Mais uma matéria-prima está sendo testada para produção de etanol em Mato Grosso. No município de Tangará da Serra, foi implantada a primeira usina do biocombustível a partir da batata doce. A tecnologia foi aperfeiçoada por 30 pesquisadores da Universidade Federal do Tocantins (UFT) para ser utilizada por agricultores familiares. Após 20 anos de pesquisa foi possível comprovar a eficiência da batata doce industrial como matéria-prima ecologicamente correta para geração do biocombustível.
Como explica o pesquisador responsável por implantar o projeto no município, Aldo Marcos Silva, a descoberta é considerada um ícone de bioenergia, por garantir o etanol mais barato, devido ao baixo custo de produção e potencial energético gerado pelo amido do legume. "A batata doce tem diversas vantagens, como por exemplo, ser renovável e não gerar resíduos e queimadas, além do baixo custo de produção, praticidade no plantio e colheita."
O cultivo da batata-doce possibilita também incrementar a nutrição animal, com o aproveitamento das ramas como fonte proteica, fortalecendo outras cadeias produtivas, como da carne e leite. Para Silva, a cultura pode ser incrementada pelos agricultores familiares do Estado, melhorando a renda das propriedades. O projeto experimental de Tangará da Serra foi visitado pelo deputado federal Ezequiel Fonseca (PP).
A intenção do parlamentar é intermediar por meio da bancada federal a criação do selo "Etanol Social", diferenciando as usinas que trabalharem com a agricultura familiar. Com essa proposta, pretendemos revitalizar os assentamentos do Estado, gerando emprego e renda, além de diminuir o preço do produto nos postos. Segundo Silva, a produção de etanol a partir da batata doce não compete com os biocombustíveis derivados da cana ou do milho, mas pode ser complementar.
Mato Grosso iniciou a produção de etanol de milho, com uma usina flex implantada em Campos de Júlio. A unidade alterna a produção do biocombustível derivado da cana e do cereal, após passar por readaptações.