Açúcar: Mercado

Açúcar: Mercado

Índia planeja tornar obrigatória exportação de açúcar, colocando mais pressão sobre os preços

Governo do país quer pagar parte das perdas com a exportação do adoçante e aumentar volume de etanol na gasolina


NovaCana - Publicado: 05 Ago 2015 - 12:51 | Atualizado: 05 Ago 2015 - 15:27

A Índia provavelmente vai implementar regras para tornar obrigatório a exportação de milhões de toneladas de açúcar excedente no país para dar sustentação aos preços locais, disseram fontes, em uma medida que poderia reduzir a crescente revolta dos agricultores locais, mas aumentar o excesso de oferta nos mercados globais.

A Índia está com os maiores estoques domésticos já registrados em sete anos.

A informação foi dada à agência de notícias internacional Bloomberg por meio de funcionários que preferiram não ser identificados, uma vez que o plano ainda não foi aprovado.

A decisão final deverá ser tomada pelo primeiro-ministro Narendra Modi, que discutiu o assunto, de alto grau de sensibilidade política, em um encontro de ministros, autoridades e executivos de usinas no último final de semana, disseram duas fontes do governo à Reuters.

A princípio, o governo irá subsidiar os embarques com o pagamento de uma parte das perdas sofridas pelas usinas com as exportações. O montante pode ser dado diretamente aos agricultores, que fornecem cana-de-açúcar para as usinas e ainda não foram pagos.

A regra de exportação obrigatória, que poderia ser instituída a partir do início do novo ano safra, em 1º de outubro, seria aplicada apenas quando a produção ficasse acima da demanda local, disseram os oficiais, diretamente envolvidos na formulação da política.

A produção de açúcar na Índia é estimada em 28 milhões de toneladas por ano. Com a nova safra iniciando em 1º de outubro, esse seria o sexto ano em que a produção ultrapassa a demanda, de acordo com a Indian Sugar Mills Association. Segundo o ministro de alimentos, Ram Vilas Paswan, as usinas devem cerca de 173 bilhões de rúpias aos produtores de cana-de-açúcar.

No momento, os estoques indianos estão prestes a alcançar 10,2 milhões de toneladas. O número também reflete uma queda nos preços globais, o que desacelerou as exportações. Com outra safra próxima à colheita, o aumento das exportações indianas pode pesar sobre os futuros em Nova York, que caíram para os menores índices desde 2008.

Se a medida for aprovada, a Índia poderia superar a Austrália e ocupar a terceira posição no ranking dos maiores exportadores de açúcar, atrás apenas de Brasil e Tailândia.

"Isso fará que os preços no mercado mundial caiam ainda mais, com prejuízos para produtores na Tailândia, no Brasil e em outros países", comenta o analista do Commerzbank, Carsten Fritsch. Ele complementa: "Os estoques globais estão em níveis recorde após vários anos de excedentes de produção elevados. Adicionar essas exportações subsidiadas ao excedente mundial irá manter os preços do açúcar baixos por mais tempo".

Os preços do açúcar no mercado internacional já caíram 24% este ano, que é o quinto de excedente global. Nesta quarta-feira os futuros para entrega em outubro foram negociados a 10,97 centavos de dólar por libra-peso.

Além da possível exportação compulsória, a Índia analisa a possibilidade de enviar açúcar para novos mercados, como Indonésia, Malásia e algumas nações africanas.

Atualmente, o governo já subsidia as exportações de açúcar bruto em 4000 rúpias (63 dólares) por tonelada.

Etanol: aumento da mistura na gasolina

No entanto, o governo indiano considera o subsídio às exportações como uma medida de curto prazo. Entre as opções para os próximos anos, o governo já considera um aumento no nível de etanol misturado à gasolina, o que deve reduzir o volume de açúcar excedente.

Assim, na entrevista à Bloomberg também foi revelado que o Ministério de Alimentos do país está estudando aumentar para 6% a mistura de etanol na gasolina a partir de 1º de outubro. O valor seria ampliado para 10% nos anos seguintes.

Pratik Parija, Prabhudatta Mishra e Mayank Bhardwaj

Tradução e adaptação novaCana.com

Com texto adicional da Reuters