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Intenção de plantio aponta investimento em novas variedades de cana

Pesquisa do IAC demonstra menor concentração varietal e boas escolhas para 2021/22 em grande parte do Centro-Sul

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“O cerne é ter uma boa variedade: a boa genética é a base de tudo”. A fala do gerente de desenvolvimento de produtos do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), Mauro Violante, resume o sentimento dos envolvidos com programas de melhoramento genético de cana-de-açúcar.

Em dezembro de 2021, durante a apresentação dos dados do Censo Varietal realizado pelo Instituto Agronômico de Campinas (IAC), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Violante se uniu aos pesquisadores do IAC e a outros representantes dos programas de variedades para comentar o que este mercado oferece para os produtores.

A intenção de plantio dos produtores do Centro-Sul ao longo de 2020 indica uma perspectiva de insistência em espécies mais velhas, mas a concentração varietal deve cair. As duas principais variedades que foram plantadas – a RB966928 e a RB867515 –, por exemplo, ocupam 23,4% da área pesquisada e têm 10 e 23 anos de lançamento, respectivamente.

A CTC4, por sua vez, foi a terceira mais plantada, com 10,2%, e possui 15 anos de lançamento. Em 2019, ela havia sido a mais cultivada, ocupando 13,4% da área, enquanto as duas primeiras de 2020 vinham logo atrás, com mais de 24% de ocupação quando somadas.

A redução nas concentrações de variedades pode indicar um alento para o setor. A queda na participação dos principais cultivares demonstra certa diversificação no campo, o que pode proporcionar maior segurança biológica e, consequentemente, maior produtividade.

A pesquisa foi realizada em 166 unidades, com uma área correspondente a 738,38 mil hectares, sendo o maior estudo de intenção de plantio do país . A coleta de dados foi feita entre setembro e novembro de 2020, buscando entender quais variedades estavam sendo plantadas para a safra 2021/22 em diante – ou ainda seriam cultivadas, já que a maior parte do plantio ocorreu no verão.

Confira, na versão completa, restrita para assinantes, a análise do que será colhido neste e nos próximos anos, com comentários e indicações das melhores variedades.

“O cerne é ter uma boa variedade: a boa genética é a base de tudo”. A fala do gerente de desenvolvimento de produtos do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), Mauro Violante, resume o sentimento dos envolvidos com programas de melhoramento genético de cana-de-açúcar.

Em dezembro de 2021, durante a apresentação dos dados do Censo Varietal realizado pelo Instituto Agronômico de Campinas (IAC), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Violante se uniu aos pesquisadores do IAC e a outros representantes dos programas de variedades para comentar o que este mercado oferece para os produtores.

O foco de todos os participantes é justamente o que mais interessa às usinas: a produtividade da cana. A escolha da variedade tem bastante influência neste tema e, por isso, o IAC, além de pesquisar o que foi colhido durante a safra 2020/21, procurou entender o que estava sendo plantado, a fim de analisar as possibilidades para os próximos anos do setor.

A intenção de plantio dos produtores do Centro-Sul ao longo de 2020 indica uma perspectiva de insistência em espécies mais velhas, mas a concentração varietal deve cair. As duas principais variedades que foram plantadas – a RB966928 e a RB867515 –, por exemplo, ocupam 23,4% da área pesquisada e têm 10 e 23 anos de lançamento, respectivamente.

A CTC4, por sua vez, foi a terceira mais plantada, com 10,2%, e possui 15 anos de lançamento. Em 2019, ela havia sido a mais cultivada, ocupando 13,4% da área, enquanto as duas primeiras de 2020 vinham logo atrás, com mais de 24% de ocupação quando somadas.

A redução nas concentrações de variedades pode indicar um alento para o setor. A queda na participação dos principais cultivares demonstra certa diversificação no campo, o que pode proporcionar maior segurança biológica e, consequentemente, maior produtividade.

