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Indústria deve investir R$ 60 bilhões em P&D para descarbonizar veículos, estima Anfavea


EPBR - Publicado: 27 Mar 2024 - 09:00

Estimativas preliminares da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) apontam que o setor vai investir em torno de R$ 60 bilhões a R$ 70 bilhões em pesquisa e desenvolvimento pelos próximos cinco anos para cumprir as exigências do programa Mobilidade Verde e Inovação (Mover).

Nesta terça-feira, 26, o governo assinou a portaria que regulamenta o programa que destinará cerca de R$ 19,5 bilhões em incentivos à eficiência e descarbonização da indústria automotiva.

Entre as regras para as montadoras poderem usufruir dos créditos financeiros está a obrigatoriedade de investimentos mínimos em P&D visando a sustentabilidade da frota de carros, ônibus e caminhões.

“[A regulamentação] nos dá previsibilidade. Contempla as diversas reuniões que ocorreram durante todos esses meses. Em geral, nós estamos bastante aliviados com a portaria e dando prosseguimento aos investimentos”, disse o presidente da Anfavea, Márcio Lima, à agência EPBR.

Na visão do executivo, o futuro da frota brasileira é eclético e o Mover contempla todas as tecnologias que levarão à descarbonização, respeitando as características de cada um dos combustíveis “de uma forma muito positiva”.

Durante a cerimônia de assinatura da portaria nesta terça, Lima disse que as políticas de incentivo anunciadas até agora pelo governo Lula levam o setor a um novo patamar. “O setor automotivo está de volta”, comemorou observando que, em dois anos, os investimentos previstos pela indústria dobraram, mas ainda são tímidos e podem melhorar.

Frota eclética

A expectativa do executivo é que, até 2026, será possível ultrapassar três milhões de veículos fabricados no país, aproveitando as diversas rotas de descarbonização: etanol, elétrico e híbrido. “O otimista é um ingênuo e o pessimista é um chato. Mas eu sou um realista esperançoso. Nós vamos superar a meta dos três milhões”, afirmou Lima a jornalistas.

Ele ainda completou: “Nós vamos ter produção tanto de veículos elétricos e híbridos elétricos no Brasil, em até dois anos. Alguns estão antecipando esse processo. Mas, sem dúvida, é uma realidade. Quem tem feito a escolha da tecnologia é o consumidor”.

Para o presidente da Anfavea, enquanto nos Estados Unidos e na Europa são as leis que estão definindo a rota de transição energética da indústria automotiva, no Brasil, essa decisão caberá ao consumidor. “Nós vamos ter à disposição todas as tecnologias”, afirmou.

Da combustão ao hidrogênio

Segundo o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, desde a assinatura da medida provisória que cria o Mover, montadoras já anunciaram cerca de R$ 107 bilhões no Brasil. Os recursos estão previstos para serem investidos até 2028 na fabricação de veículos, com foco em tecnologias elétrica, híbrida e biocombustíveis.

O presidente da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), Ricardo Bastos, destaca que a transição é uma oportunidade para a indústria brasileira investir em modernização e novas tecnologias, a exemplo da China, líder no mercado global de veículos elétricos. Por aqui, os anúncios de investimentos de montadoras chinesas GMW, BYD e Caoa Cherry somam R$ 21 bilhões.

“A gente já parte de uma base muito boa no Brasil, que é a nossa energia. Temos aqui a energia elétrica renovável. Temos os biocombustíveis, o etanol e o biodiesel, também agora crescendo. Então, a oportunidade de nós termos a tecnologia automotiva combinada com as fontes energéticas é muito boa”, comentou Bastos na cerimônia.

Ele seguiu: “A indústria automobilística está passando por uma transformação global e o Brasil se coloca, com o Mobilidade Verde e Inovação, não só para receber os investimentos estrangeiros, mas também, tirando proveito de toda essa cadeia que nós temos instalada, muito forte no modelo a combustão, mas temos os híbridos, os híbridos plug-in, os elétricos e temos o hidrogênio pela frente”.

Nayara Machado