A boa evolução da safra 2016/17, que teve início em abril na região Centro-Sul, resultou em uma redução no Indicador Cepea/Esalq de preços do açúcar cristal negociados no mercado paulista spot, da ordem de 1,91% relativamente ao mês anterior. Em abril/16, a média do Indicador foi de R$ 76,00/saca de 50 kg.
Apesar desta redução, o patamar de preços sendo praticado neste ano é 33,93% superior ao de abril/15 (R$ 56,75/saca de 50 kg) – valores deflacionados pelo IGP-DI base março/16. Acredita-se que a queda tenha sido amenizada, no entanto, pelos preços internacionais do açúcar demerara, que subiram nas últimas três semanas do mês, contendo quedas mais expressivas no mercado nacional.
Na primeira quinzena de abril/16, as usinas do estado de São Paulo moeram 20,871 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, mais que o triplo do verificado no mesmo período do ano passado, segundo dados divulgados pela Unica. A produção de açúcar foi de 997 mil toneladas, que representa também um incremento expressivo da ordem de 405% relativamente à produção no primeiro mês da safra 2015/16. A Unica também estima que o mix de produção seja de 45,43% da cana direcionada a produção de açúcar e 54,57% para a produção do etanol.
É importante considerar que apesar do calendário oficial de safra iniciar no mês de abril, algumas usinas iniciaram a moagem em março no presente ano, sendo que algumas unidades continuaram moendo na transição de uma safra para outra. De maneira geral, até final de abril, poucas eram as usinas consultadas pelo Cepea que ainda não haviam iniciado a operação no estado de São Paulo.
No mercado internacional, as cotações do demerara na Bolsa de Nova York (ICE Futures) seguem em alta, ainda impulsionadas por dados indicando déficit mundial da commodity e também pela apreciação do Real frente ao dólar. No correr da semana, no entanto, os contratos chegaram a registras ligeiras quedas pontuais, que, por sua vez, foram influenciadas pelo bom andamento da safra brasileira.
A perspectiva de mais longo prazo – ou seja, na próxima temporada mundial 2016/17 – é de que a Índia (maior consumidor mundial de açúcar) seja importadora líquida de açúcar. Segundo o presidente da Bombay Sugar Merchants Association, as principais regiões de cultivo da cana foram prejudicadas gravemente pelo longo período de seca. Caso esse cenário se confirme, os preços internacionais do açúcar podem subir com ainda mais força, beneficiando os maiores ofertantes do mercado global, como o Brasil.
De sexta a sexta, o contrato nº 11 de açúcar demerara (Maio/16) da ICE Futures teve alta de 5,9%, fechando a 16,16 centavos de dólar por libra-peso no dia 29. Em Londres (Euronext Liffe), o contrato de açúcar refinado com vencimento em Agosto/16 subiu 3,11% de sexta a sexta, fechando a semana a US$ 467,40/tonelada.
De 25 a 29 de abril, cálculos do Cepea mostram que as vendas de açúcar cristal no spot paulista remuneraram 9,53% a mais que as vendas externas. Enquanto a média semanal do Indicador de Açúcar Cristal Cepea/Esalq foi de R$ 75,79/sc, as cotações do contrato nº 11 da ICE Futures, com vencimento em Maio/16, equivaleriam a R$ 69,20/sc. Para esse cálculo, foram consideradas as médias semanais de US$ 55,09/t de fobização, de US$ 76,29/t de prêmio de qualidade e dólar de R$ 3,506.
O Indicador de Açúcar Cristal Esalq/BVMF, referente ao produto posto no porto de Santos ou com custos equivalentes, sem impostos, cor Icumsa máxima de 150, que inclui vendas domésticas e para exportação, subiu ligeiro 0,32% na semana, fechando a R$ 75,28/saca 50 kg na sexta-feira.
Já no mercado atacadista do estado de São Paulo, o Indicador de Cristal Empacotado fechou a R$ 8,8337/saca de 5 kg na sexta-feira, queda de 1,04% sobre a sexta anterior. O açúcar refinado amorfo fechou a R$ 2,1341/saca de 1 kg, recuo de 0,75% no mesmo período.
No Nordeste, algumas usinas estão mais flexíveis nos preços de venda. No geral, intraestaduais têm sido mais frequentes que as interestaduais, e o volume de açúcar goiano negociado nas regiões Norte e Nordeste do país foi maior, se comparado ao da semana anterior
Em abril, o Indicador Mensal do Açúcar Cristal Cepea/Esalq foi de R$ 95,82/sc de 50 kg em Alagoas, praticamente estável frente a março/16, mas forte aumento de 69,83% em relação a abril/15, em termos nominais. Em Pernambuco, o Indicador mensal foi de R$ 94,58/sc, baixa de 1,56% se comparado a março/16 e aumento de 73,03% em relação a abril/15, em termos nominais.
Na Paraíba, o Indicador Mensal de Açúcar Cristal Cepea/Esalq foi de R$ 77,26/sc, 2,73% inferior a março/16, porém 41,42% acima do de abril/15, em termos nominais. A partir de março/16, este Indicador passa a ser divulgado líquido de ICMS (até fevereiro/16, incluía valores com 12% ou 18% de ICMS, dependendo da destinação do açúcar).
No mercado de etanol, o Indicador semanal Cepea/Esalq do anidro combustível caiu 0,94% e o hidratado, 2% em relação à semana anterior. Frente ao açúcar cristal, que acumulou queda de 0,88% entre as duas e sextas-feiras, cálculos do Cepea mostram que o açúcar remunerou 64,93% a mais que o anidro e 78,13% a mais que o hidratado.