Que ano para o açúcar. Nestes quase três meses de 2016, a commodity, cujos contratos futuros são negociados na Bolsa de Nova York (ICE Futures US), não para de receber notícias construtivas. Hoje foi a vez de a Índia jogar ainda mais lenha na fogueira de valorização do produto, que já acumula ganhos de mais de 24% só em março e de 7% no ano.
Conforme a Associação das Usinas indianas (Isma, na sigla em inglês), as exportações locais devem alcançar 2 milhões de toneladas no ano-safra 2015/16, que por lá se estende até 30 de setembro. O volume representa metade do que o país planejava embarcar inicialmente, e a perspectiva de uma oferta menor pela nação asiática refletiu rápido sobre os preços em Nova York. O contrato com vencimento em maio, que chegou a cair quase 2% na sessão de hoje, há pouco trabalhava em ligeira alta de 0,13%.
A notícia vinda da Índia, porém, é só mais um ingrediente no caldeirão de informações altistas. O mercado iniciou 2016 já digerindo a previsão de um déficit de 8 milhões de toneladas após cinco anos seguidos de excedente. Daí as chuvas em excesso no Centro-Sul do Brasil levantaram temores quanto à colheita e produção de açúcar na região - preocupações, aliás, que permanecem. Depois veio a entrega de açúcar maior do que o esperado contra a tela de março na Bolsa, e os participantes a interpretaram como demanda firme. Sem falar no dólar, que já perdeu quase 9% ante o real neste ano e tem desestimulado o restante de vendas futuras por usinas brasileiras.
A julgar pelas cotações na Bolsa de Nova York, o mercado já não vê mais pressão baixista para o açúcar neste ano. O contrato com vencimento em julho, que representa o pico de produção no Centro-Sul do País, está apenas 5 ou 6 pontos abaixo da tela de maio. Os lotes para outubro já indicam valorização e os para março do ano que vem, ganhos ainda mais expressivos, acima dos atuais 16 centavos de dólar por libra-peso.
É claro que as dinâmicas de qualquer mercado são imprevisíveis, mas é cada vez mais evidente que a recuperação dos preços do açúcar se firmou.
José Roberto Gomes