Geração de bioeletricidade cresceu 17% no ano passado, mas busca por recursos para bioeletricidade junto ao BNDES foi a menor em seis anos
Nos últimos anos as usinas passaram a ter um perfil mais exportador de energia elétrica, ganharam eficiência na geração e ampliaram sua presença no mercado. Mas, mesmo assim, o resultado de políticas inconsistentes se refletiu no total de investimentos feitos em bioeletricidade. Nos últimos seis anos nunca se investiu tão pouco em geração de energia do bagaço de cana no Brasil com o apoio do BNDES.
Veja a seguir os gráficos com a evolução dos investimentos, da exportação e autoconsumo de energia e outros indicadores da bioeletricidade do bagaço de cana.
Nos últimos anos as usinas passaram a ter um perfil mais exportador de energia elétrica, ganharam eficiência na geração e ampliaram sua presença no mercado. Mas, mesmo assim, o resultado de políticas inconsistentes se refletiu no total de investimentos feitos em bioeletricidade. Nos últimos seis anos nunca se investiu tão pouco em geração de energia do bagaço de cana no Brasil com o apoio do BNDES, de acordo a ‘Análise de Conjuntura dos Biocombustíveis’, publicação anual da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), vinculada ao Ministério de Minas e energia (MME).
O estudo da EPE evidencia que nos últimos seis anos o interesse sucroenergético para investimentos em bioeletricidade caíram significativamente ano após ano. Em 2008, junto ao BNDES, a demanda de recursos com esta finalidade chegava perto dos R$ 2 bilhões. Passados seis anos, em 2014, a busca de financiamento para cogeração foi irrisória, de módicos R$ 110 milhões, valor insuficiente para instalação de uma térmica nova.
“Em relação ao valor aplicado neste segmento, desde 2008, quando o investimento em cogeração atingiu a cifra de R$ 1,9 bilhão, esse valor se mantém em queda. O ano de 2014 registrou o menor valor neste período, tanto em termos relativos quanto absolutos”, comenta a análise.
Impulsionada pelos altos preços para a energia no mercado à vista, as usinas sucroenergéticas elevaram a geração de bioeletricidade em 17% durante o último ano. Em 2014, as termelétricas movidas à bagaço de cana possuíam contratados 1,1 giga-watt (GW) médio e injetaram na rede elétrica 2,1 GW médio.
No entanto, no ano passado, os valores destinados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para cogeração “correspondem a só 2% do total financiado para o setor sucroenergético”, aponta a ‘Análise de Conjuntura dos Biocombustíveis’, publicação anual da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), vinculada ao Ministério de Minas e energia (MME).
Dados do BNDES revelam que no último ano somente duas sucroalcooleiras contrataram dinheiro para a geração de energia. A goiana Usina Nova Gália obteve R$ 15,8 milhões para implantação de uma caldeira de 43 bar movida a biomassa de cana-de-açúcar. Já a mineira Delta Sucroenergia contratou dois empréstimos para a ampliação de suas usinas, nos valores de R$ 124,9 milhões e R$ 118,5 milhões que, entre as áreas de investimento, contemplam a expansão das térmicas de bagaço. No entanto, as informações do banco não apresentam quais os valores exclusivos para cogeração.
Se por um lado a crescente participação das térmicas de biomassa na matriz energética foi impulsionada pelo Preço de Liquidação das Diferenças (PLD), que atingiu o teto de R$ 822,83 por megawatt-hora (MWh) em 2014, por outro lado, nos anos precedentes, a falta de atratividade no mercado regulado – que por contratos de longo prazo dá a previsibilidade necessária ao investimento – resultou na limitada demanda por financiamento.
Dentre as 376 usinas a biomassa de cana-de-açúcar em operação em 2014, 47% exportaram energia para o sistema nacional, das quais somente 18% comercializaram a mesma no mercado regulado, segundo a EPE.
No ambiente de contratação regulada (ACR), estão concentradas as operações de compra e venda de energia, por meio de licitações onde ocorrem os leilões de energia nova, para fornecimento em três ou cinco anos (A-3 e A-5), os de reserva (LER) e os de fontes alternativas (LFA).
Com a melhora das condições de preços e de competição nos certames em que participa a biomassa, em 2013 e 2014, o efeito da demanda por investimentos deve começar a aparecer uma vez que a energia contrata neste período será entregue em 2018 e 2019.
Conforme o estudo, as usinas de cana contribuíram com cerca de 90 MW médios nos leilões ocorridos em 2014. Desde 2011, foram adicionados mais de 700 MW médios ao Sistema Interligado Nacional (SIN).
“As usinas continuaram seu movimento de eficientização, com a troca de caldeiras antigas por outras de maior pressão de operação, e aumentaram a quantidade de energia exportada ao SIN, por tonelada de cana processada”, destaca a publicação.
A publicação também aponta o crescimento, tanto do autoconsumo, em decorrência do aumento da produção de etanol e açúcar, como da exportação de energia pelas usinas. “Através dos incentivos federais, a exemplo de linhas de financiamento do BNDES para eficientização do parque gerador, e dos movimentos de fusão ocorridos no setor, o perfil das usinas do setor está mais exportador”.
No âmbito ambiental, considerando somente a exportação de bioeletricidade, o valor das emissões evitadas em 2014 foi 60% superior ao de 2013, totalizando 2,5 milhões de toneladas de CO2.
Espaço para crescimento
De modo sutil, o relatório defende a expansão da bioeletricidade e destaca a contribuição do segmento em um ano de baixa históricas nas hidrelétricas. “Há espaço para maior participação das usinas térmicas a biomassa na matriz energética nacional. O estresse hídrico observado nos últimos meses não provocou restrição do consumo elétrico, devido, em grande parte, à maior integração do SIN e à diversificação das fontes energéticas disponíveis”, completa a EPE.
NovaCana