A pesquisa foi realizada em 166 unidades, com uma área correspondente a 738,38 mil hectares, sendo o maior estudo de intenção de plantio do país. Ainda assim, no comparativo anual, a área de cana plantada reduziu 6,9% considerando as mesmas empresas.

O pesquisador do IAC Marcos Landell acredita que esta queda tenha a ver, dentre outros fatores, com o aumento da produtividade das canas de cortes de segundo e terceiro anos, ou seja, que ficam mais tempo no solo e demandam menos replantio. “Estes cortes, somados às novas tecnologias, aumentam a longevidade dos canaviais, tendência que devemos comprovar nos próximos anos”, explica.

A coleta de dados foi feita entre setembro e novembro de 2020, buscando entender quais variedades estavam sendo plantadas para a safra 2021/22 em diante – ou ainda seriam cultivadas, já que a maior parte do plantio ocorreu no verão. Desta forma, é possível analisar o que será colhido neste e nos próximos anos.

Desconcentrando variedades

Na média da intenção de plantio no Centro-Sul ao longo de 2020, é possível afirmar que os mesmos cultivares estão ficando mais velhos por haver poucas novidades em relação ao que foi colhido durante o ano. Grande parte das variedades se manteve – ou seja, foi somado um ano a partir da sua data de lançamento – e eventuais acréscimos não necessariamente são de novos cultivares.

Ainda assim, a concentração varietal no canavial diminuiu: em 2019, a intenção era plantar 15 variedades com participação de mais de 1% da área pesquisada; já no ano passado, este número subiu para 18.

As quatro variedades com maior participação na intenção anterior – CTC4, RB867515, RB966928 e CTC9001, por ordem de concentração – somavam 49,4% da área a ser cultivada. Já na pesquisa mais recente, elas se mantêm no topo, porém com 42,6%, uma queda de quase sete pontos percentuais.

Por outro lado, diversas variedades tiveram pequenos aumentos em sua participação nos canaviais do Centro-Sul, porém sem passar dos 6% de concentração na intenção de plantio, o que é considerado positivo. Conforme o IAC, quanto mais variado for o campo, melhor, especialmente considerando questões de segurança biológica.

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Neste âmbito, o recomendado pelos programas de melhoramento é que um único cultivar não ocupe mais de 15% do canavial. Considerando as perspectivas para 2021/22, o cenário é mais positivo do que o observado nos últimos anos.

O destaque da intenção de plantio de 2020 ficou com as variedades RB975033 e CTC2994. Ambas foram lançadas para uso comercial ano passado e já estão com 1,5% e 1,6%, respectivamente, de possibilidade de participação nos canaviais do Centro-Sul.

A primeira foi desenvolvida em uma parceria da Ridesa com a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e é recomendada para ambientes intermediários e restritivos – por isso, está muito presente na intenção da Bahia e do Tocantins, com 21,3%.

Já a segunda, elaborada pelo CTC, foi desenvolvida na região de Ribeirão Preto – onde já tem 6,5% de participação –, é tolerante a diversas doenças da cana e sugerida para ambientes favoráveis.

Com mais uma variedade sendo plantada, a Ridesa aumentou sua participação nos canaviais do Centro-Sul. Conforme as perspectivas de plantio, dez cultivares da empresa devem ocupar mais de 50% da área pesquisada.

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O CTC, mesmo estando com a segunda maior participação e contando com o reforço da CTC2994, reduziu sua presença na intenção de plantio em 2,1 pontos percentuais. Ainda assim, a CTC4 segue sendo plantada, apresentando bons resultados, e reafirma a importância do Centro nos canaviais do país.

A presença da Ridesa está aumentando justamente pela maior quantidade de cultivares com mais de 1% de concentração, e não porque a participação de cada uma delas vem crescendo – o que é positivo. Além disso, variedades mais antigas e conhecidamente menos produtivas, como a RB867515, estão tendo sua área reduzida ao longo das safras. Em um comparativo trienal, ela saiu da primeira posição dentre as escolhidas e vem reduzindo ano a ano.

