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Em investida de US$ 12 bilhões, Mercedes apresenta carro elétrico para atacar a Tesla

CEO da Mercedes Dieter Zetsche: “Nós vamos com tudo. E isso começa agora”. Modelo EQC se junta aos carros da Porsche, Audi e Jaguar na corrida pelo carro elétrico


NovaCana - Publicado: 06 Set 2018 - 16:35 | Atualizado: 06 Set 2018 - 17:19
Em investida de US$ 12 bilhões, Mercedes apresenta carro elétrico para atacar a Tesla

Modelo EQC se junta aos carros da Porsche, Audi e Jaguar na corrida pelo carro elétrico

A Mercedes-Benz, maior fabricante de carros de luxo do mundo, está lançando o primeiro de uma série de modelos da marca movidos a bateria. É mais uma montadora de alto padrão que tenta abocanhar o mercado da Tesla.

A produção do crossover EQC, primeira etapa de um plano da Mercedes para desenvolver sua linha de elétricos EQ (Electric Intelligence), deve começar no primeiro semestre de 2019. O anúncio foi feito pelo CEO da Daimler AG, Dieter Zetsche, em evento de lançamento em Estocolmo. Segundo o executivo, a Daimler pretendia investir 10 bilhões de euros (US$ 12 bilhões) na linha de elétricos, mas a empresa acabou gastando “mais do que isso”. Os números exatos não foram revelados.

“Não há alternativa senão apostar nos carros elétricos, e nós vamos apostar todas as nossas fichas”, afirmou Zetsche. “Começa neste exato momento”.

O novo lançamento junta-se ao Porsche Taycan, ao Audi e-tron e ao Jaguar I-Pace na briga com a Tesla, num momento em que a montadora californiana enfrenta dificuldades para fazer as vendas do Modelo 3 deslancharem e obter lucros. A ideia da Mercedes é produzir o EQC em sua unidade de Bremen, na Alemanha, onde também é fabricado o sedan C-Class, carro-chefe de vendas da marca. Para o mercado chinês, a Daimler contará com uma fábrica na China.

O EQC nasce com expectativa de alta rentabilidade, e irá “oferecer o melhor pacote” no confronto com os concorrentes, segundo Zetsche, que se negou a falar em preços.

Depois que a Tesla conseguiu seduzir os clientes mais endinheirados com seu Modelo S, Mercedes e outras marcas de luxo vêm fazendo movimentos agressivos no mercado de elétricos. Contando a marca Smart, que deve abandonar os motores de combustão interna nos próximos anos, a Daimler pretende dispor de dez modelos 100% elétricos até 2022. Para enfatizar a transição, a Mercedes investirá 1 bilhão de euros na produção de baterias, com o objetivo de criar uma rede global de oito unidades fabris.

Concorrência maior

Avançando sobre o mercado da Tesla, pioneira no setor, as montadoras tradicionais buscam capturar algo do esplendor tecnológico da rival. A Mercedes lançou o EQC num estande paralelo da Me Convention, evento organizado na Suécia em parceria com a South by Southwest e descrito como “um passeio ao futuro pelas lentes da tecnologia, da arte e do design”. O e-tron da Audi será lançado ainda este mês em San Francisco, território da Tesla e capital da comunidade high-tech.

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A concorrência será particularmente feroz nas categorias SUV e Crossover. Além do Modelo X da Tesla, vendido a partir de US$ 85 mil (pré-abatimento de impostos), e do e-tron da Audi, quem também entrou no páreo recentemente, contando com boa recepção, foi o I-Pace, da Jaguar Land Rover, que sai na faixa de US$ 70 mil.

O novo Mercedes EQC — que tem praticamente o mesmo tamanho do afamado SUV GLC da marca — conta com autonomia de mais de 450 quilômetros, e aceleração de 0 a 100 km/h em 5,1 segundos. A autonomia do Modelo X é de 380 km.

A Daimler não pretende construir uma fábrica exclusiva para os elétricos. Em vez disso, os novos modelos serão fabricados junto com os carros convencionais, com vistas a ajustar o ritmo de produção. Na expectativa de Zetsche, o grosso da demanda deve vir da substituição dos modelos a gasolina, e não tanto da atração de novos clientes.

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Motores de combustão interna na mira dos governos

As ações da Daimler caíram 1,5% no fechamento da bolsa de Frankfurt, negociadas a 54,20 euros. No ano, os papéis da empresa já acumulam queda de 23%.

Além de responder à mudança de hábito dos consumidores, os modelos elétricos são fundamentais para que as montadoras cumpram os requisitos de emissão de poluentes, cada vez mais rígidos. Países como Reino Unido e França, por exemplo, já planejam proibir o uso de motores de combustão interna nas próximas décadas.

A transição para os elétricos também ajudará a Daimler a superar problemas com seus modelos a diesel. Alegando que a empresa teria usado um software suspeito, responsável por adulterar os índices de emissão de poluentes nos testes preliminares, o Ministério dos Transportes da Alemanha ordenou o recall de 774 mil veículos da marca.

Apesar de querer abocanhar o mercado da Tesla, Zetsche exaltou o CEO da montadora rival, Elon Musk, pela popularização dos carros elétricos. No entanto, novos investimentos da Daimler na Tesla estão fora de cogitação. “Não é um bom momento para isso”, afirmou o executivo.

Christoph Rauwald - Bloomberg