Açúcar: Mercado

Açúcar: Mercado

Indicador de açúcar volta ao patamar dos 75 reais por saca de 50 kg


Agência Estado - Publicado: 19 Abr 2016 - 10:37

O clima seco no Centro-Sul brasileiro tem favorecido a colheita da cana-de-açúcar. A oferta de cristal está mais que suficiente para atender à demanda, e as cotações do produto no mercado spot paulista estão enfraquecidas. A liquidez segue relativamente estável.

Na sexta-feira, 15, o Indicador Cepea/Esalq do açúcar cristal cor Icumsa entre 130 e 180, mercado paulista, fechou a R$ 75,88/saca de 50 kg, ligeira queda de 0,26% em relação à sexta anterior – o Indicador não fechava na casa dos R$ 75/sc desde o início de novembro. Na primeira quinzena de abril, o Indicador acumula queda de 0,99%.

A Conab estima a produção nacional de cana na safra 2016/17 em 690,98 milhões de toneladas, crescimento de 3,8% em relação à temporada anterior. A área cultivada é de 9,073 milhões de hectares, aumento de 4,8% frente à safra anterior. A produção de açúcar, por sua vez, está estimada em 37,5 milhões de toneladas pela Conab, avanço de 12%. A Conab indicou ainda que seis estados devem ser os maiores responsáveis pela alteração positiva da produção nacional: São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Goiás, Mato Grosso do Sul e Alagoas.

Os contratos futuros de açúcar demerara oscilaram com força na Bolsa de Nova York (ICE Futures) na última semana. Por um lado, a boa evolução da safra brasileira e a instabilidade do dólar frente ao Real resultam em queda nas cotações externas. Por outro, novas estimativas indicam aumento no déficit global da commodity, o que motiva alta dos preços.

A trading Czarnikow, que estimava déficit de 3,2 milhões de toneladas, elevou a projeção para 11,4 milhões de toneladas na temporada 2015/16. Conforme destacado pela Archer Consulting, o próximo vencimento, Maio/2016, chegou a ser negociado à mínima de 14,00 centavos de dólar por libra-peso na quarta-feira e, ao longo da sexta, chegou a 15,12 centavos de dólar por libra-peso.

De sexta a sexta, o contrato nº 11 de açúcar demerara (Maio/16) da ICE Futures subiu 2,38%, fechando a 15,04 centavos de dólar por libra-peso no dia 15. Em Londres (Euronext Liffe), o contrato de açúcar refinado com vencimento em Maio/16 teve alta de 2,64% de sexta a sexta, fechando a semana a US$ 440,00/tonelada.

De 11 a 15 de abril, cálculos do Cepea mostram que as vendas do cristal no spot paulista remuneraram 20,19% a mais que as externas. Enquanto a média semanal do Indicador de Açúcar Cristal Cepea/Esalq foi de R$ 75,78/sc, as cotações do contrato nº 11 da ICE Futures, com vencimento em Maio/16, equivaleriam a R$ 63,05/sc. Para esse cálculo, foram consideradas as médias semanais de US$ 55,30/t de fobização, de US$ 75,63/t de prêmio de qualidade e câmbio de R$ 3,499.

O Indicador de Açúcar Cristal Esalq/BVMF, referente ao produto posto no porto de Santos ou com custos equivalentes, sem impostos, cor Icumsa máxima de 150, que inclui vendas domésticas e para exportação, teve ligeira alta de 0,08% na semana, fechando a sexta-feira a R$ 75,02/saca 50 kg.

No mercado atacadista do estado de São Paulo, o Indicador de Cristal Empacotado fechou a R$ 8,9046/saca de 5 kg na sexta-feira, queda de 0,94% sobre a sexta anterior. O açúcar refinado amorfo fechou a R$ 2,1477/saca de 1 kg, recuo de 0,73% no mesmo período.

No Nordeste, compradores estão adquirindo o produto de forma pontual, o que tem deixado o mercado lento. Além disso, a entrada do açúcar do Centro-Sul do País tem pressionado os valores do produto do Nordeste.

No mercado de etanol, o Indicador semanal Cepea/Esalq do anidro combustível caiu 4,01% e o hidratado, 4,45% em relação à semana anterior. Frente ao açúcar cristal, que acumulou queda de 0,26% entre as duas e sextas-feiras, cálculos do Cepea mostram que o açúcar remunerou 61,38% a mais que o anidro e 75% a mais que o hidratado.