Por outro lado, a RB966928 tem apenas dez anos de lançamento e foi a mais plantada em 2020. Sua participação nas últimas temporadas caiu, como reflexo de um canavial menos concentrado, porém o cultivar vem trazendo bons retornos para os produtores.

Em relação à idade das variedades, a maior parte dentre as 18 espécies mais plantadas no Centro-Sul tem dez anos de lançamento ou menos. Ainda assim, sua presença no campo se limita a pouco mais de 54%.

Já os cultivares mais concentrados – os quatro primeiros citados no texto – têm entre 15 e 25 anos de lançamento, e ocupam 25,4% do canavial.

São diversos fatores que determinam a produtividade relacionada a uma variedade, porém é certo que quanto mais nova, melhor, pois ela provavelmente estará mais adaptada ao manejo atual. Na média do Centro-Sul esperada para 2021/22, a expectativa é que a menor concentração de variedades mais velhas pode trazer bons frutos.

Diversidades estaduais

Para chegar às médias do Centro-Sul, o IAC analisa os dados das usinas de diferentes estados e regiões produtoras. Desta forma, também é possível observar se cada local investe mais ou menos no canavial – o que pode ter influência nos seus resultados em relação à produção.

Em 2020, Bahia e Tocantins foram apresentados juntos pelo compromisso do IAC de não divulgar os dados de uma única unidade. O destaque dos estados fica com a presença massiva da RB975033, com 21,3%. “Uma nova variedade com uma área bastante importante na intenção de plantio”, comenta o pesquisador Marcos Landell.

Ele ainda destaca a presença da RB75201 – que “parece muitíssimo bem” e “entrega como poucas”, conforme o pesquisador Antonio Fernandes –, CTC9001 e CTC9003; esta última, conforme o CTC, vem demonstrando um bom desenvolvimento nos canaviais. Além disso, a RB867515, que estava em primeiro lugar nas intenções e com bastante presença – de 11,8% em 2019 – nos últimos quatro anos, aparece em quinto e com 8% em 2020.

Nos dois estados do Norte-Nordeste, é possível notar a presença de diversos cultivares recém-lançados. “Esta amostra indica que há uma preocupação das empresas em adotar materiais novos e praticamente todas elas são da Ridesa, provavelmente algumas até desenvolvidas na própria região”, sugere Landell.

É importante atentar para o fato de que, em 2019, a Bahia estava agrupada com o Espírito Santo, pela questão do número de empresas, e Tocantins não constava na pesquisa. O estado capixaba, por sua vez, segue com as mesmas variedades observadas no ano anterior, com a RB867515 mantendo a dianteira com 32,2% de participação na intenção de plantio – sua maior concentração do país.

O pesquisador Antonio Fernandes, da Ridesa, comenta que o principal problema da RB867515 é sua vulnerabilidade à estria vermelha, uma doença causada na cana por uma bactéria, e ao carvão, que é causado por um fungo. Assim, estas são grandes dificuldades para os canaviais que ainda plantam a variedade, especialmente no Oeste de São Paulo.

Outro estado que contribui fortemente para a presença da RB867515 no Centro-Sul é o Paraná, que apresentou 27,1% de intenção de plantio do cultivar em 2020. No comparativo anual, inclusive, esta participação aumentou – era de 23% no ano anterior. Já os três seguintes, CTC4, RB966928 e CTC9001, tiveram a parcela reduzida.

“No Paraná, a RB867515 continua sendo muito plantada, é uma questão precisa ser pensada”, acentua Landell, que complementa: “Eles ainda a plantam bastante, sendo que há tantas novas opções, um grupo de materiais disponível com performances bem superiores no estado”.

Na opinião do pesquisador, as usinas paranaenses devem reconsiderar seu plantio, repetindo o que os programas de melhoramento do estado estão divulgando a fim de dar um “salto” de produtividade no campo.

