Integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ocuparam na segunda-feira, 3, uma área que pertencia a uma usina de açúcar na Zona da Mata de Pernambuco.
A área está localizada no município de Timbaúba, a 120 quilômetros do Recife. As terras pertenciam à antiga usina Cruangi, que está em recuperação judicial. Na noite de segunda-feira, 250 famílias do MST foram à sede de um dos engenhos da usina, montaram barracas e fixaram a bandeira do movimento. Segundo o MST, a invasão marca o início da luta pela reforma agrária, chamada de abril vermelho.
O MST afirma que criadores de gado de corte estão usando as terras e impedindo que antigos trabalhadores e moradores da usina produzam no local.
A área de 800 hectares faz parte de três engenhos na Zona da Mata Norte de Pernambuco, onde antes havia a plantação de cana-de-açúcar. A terra foi desapropriada em 2013 pelo governo do estado. O MST alega que está improdutiva e que vai continuar com o acampamento.
A Polícia Militar de Pernambuco disse que, nesses casos, só pode atuar com determinação da Justiça e, por enquanto, não há uma ação de reintegração de posse.
O decreto de 2013, assinado pelo então governador Eduardo Campos, do PSB, declarou mais de 1,4 mil hectares na região como terras de utilidade pública, para fins de desapropriação. Na época, o governo estadual pretendia implantar um polo automotivo. O projeto acabou sendo transferido para o município de Goiana, a 70 quilômetros do Recife.
Parte das terras que pertenciam à usina Cruangi foi arrendada pela Cooperativa do Agronegócio dos Associados da Associação dos Fornecedores da Cana-de-açúcar. Ao G1, a direção da cooperativa confirmou que o terreno ocupado pelos sem-terra pertence ao governo do estado e disse também que as terras são improdutivas.
O Jornal Nacional procurou a secretaria de comunicação de Pernambuco, que é governado por Raquel Lyra (PSDB), para que se manifestasse sobre o caso, mas não recebeu resposta.