013 (após uma alta de 28% em 2012)", disse o relatório.
O documento também destaca que, juntos, Brasil e Estados Unidos foram responsáveis por 87% da produção global de etanol.
Assim, os Estados Unidos mantiveram o posto de maior produtor do combustível, seguido pelo Brasil, China, Canadá, França e Tailândia (veja gráfico abaixo).
A Argentina dobrou sua produção para quase meio bilhão de litros, após inaugurar uma planta de etanol de milho. A expansão do etanol no país vizinho foi estimulada pela mistura de 5% do biocombustível na gasolina.
A produção de etanol nos Estados Unidos atingiu 50 bilhões de litros em 2013, número similar ao registrado no ano anterior. A estimativa da Ren21 é que, naquele país, o biocombustível tenha substituído ao menos 10% da demanda por gasolina do setor de transportes em 2013. Além disso, foram exportados 2,4 bilhões de litros para países como Canadá (54%) e Filipinas (9%). "Os Emirados Árabes Unidos, Brasil, México e Peru também foram os principais mercados para o etanol americano", lembrou o relatório.
Em linha com os dados divulgados no Brasil, a Ren21 citou que o Brasil aumentou a produção de etanol em 18% para 25,5 bilhões de litros.

Investimentos
Já os investimentos globais em biocombustíveis (etanol e biodiesel) despencaram 83,2% em 2013 para U$4,9 bilhões, ante o pico de U$29,3 bilhões em 2007. Os números explicam a baixa participação de ambos renováveis na demanda de combustíveis do segmento de transportes.
"Mesmo com o aumento na produção e no consumo, os biocombustíveis líquidos foram responsáveis por apenas 2,3% da demanda total dos combustíveis [utilizados no] transporte. Ainda assim novas plantas foram inauguradas em 2013, e a indústria de aviação continua demostrando interesse no desenvolvimento de combustíveis avançados", analisa.
Usinas em operação nos EUA e no Brasil
O documento também apresentou dados sobre as usinas que entraram em operação nos dois principais mercados produtores.
Em 2013, os Estados Unidos contou com 210 usinas de etanol em 28 estados, com uma capacidade instalada de mais de 56 bilhões de litros. Destas, 192 entraram em operação, representando uma capacidade total de produção de 53 bilhões de litros.
No início de 2014, sete usinas estavam em construção ou expansão, segundo o documento.

Mesmo com uma forte barreira anti-subsídio ao etanol americano, os produtores tiveram um bom rendimento em 2013, graças a preços menores do milho, principal matéria-prima do biocombustível norte-americano. Em 2012, porém, o cenário foi um pouco diferente. Os preços da commodity estavam mais altos em função de uma seca que atingiu o país.
No início deste ano, a preocupação dos produtores americanos era a redução do mandato de etanol e a possível eliminação de incentivos aos combustíveis avançados.
No Brasil, o preço do etanol pago aos produtores subiu 15% de janeiro a dezembro de 2013, diz o relatório. O que motivou o crescimento foram os preços mais altos para a gasolina, bem como variações sazonais nos canaviais e no preço do açúcar. No mesmo ano, o país tinha 367 usinas registradas em operação.
Sem precisar o ano e a metodologia usada, o documento estima que o custo de produção do etanol no Brasil se posiciona entre 82 e 93 centavos de dólar por litro. Nos Estados Unidos, o custo varia de 85 a 128 centavos.
Fósseis têm subsídios altos
A exemplo do ocorre no Brasil com a gasolina, os combustíveis de origem fóssil também recebem subsídios em outras partes do globo. "O setor de energia renovável enfrenta muitos desafios. Subsídios gigantescos aos combustíveis fósseis e à energia nuclear persistem, e continuam a ser maiores que os incentivos fiscais aos renováveis", diz o estudo.
Segundo o relatório, dependendo do método de cálculo adotado, o custo destes incentivos pode variar de U$544 bilhões à U$1,9 trilhões.
Políticas de incentivo e mandatos de etanol
Boa parte das políticas de incentivo ao uso de fontes renováveis concentra-se na produção e no uso de biocombustíveis.
Até o início deste ano, 33 países haviam adotado medidas para aumentar a mistura de etanol na gasolina. Destes, 31 eram nacionais e 26 locais.

