O relatório da Fitch Ratings publicado na sexta-feira (25) não deixa dúvidas sobre a situação do setor sucroenergético brasileiro, classificado com "alto o risco de inadimplência"Uma das principais agências de classificação de risco revelou detalhes sobre a situação caótica que vivem algumas usinas brasileiras. Em relatório publicado na última sexta-feira (25) a Fitch Ratings fez uma avaliação marcante sobre o setor sucroenergético brasileiro e emitiu um alerta: é elevado o risco de inadimplência das companhias brasileiras de açúcar e etanol em 2014.
Pela combinação entre estruturas de capital fracas, fluxos de caixa livre apertados e difícil acesso ao mercado de capitais, somadas às baixas perspectivas gerais do setor, o documento define o cenário como "desafiador" em 2014.
Somou-se ao quadro já pouco promissor, após a Unica confirmar as perspectivas de quebra de safra, o horizonte de uma safra sem condições de recuperação para um setor já comprometido.
Esta situação sinaliza um movimento de deterioração do setor, já que, há pouco mais de um ano, a agência havia feito avaliação mais positiva, sugerindo um cenário de estabilidade.
Segundo a Fitch, a taxa de alavancagem líquida das companhias (medido pela relação entre dívida líquida e Ebitda, indicando o grau de endividamento de uma empresa) é de 5,4 vezes o caixa, enquanto em igual período do ano passado esse nível estava em 4,8 vezes.
Confira a seguir os detalhes do relatório sobre as perspectivas apresentadas para os investidores pela Fitch para o mercado das usinas de açúcar e etanol.
Uma das principais agências de classificação de risco revelou detalhes sobre a situação caótica que vivem algumas usinas brasileiras. Em relatório publicado na última sexta-feira (25) a Fitch Ratings fez uma avaliação marcante sobre o setor sucroenergético brasileiro e emitiu um alerta: é elevado o risco de inadimplência das companhias brasileiras de açúcar e etanol em 2014.
Pela combinação entre estruturas de capital fracas, fluxos de caixa livre apertados e difícil acesso ao mercado de capitais, somadas às baixas perspectivas gerais do setor, o documento define o cenário como "desafiador" em 2014.
Somou-se ao quadro já pouco promissor, após a Unica confirmar as perspectivas de quebra de safra, o horizonte de uma safra sem condições de recuperação para um setor já comprometido.
Esta situação sinaliza um movimento de deterioração do setor, já que, há pouco mais de um ano, a agência havia feito avaliação mais positiva, sugerindo um cenário de estabilidade.
Segundo a Fitch, a taxa de alavancagem líquida das companhias (medida que indica o grau de endividamento de uma empresa) é de 5,4 vezes o caixa, enquanto em igual período do ano passado esse nível estava em 4,8 vezes.
Ainda assim, a Ficht minimizou o tom alarmante lançando um olhar para o longo prazo. "Apesar de todos os desafios enfrentados pelo setor, os produtores brasileiros estão bem posicionados para aproveitar a crescente demanda de longo prazo. Além disso, sua posição de custos no setor continua incomparável", disse em nota o analista sênior Claudio Miori.
A questão principal é demonstrar que a mistura de 27,5% não resultará em problemas mecânicos para carros sem a tecnologia flex fuel, especialmente os modelos mais antigos. O destaque para esta questão indica que a agência acredita que o aumento da mistura depende mais de questões técnicas que políticas.
Assim, o relatório sugere que os produtores melhorem seus esforços para informar o público sobre os benefícios do etanol na comparação com a gasolina, e convencer os postos a mostrar a relação de preço entre os combustíveis, a fim de aumentar o consumo de etanol hidratado pela frota flex.
A confirmação deste cenário forçará os players altamente alavancados a dar alta prioridade para o refinanciamento de suas dívidas, o que, dado o cenário atual, pode ser difícil.
O fluxo de caixa livre das usinas também continuará pressionado pelo ainda baixo preço do açúcar e pelos custos do diesel, da mão-de-obra e da logística.
Por um lado a fragilidade contínua das moedas locais de muitos países exportadores de açúcar, bem como as grandes safras destes países, especialmente na Índia e na Tailândia, podem limitar um aumento mais proeminente nos preços internacionais do açúcar. Em contraponto, a persistência da temporada seca no Brasil pode ter ainda um impacto potencial na produção de cana-de-açúcar e vir impactar positivamente os preços.
