NovaCana

Projeção sobre venda de colhedoras de cana divide opiniões de fabricantes

mecanização“Quem se planejou não está deixando de investir”, diz executivo da John Deere

NovaCana 5 min de leitura

Apesar das incertezas que rondam a economia, da taxa de juros crescente e dos preços mais baixos das commodities agrícolas, o setor sucroalcooleiro brasileiro tem conseguido manter os níveis de investimento em maquinário. A avaliação é da fabricante de equipamentos norte-americana John Deere, as condições mais frágeis no setor não estão levando a um adiamento dos investimentos nesses equipamentos.

“Nós não tivemos mudança nas projeções: tínhamos previsto o que está acontecendo agora e nossas vendas agora estão dentro do que estava programado. Quem se planejou não está deixando de investir”, sustenta a companhia sem citar números específicos do mercado brasileiro devido à política da empresa.

No entanto, indicadores negativos já acenderam o sinal de alerta na indústria.

Apesar das incertezas que rondam a economia, da taxa de juros crescente e dos preços mais baixos das commodities agrícolas, o setor sucroalcooleiro brasileiro tem conseguido manter os níveis de investimento em maquinário. A avaliação é de Marco Ripoli, da área de marketing estratégico da fabricante de equipamentos norte-americana John Deere. Para ele, as condições mais frágeis no setor não estão levando a um adiamento dos investimentos nesses equipamentos.

“Nós não tivemos mudança nas projeções: tínhamos previsto o que está acontecendo agora e nossas vendas agora estão dentro do que estava programado. Quem se planejou não está deixando de investir”, disse Ripoli, sem citar números específicos do mercado brasileiro devido à política da empresa.

No entanto, indicadores negativos já acenderam o sinal de alerta na indústria. A venda de máquinas agrícolas e rodoviárias no mês de maio caiu 1,2% na comparação com abril e recuou 26,8% ante um ano atrás, de acordo com dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). Com isso, a produção de máquinas contraiu 23% neste ano até maio em relação a igual período de 2014.

E a despeito do cenário retratado por Ripoli até na John Deere as vendas estão em baixa, segundo o relatório financeiro da companhia, o qual indicou retração de 10% na venda de equipamentos e máquinas agrícolas em 2014 na América do Sul. Já a expectativa para 2015 é de contração em nível global de 20% no volume de vendas, com a valorização do dólar influenciando negativamente na comercialização desses bens.

Entretanto, diz Ripoli, um dos eixos que ainda tem impulsionado as vendas é a mecanização dos canaviais. Uma estimativa da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) apontou que em abril deste ano 97% da colheita do Centro-Sul era mecanizado. Em 2008, as máquinas eram responsáveis por 47,6% da colheita da região.

“Essa renovação por um maquinário mais avançado se reflete na produção, uma vez que o corte mais preciso permite que a plante remanescente brote novamente tendo mais força para se desenvolver”, disse.

Outro ponto levantando é a redução no consumo de combustíveis. De acordo com Ripoli, uma dos novos modelos de colhedora está economizando até 8% de combustível. “Numa safra isso chega a representar 9 mil litros de diesel, o mesmo que um caminhão-tanque inteiro”, disse. O ramo sucroalcooleiro é a segunda cadeia agrícola em importância para a John Deere, atrás dos grãos e à frente da pecuária.

Perspectivas divergentes

Para Alexandre Vinicius de Assis, gerente de vendas da Valtra, entretanto, o mercado de máquinas tem apresentando retração no setor sucroalcooleiro nos últimos anos. “Mas acreditamos em uma breve recuperação do segmento, que já deve se iniciar na próxima safra”, afirma. Um dos exemplos da confiança da marca, pertencente ao grupo AGCO, foi o lançamento de uma nova colhedora, considerada mais moderna e eficaz, durante a  a Agrishow, realizada anualmente em Ribeirão Preto.

Atualmente, cerca de 80% da venda de máquinas depende de linhas de crédito financiadas pelo governo. O Moderfrota é uma das principais dessas linhas de crédito e sua taxa de juros aumentou de 4,5% para 7,5% em março para produtores ou grupos empresariais com faturamento de até 90 milhões de reais e de 6% para 9% para aqueles com receita superior. Na esteira dessa elevação, outras linhas crédito também encareceram, inclusive as alternativas oferecidas pelos braços financeiros das fabricantes de maquinário agrícola.

“Considerando a situação econômica atual do país, acredito que essa taxa de juros ainda é muito atraente para o produtor rural, ainda mais quando comparada, por exemplo, à taxa Selic, que já superou os 13% ao ano”, afirma Assis.

Já o presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Pedro Estevão Bastos de Oliveira, acredita que não deve haver retomada dos patamares de comercialização no segundo semestre, o qual é tradicionalmente mais aquecido no setor. “O comprador faz o cálculo que a taxa básica de juros, manejada para conter a inflação, seguirá em níveis elevados e prefere esperar por um momento mais propício”, afirma. “Nem 2016, talvez, o mercado se recupere.”

Felipe Vanini Bruning – NovaCana

Compartilhar: