A Indústrias de Bioenergia de Mato Grosso (Bioind-MT) vai apresentar, durante a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP28), em Dubai, as soluções que vem desenvolvendo para aumentar a produção de etanol em sinergia com o fortalecimento da cadeia de alimentos, conservando os biomas locais.
Atualmente, Mato Grosso é líder na produção de etanol de milho e deve fechar 2023 como o segundo maior produtor de etanol no Brasil (cana e milho), com uma produção de 5,5 bilhões de litros, segundo dados Bioind-MT. Com isso, poderá ter a primeira indústria de etanol carbono negativo do mundo, por meio da tecnologia de bioenergia com captura e armazenamento de carbono (BECCS).
No próximo dia 4, em Dubai, o presidente da Bioind-MT, Sílvio Rangel, irá apresentar a experiência do estado no desenvolvimento de tecnologias de baixo carbono, aliadas à produção de alimentos e à conservação dos biomas, durante o painel “Desafios e Oportunidades da Bioeconomia Brasileira”.
“O Brasil já tem a solução para descarbonizar o transporte e a energia. E a bioenergia é parte fundamental do que temos disponível para a transição energética”, afirma Rangel. “A agenda ambiental é, certamente, o que hoje mobiliza o setor produtivo, além de ser um fator de competitividade para nossa indústria”, completa.
O painel com a presença de Rangel integra a programação de eventos no estande da Confederação Nacional da Indústria (CNI) montado na COP28. É a primeira vez que a CNI tem um espaço próprio no evento. A indústria brasileira terá uma participação recorde na Conferência, com a presença de mais de 100 empresários e uma intensa agenda de atividades.
Desde 2017, com a chegada da primeira indústria de etanol de milho em Mato Grosso, houve uma mudança de realidade na agricultura local. No mesmo período em que a produção de etanol de milho cresceu mais de 8 vezes, saindo de 390 milhões de litros para 3,2 bilhões de litros (safra 2022/23), houve uma queda de 6% na área de pastagens e um crescimento acima de 24% da produção de carne bovina, conforme informa a Bioind-MT.
Também houve baixa queda na idade de abate do rebanho, de mais de 36 meses para menos de 24 meses. Desde o início do uso dos grãos secos de destilaria (DDG), um co-produto do milho utilizado na alimentação animal e que só é produzido devido ao etanol, houve aumento de produtividade no ganho de peso dos animais, também segundo a entidade
Essa transformação foi possível devido à maior qualidade da suplementação alimentar. “A bioenergia não está só ajudando a produzir biocombustível e energia elétrica, está ajudando a produzir alimento. Estamos falando de acréscimo na produção de grãos e de proteína animal”, argumenta Rangel.
Outra característica é a possibilidade de armazenamento dos grãos de milho. Essa vantagem permite a estabilidade da oferta do produto em todas as épocas do ano e possibilita que o Brasil aumente a participação deste biocombustível na sua matriz, conforme a visão da Bioind-MT. O avanço está previsto no projeto de lei, em tramitação no Congresso, que cria o programa Combustível do Futuro.