A agência projeta que a relação oferta-demanda tende ao déficit, na medida em que o consumo continua aumentando de 2% a 3% por ano e os preços do açúcar, atualmente reprimidos, têm desestimulado o lançamento de projetos novos.
O crescimento marginal da produção no Brasil e o potencial limitado de aumento da oferta de açúcar por outros países devem apoiar uma recuperação continuada em preços na safra 2015/16 em diante.
A Índia, segundo maior produtor mundial de açúcar, elaborou um projeto de lei para incentivar a produção de açúcar VHP e exportação a fim de ajudar as usinas em estresse financeiro. Historicamente a produção tem se concentrado em açúcar branco, que é vendido no mercado interno. As colheitas tailandeses e indianas devem chegar a 11 milhões e 25 milhões de toneladas de açúcar bruto, respectivamente.
O Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) estima que a demanda mundial de açúcar vai aumentar em 2,4%, enquanto a produção mundial de açúcar em 2013/14 deve chegar a 175 milhões de toneladas, uma redução de 1% em relação a 2012/13. Assim, a relação entre oferta e demanda está se deslocando para um equilíbrio, terminando quatro estações de aumento dos níveis do excedente. Níveis de estoques globais devem terminar a temporada 2013/14 em 43 milhões de toneladas de açúcar bruto, em linha com os estoques de 2012/13, de acordo com o USDA. É provável que isto apoie o aumento dos preços no segundo semestre de 2014.
Recuos de produção relacionados com o clima e mudanças no uso da terra para plantio de cana na China (o último líder de importações de açúcar bruto superior) poderia apoiar um aumento mais rápido dos preços do açúcar na próxima temporada. Em contrapartida, a oferta maior do que o esperado, juntamente com a desvalorização cambial contínua dos principais países produtores, poderia conduzir os preços do açúcar para baixo na safra 2014/15.
NovaCana
Pela combinação entre estruturas de capital fracas, fluxos de caixa livre apertados e difícil acesso ao mercado de capitais, somadas às baixas perspectivas gerais do setor, o documento define o cenário como "desafiador" em 2014.
Somou-se ao quadro já pouco promissor, após a Unica confirmar as perspectivas de quebra de safra, o horizonte de uma safra sem condições de recuperação para um setor já comprometido.
Esta situação sinaliza um movimento de deterioração do setor, já que, há pouco mais de um ano, a agência havia feito avaliação mais positiva, sugerindo um cenário de estabilidade.
Segundo a Fitch, a taxa de alavancagem líquida das companhias (medido pela relação entre dívida líquida e Ebitda, indicando o grau de endividamento de uma empresa) é de 5,4 vezes o caixa, enquanto em igual período do ano passado esse nível estava em 4,8 vezes.
Confira a seguir os detalhes do relatório sobre as perspectivas apresentadas para os investidores pela Fitch para o mercado das usinas de açúcar e etanol.
Uma das principais agências de classificação de risco revelou detalhes sobre a situação caótica que vivem algumas usinas brasileiras. Em relatório publicado na última sexta-feira (25) a Fitch Ratings fez uma avaliação marcante sobre o setor sucroenergético brasileiro e emitiu um alerta: é elevado o risco de inadimplência das companhias brasileiras de açúcar e etanol em 2014.
Pela combinação entre estruturas de capital fracas, fluxos de caixa livre apertados e difícil acesso ao mercado de capitais, somadas às baixas perspectivas gerais do setor, o documento define o cenário como "desafiador" em 2014.
Somou-se ao quadro já pouco promissor, após a Unica confirmar as perspectivas de quebra de safra, o horizonte de uma safra sem condições de recuperação para um setor já comprometido.
Esta situação sinaliza um movimento de deterioração do setor, já que, há pouco mais de um ano, a agência havia feito avaliação mais positiva, sugerindo um cenário de estabilidade.
Segundo a Fitch, a taxa de alavancagem líquida das companhias (medida que indica o grau de endividamento de uma empresa) é de 5,4 vezes o caixa, enquanto em igual período do ano passado esse nível estava em 4,8 vezes.
Ainda assim, a Ficht minimizou o tom alarmante lançando um olhar para o longo prazo. "Apesar de todos os desafios enfrentados pelo setor, os produtores brasileiros estão bem posicionados para aproveitar a crescente demanda de longo prazo. Além disso, sua posição de custos no setor continua incomparável", disse em nota o analista sênior Claudio Miori.