Em Goiás, por outro lado, a RB867515 estava na primeira posição de intenção de plantio nos dois anos anteriores, mas, em 2020, a variedade foi para o terceiro lugar (8,2%) e ficou bem próxima do quarto, a CTC4 (7,5%).

“A CTC2994 é um material novíssimo que já aparece”, destaca Landell sobre as escolhas goianas, que também comenta que duas variedades novas do IAC, a IACSP01-5503 e a IACSP01-3127, já aparecem com participação relevante.

A IACSP01-5503, inclusive, tem dois a três anos de lançamento comercial. “Ela tem se revelado uma grande opção em ambientes restritivos, é bem adaptada à mecanização, possui alta população e demonstra raro florescimento”, comenta.

Em relação à escolha das variedades, o pesquisador explica que há um esforço bastante grande dos programas de melhoramento em testá-las. “Temos uma preocupação de nos cercarmos por informações que as usinas podem utilizar para saber quais são as melhores opções”, reitera.

Mato Grosso, por exemplo, vem adotando materiais bem novos, ao mesmo tempo que mantém alguns mais antigos, o que Landell considera curioso. No estado, a CTC4 inverteu de posição com a RB867515, aumentando sua participação – 22,2% contra 13,2% em 2019. Já a variedade da Ridesa diminuiu de 25,7% para 14,9%.

Mato Grosso do Sul, por sua vez, mantém a RB867515 em primeiro lugar e com a mesma participação. Já as variedades CTC vêm aumentando de área ao longo dos últimos anos. “Este é um estado que carece de maturação em condições de umidade, então o pessoal acaba plantando unidades precoces para compensar o desfavorecimento causado pelas condições climáticas”, explica o pesquisador do IAC.

Ele ainda comenta a presença da IACSP04-6007, que está em processo de lançamento e já foi registrada no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). “Só não aconteceu a festa ainda por causa da pandemia”, lamenta.

Minas Gerais também apresenta tanto cultivares antigos quanto mais recentes. A RB867515 segue sendo bastante plantada, porém com redução entre os dois últimos anos (14,4% contra 11,7%). Landell destaca a grande presença das variedades do CTC e chama a atenção para a RB987935, que foi liberada comercialmente em 2016, é tolerante às principais doenças da cana-de-açúcar e garante alta produtividade agrícola.

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Em São Paulo, a concentração de variedades vem diminuindo. “Há quatro anos, não víamos tantos cultivares; hoje, o pessoal está aumentando as opções e diminuindo a concentração pela diversificação”, celebra Landell, que acrescenta: “Algumas regiões em São Paulo estão com nível de excelência”.

Araçatuba, por exemplo, reduziu a concentração das variedades mais plantadas. “É uma região mais seca de São Paulo, com solos caracterizados como cerrado, além de problemas de pragas do solo”, explica o pesquisador. Por isso, a escolha das variedades é importante.

Já Assis e Jaú apresentaram aumento na intenção de plantio da RB867515, indo na contramão do estado. Em Piracicaba, por exemplo, o cultivar da Ridesa reduziu 2,4 pontos percentuais e ficou na 12ª posição da intenção.

“Sobre Piracicaba, precisamos comentar como tanto mudou em quatro anos. O cenário é muito bom, o pessoal de lá está de parabéns e mudou a história. Não era assim e agora está sendo”, comemora Landell.

Ribeirão Preto e Rio Preto seguem investindo nas mesmas variedades, porém vale destacar a presença da Vertix3 na segunda região. Segundo o pesquisador José Bressiani, o cultivar da GranBio é um exemplar da cana energia, que produz biomassa de baixo custo. Ela promete produtividade ao longo dos cortes, porém pede insistência, pois só demonstra vantagem após o terceiro deles.

Landell comenta que os produtores de São Paulo estão tendo bastante cuidado em relação ao índice de concentração varietal, o que deve trazer retorno em produtividade agrícola. Para os programas de melhoramento, ele afirma, isso dá ainda mais material de estudo, com oportunidades para o setor como um todo.

Rafaella Coury – NovaCana

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