O mercado futuro de açúcar demerara na Bolsa de Nova York (ICE Futures US) registrou recuperação ontem, mas sem animar altistas. Os contratos chegaram a subir 2,6%, mas devolveram boa parte dos ganhos. O início de colheita da safra brasileira de cana-de-açúcar, sem transtornos por enquanto, contribui para segurar as cotações.
O clima quente e seco no Centro-Sul do Brasil favorece os trabalhos das máquinas colhedoras de cana no campo. "O início da safra no Brasil, que começa sem interrupção, favorecido pelo tempo seco, tende a pressionar os preços", diz o diretor de Commodities do Banco Société Générale, Michael MacDougall. Estima-se que no fim de março 137 usinas haviam começado a colheita. Esse número deve aumentar para 200 nesta primeira quinzena de abril.
MacDougall acrescenta que, de um lado, pequenas usinas, que encontram dificuldade para obter financiamento, precisam colher rápido a cana e vender o açúcar para fazer caixa. Em contrapartida, consumidores globais não mostram urgência, sem agressividade nas compras. O resultado é a tendência de cotações mais baixas.
Os indicadores gráficos também apontam sinais negativos. Apesar da alta de ontem, os contratos custam a se afastar do suporte psicológico de 14 cents. Antes, o mercado tem de superar o nível de 14,28 cents. A resistência está em 14,66 cents (máxima de ontem).

Hoje vencem as opções para maio na ICE, o que pode trazer volatilidade aos contratos. As posições em aberto podem ser exercidas entre 13,50 cents e 14,50 cents (puts, opção de venda) e de 15,00 a 16,00 cents (calls, opções de compra).
Também hoje será divulgado relatório da Commodity Futures Trading Comission (CFTC), com posicionamento de traders referente à semana encerrada em 12 de abril, e que deve mostrar os fundos de investimento bastante comprados. No relatório anterior, referente à semana encerrada em 5 de abril, os fundos estavam com saldo líquido comprado de 207.932 lotes.

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) divulgou ontem sua estimativa para a produção brasileira de cana-de-açúcar na safra 2016/17. No ciclo, que se iniciou em 1º de abril, devem ser colhidas 691 milhões de toneladas, o que corresponde a um aumento de 3,8% em comparação com o período anterior (665,6 milhões de toneladas).
A trading britânica Czarnikow revisou para cima o déficit global de açúcar na safra 2015/16, para 11,4 milhões de toneladas, em comparação com 8,2 milhões de toneladas na previsão anterior. O recuo se deu por uma expectativa de produção menor na Ásia, afirma a trading.
Os futuros de açúcar em Nova York trabalharam no terreno positivo ao longo de todo o pregão de ontem, impulsionados em parte pelas previsões da Czarnikow. O vencimento julho encerrou em alta de 0,56% (8 pontos), a 14,37 cents. A máxima foi de 14,66 cents (mais 14 pontos). A mínima bateu 14,30 cents (1 ponto acima do fechamento anterior).
O valor à vista em reais do indicador do açúcar Esalq fechou ontem a R$ 75,60/saca (-0,37%). Em dólar, o preço ficou em US$ 21,71/saca (-0,14%).