Etanol
A Fitch aposta que o governo brasileiro não aumentará os preços da gasolina, mas diz que o governo precisará encontrar alternativas de apoio ao setor de etanol. O relatório considera que aumentar o percentual do biocombustível na gasolina para 27,5% é uma possibilidade, apesar do ministro Guido Mantega já ter descartado esta ideia, para a indignação do setor produtivo.A questão principal é demonstrar que a mistura de 27,5% não resultará em problemas mecânicos para carros sem a tecnologia flex fuel, especialmente os modelos mais antigos. O destaque para esta questão indica que a agência acredita que o aumento da mistura depende mais de questões técnicas que políticas.
Assim, o relatório sugere que os produtores melhorem seus esforços para informar o público sobre os benefícios do etanol na comparação com a gasolina, e convencer os postos a mostrar a relação de preço entre os combustíveis, a fim de aumentar o consumo de etanol hidratado pela frota flex.
Preços e variáveis
A Fitch não prevê aumento de preços significativos para o etanol na temporada 2014/15 e, portanto, perspectivas de melhoria dos fluxos de caixa livre são bastante limitadas. Além disso, os volumes de produção para a temporada 2014-2015 no centro-sul do Brasil não devem superar o de 2013/14.A confirmação deste cenário forçará os players altamente alavancados a dar alta prioridade para o refinanciamento de suas dívidas, o que, dado o cenário atual, pode ser difícil.
O fluxo de caixa livre das usinas também continuará pressionado pelo ainda baixo preço do açúcar e pelos custos do diesel, da mão-de-obra e da logística.
Açúcar
A Fitch espera que os preços do açúcar se recuperem modestamente, para uma média de 18 centavos de dólar por libra peso na safra 2014/2015, dos atuais 17 centavos de dólar.Por um lado a fragilidade contínua das moedas locais de muitos países exportadores de açúcar, bem como as grandes safras destes países, especialmente na Índia e na Tailândia, podem limitar um aumento mais proeminente nos preços internacionais do açúcar. Em contraponto, a persistência da temporada seca no Brasil pode ter ainda um impacto potencial na produção de cana-de-açúcar e vir impactar positivamente os preços.
A agência projeta que a relação oferta-demanda tende ao déficit, na medida em que o consumo continua aumentando de 2% a 3% por ano e os preços do açúcar, atualmente reprimidos, têm desestimulado o lançamento de projetos novos.
O crescimento marginal da produção no Brasil e o potencial limitado de aumento da oferta de açúcar por outros países devem apoiar uma recuperação continuada em preços na safra 2015/16 em diante.
Mercado mundial
A Tailândia, segundo maior exportador mundial de açúcar, está informando colheitas recordes. O crescimento é uma resposta aos incentivos do governo, que fizeram os produtores de arroz mudarem a produção para a cana-de-açúcar.A Índia, segundo maior produtor mundial de açúcar, elaborou um projeto de lei para incentivar a produção de açúcar VHP e exportação a fim de ajudar as usinas em estresse financeiro. Historicamente a produção tem se concentrado em açúcar branco, que é vendido no mercado interno. As colheitas tailandeses e indianas devem chegar a 11 milhões e 25 milhões de toneladas de açúcar bruto, respectivamente.
O Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) estima que a demanda mundial de açúcar vai aumentar em 2,4%, enquanto a produção mundial de açúcar em 2013/14 deve chegar a 175 milhões de toneladas, uma redução de 1% em relação a 2012/13. Assim, a relação entre oferta e demanda está se deslocando para um equilíbrio, terminando quatro estações de aumento dos níveis do excedente. Níveis de estoques globais devem terminar a temporada 2013/14 em 43 milhões de toneladas de açúcar bruto, em linha com os estoques de 2012/13, de acordo com o USDA. É provável que isto apoie o aumento dos preços no segundo semestre de 2014.
Recuos de produção relacionados com o clima e mudanças no uso da terra para plantio de cana na China (o último líder de importações de açúcar bruto superior) poderia apoiar um aumento mais rápido dos preços do açúcar na próxima temporada. Em contrapartida, a oferta maior do que o esperado, juntamente com a desvalorização cambial contínua dos principais países produtores, poderia conduzir os preços do açúcar para baixo na safra 2014/15.
NovaCana