A Índia anunciou nesta segunda-feira, 23, que elevará a mistura de etanol anidro na gasolina dos atuais 5% para 10%, seguindo o exemplo do Brasil, onde o porcentual é de 25%. A medida, que deve entrar em vigor no segundo semestre, faz parte de um pacote de benefícios a um setor em dificuldades. No país asiático, as cotações da cana-de-açúcar são definidas pelo governo, enquanto que as de açúcar e de etanol seguem regras de mercado, algo que geralmente acaba pressionando as margens das empresas.
Após o anúncio, as ações de companhias como Bajaj Hindusthan e Balrampur Chini Mills chegaram a subir quase 10%. As da Shree Renuka Sugars, que tem quatro usinas no Brasil, duas em São Paulo e duas no Paraná, tiveram ganhos de até 12% durante a sessão.
Além do aumento da mistura, o governo indiano informou que elevará a taxa de importação, de 15% para 40%. O objetivo é diminuir o fluxo de compras de baixo custo em seu mercado e aumentar o poder de competitividade das refinarias do país. O ministro de alimentos do país, Ram Vilas Paswan, porém, também não disse quando a nova tarifa passará a valer.
No Brasil, a mistura passou de 20% para 25% em maio do ano passado e, atualmente, se discute um novo aumento, para algo entre 26% e 27,5%. Apresentada em janeiro pelo setor sucroalcooleiro, a proposta enfrenta resistência da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), que teme perda de rendimento dos motores dos veículos.
Para esta terça-feira está prevista uma reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) que deve discutir a elevação do porcentual. Com Dow Jones Newswires