E a tendência é que a adição de etanol na gasolina continue crescendo nos próximos anos. Em 2013, Ucrânia e Índia aumentaram a mistura para 5 e 10%, respectivamente, enquanto o governo filipino implementou a mistura de 10%, que estava atrasada desde 2011.
Na África, o Zimbábue aumentou o mandato de etanol duas vezes. Na primeira, a mistura subiu de 5% para 10% e agora está em 15%. A meta do país é chegar a 20% ainda neste ano, diz o documento da Ren21.
Na contramão do mundo, os Estados Unidos reduziram pela primeira vez o mandato que determina o uso de etanol de milho, de 54 bilhões de litros para 49 bilhões, enquanto o estado da Flórida revogou uma lei que instituía a adição de 10% do etanol na gasolina.
Empregos
Em relação à geração de empregos, o setor de biocombustíveis foi o que mais empregou depois da energia solar. Em 2012 no Brasil os empregos relacionados a cana-de-açúcar alcançaram 331 mil e o de processamento de etanol 208 mil.

Leonardo Siqueira – NovaCana
O portal NovaCana analisou o documento de 215 páginas e traz um resumo do trabalho em relação ao etanol, incluindo dados sobre as políticas de incentivo, investimentos, produção e o consumo no planeta nos últimos dois anos.
Um estudo divulgado recentemente pela Rede de Política Energética para o Século 21 (Ren21, na sigla em inglês) traçou um panorama das energias renováveis em todo o mundo entre os anos de 2012 e 2013.
O estudo possui 215 páginas e pode ser acessado aqui. A seguir o portal NovaCana fez um resumo das constatações apresentadas envolvendo o mercado mundial de etanol.
Para o presidente da REN21, Arthouros Zervos, as fontes de energia renovável conseguiram entrar de vez na agenda mundial. Embora os combustíveis fósseis ainda representem 78,4% da demanda global, a procura por fontes mais limpas em 2012 chegou a 19%, diz a entidade no relatório "Renewables 2014: global status report".

Produção e consumo
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Na comparação por regiões, a América do Norte foi a que mais produziu etanol, seguida pela América Latina. Já a Europa foi o maior mercado consumidor de biodiesel.
"Na Ásia, a produção de etanol e biodiesel continuou a crescer rapidamente. A Tailândia, por exemplo, continuou sua rápida expansão na produção de biocombustíveis (tanto etanol quanto biodiesel), que subiu cerca de 30% em 2013 (após uma alta de 28% em 2012)", disse o relatório.
O documento também destaca que, juntos, Brasil e Estados Unidos foram responsáveis por 87% da produção global de etanol.
Assim, os Estados Unidos mantiveram o posto de maior produtor do combustível, seguido pelo Brasil, China, Canadá, França e Tailândia (veja gráfico abaixo).
A Argentina dobrou sua produção para quase meio bilhão de litros, após inaugurar uma planta de etanol de milho. A expansão do etanol no país vizinho foi estimulada pela mistura de 5% do biocombustível na gasolina.
A produção de etanol nos Estados Unidos atingiu 50 bilhões de litros em 2013, número similar ao registrado no ano anterior. A estimativa da Ren21 é que, naquele país, o biocombustível tenha substituído ao menos 10% da demanda por gasolina do setor de transportes em 2013. Além disso, foram exportados 2,4 bilhões de litros para países como Canadá (54%) e Filipinas (9%). "Os Emirados Árabes Unidos, Brasil, México e Peru também foram os principais mercados para o etanol americano", lembrou o relatório.
Em linha com os dados divulgados no Brasil, a Ren21 citou que o Brasil aumentou a produção de etanol em 18% para 25,5 bilhões de litros.

