Açúcar: Exportação

Açúcar: Exportação

Índia quer mais que dobrar ajuda à exportação de açúcar, dizem fontes


Bloomberg - Publicado: 19 Set 2018 - 08:06

A Índia estuda proposta para oferecer 45 bilhões de rúpias (US$ 617 milhões) em assistência às usinas de açúcar para ampliar as exportações e reduzir o excedente doméstico no ano que vem. O país asiático, que deve superar o Brasil como maior produtor de açúcar do mundo em 2018/19, está tentando reduzir o estoque crescente.

O governo planeja fornecer um subsídio de 13,88 rúpias para cada 100 quilos de cana às usinas de açúcar no ano-safra que começa em 1º de outubro, contra 5,5 rúpias na temporada 2017-2018, segundo duas fontes familiarizadas com o assunto.

O país estuda também devolver taxas de transporte e operação de mil a 3 mil rúpias por tonelada para o transporte de açúcar das usinas até os portos, disseram as pessoas, que pediram para não ser identificadas, mencionando regras.

A porta-voz do Ministério dos Alimentos preferiu não comentar.

A assistência permitirá que as usinas ampliem as exportações, ajudará a reduzir as reservas e respaldará os preços domésticos em meio a colheitas abundantes. A produção do país deverá ser recorde pela segunda safra consecutiva em 2018/19 porque os preços mais elevados da cana levaram os produtores rurais a aumentar as áreas plantadas com variedades de alto rendimento, disse Abinash Verma, diretor-geral da Associação de Usinas de Açúcar da Índia, em julho.

Uma safra maior da Índia possivelmente ampliará a oferta global. Além disso, o aumento de embarques poderia pressionar as cotações globais do açúcar: os preços da commodity em Nova York caíram 23 por cento no ano até agora, atingindo o menor patamar em uma década em agosto.

Pressão eleitoral

Porém, isso também poderia ajudar o governo do primeiro-ministro Narendra Modi durante o ano eleitoral, garantindo que os produtores consigam o preço prometido da cana-de-açúcar.

Sobrecarregadas com estoques massivos e uma queda acentuada dos preços, usinas disseram não conseguir pagar os agricultores de cana o preço fixado pelo governo a tempo.

Algumas empresas açucareiras devem cerca de 135 bilhões de rúpias (1,85 bilhão de dólares) no atual ciclo para produtores, que formam um grande bloco de eleitores, disse uma autoridade governamental à Reuters.

Cota de exportação

A proposta deve ser analisada pelo gabinete na quarta-feira, disseram fontes consultadas pela Bloomberg. Segundo elas, o governo pode alocar um total de 5 milhões de toneladas em cotas de exportação de açúcar para as usinas em 2018/19.

"Para ajudar usinas a exportar 5 milhões de toneladas de açúcar, o governo deve dar a elas subsídios de transporte no valor de 30 bilhões de rúpias", afirmou uma autoridade em entrevista à Reuters, confirmando o valor da possível cota.

O governo alocou 2 milhões de toneladas em exportações de açúcar para 2017/18 por meio de um sistema de cotas e depois estendeu o prazo em três meses. A Índia alterna entre as condições de importadora e exportadora de açúcar, dependendo da produção local.

As exportações totalizaram cerca de 400 mil toneladas na safra 2017/18 (outubro-agosto), segundo dados da associação. O país exportou 46 mil toneladas em 2016/17 e um recorde de 4,96 milhões de toneladas em 2007/08, mostram dados.

Reação internacional

Enquanto isso, grupos que representam as indústrias de açúcar do Brasil e da Austrália estão coordenando estudos junto a seus governos para questionar na Organização Mundial do Comércio (OMC) um possível subsídio à exportação de açúcar na Índia.

O governo indiano também está planejando aumentar o preço que paga diretamente para os produtores de cana para 138 rúpias por tonelada em 2018/19, começando em 1º de outubro, ante 55 rúpias neste ciclo, disseram as fontes governamentais.

Pratik Parija
Com informações adicionais da Reuters e edição novaCana.com

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