Investimentos
Já os investimentos globais em biocombustíveis (etanol e biodiesel) despencaram 83,2% em 2013 para U$4,9 bilhões, ante o pico de U$29,3 bilhões em 2007. Os números explicam a baixa participação de ambos renováveis na demanda de combustíveis do segmento de transportes.
"Mesmo com o aumento na produção e no consumo, os biocombustíveis líquidos foram responsáveis por apenas 2,3% da demanda total dos combustíveis [utilizados no] transporte. Ainda assim novas plantas foram inauguradas em 2013, e a indústria de aviação continua demostrando interesse no desenvolvimento de combustíveis avançados", analisa.
Usinas em operação nos EUA e no Brasil
O documento também apresentou dados sobre as usinas que entraram em operação nos dois principais mercados produtores.
Em 2013, os Estados Unidos contou com 210 usinas de etanol em 28 estados, com uma capacidade instalada de mais de 56 bilhões de litros. Destas, 192 entraram em operação, representando uma capacidade total de produção de 53 bilhões de litros.
No início de 2014, sete usinas estavam em construção ou expansão, segundo o documento.

Mesmo com uma forte barreira anti-subsídio ao etanol americano, os produtores tiveram um bom rendimento em 2013, graças a preços menores do milho, principal matéria-prima do biocombustível norte-americano. Em 2012, porém, o cenário foi um pouco diferente. Os preços da commodity estavam mais altos em função de uma seca que atingiu o país.
No início deste ano, a preocupação dos produtores americanos era a redução do mandato de etanol e a possível eliminação de incentivos aos combustíveis avançados.
No Brasil, o preço do etanol pago aos produtores subiu 15% de janeiro a dezembro de 2013, diz o relatório. O que motivou o crescimento foram os preços mais altos para a gasolina, bem como variações sazonais nos canaviais e no preço do açúcar. No mesmo ano, o país tinha 367 usinas registradas em operação.
Sem precisar o ano e a metodologia usada, o documento estima que o custo de produção do etanol no Brasil se posiciona entre 82 e 93 centavos de dólar por litro. Nos Estados Unidos, o custo varia de 85 a 128 centavos.
Fósseis têm subsídios altos
A exemplo do ocorre no Brasil com a gasolina, os combustíveis de origem fóssil também recebem subsídios em outras partes do globo. "O setor de energia renovável enfrenta muitos desafios. Subsídios gigantescos aos combustíveis fósseis e à energia nuclear persistem, e continuam a ser maiores que os incentivos fiscais aos renováveis", diz o estudo.
Segundo o relatório, dependendo do método de cálculo adotado, o custo destes incentivos pode variar de U$544 bilhões à U$1,9 trilhões.
Políticas de incentivo e mandatos de etanol
Boa parte das políticas de incentivo ao uso de fontes renováveis concentra-se na produção e no uso de biocombustíveis.
Até o início deste ano, 33 países haviam adotado medidas para aumentar a mistura de etanol na gasolina. Destes, 31 eram nacionais e 26 locais.

E a tendência é que a adição de etanol na gasolina continue crescendo nos próximos anos. Em 2013, Ucrânia e Índia aumentaram a mistura para 5 e 10%, respectivamente, enquanto o governo filipino implementou a mistura de 10%, que estava atrasada desde 2011.
Na África, o Zimbábue aumentou o mandato de etanol duas vezes. Na primeira, a mistura subiu de 5% para 10% e agora está em 15%. A meta do país é chegar a 20% ainda neste ano, diz o documento da Ren21.
Na contramão do mundo, os Estados Unidos reduziram pela primeira vez o mandato que determina o uso de etanol de milho, de 54 bilhões de litros para 49 bilhões, enquanto o estado da Flórida revogou uma lei que instituía a adição de 10% do etanol na gasolina.
Empregos
Em relação à geração de empregos, o setor de biocombustíveis foi o que mais empregou depois da energia solar. Em 2012 no Brasil os empregos relacionados a cana-de-açúcar alcançaram 331 mil e o de processamento de etanol 208 mil.

Leonardo Siqueira – NovaCana
