As usinas de açúcar indianas voltaram ao mercado de exportação, fechando 100 mil toneladas de embarques em uma semana após a queda da rúpia para uma mínima recorde e uma recuperação dos preços globais que restaurou a vantagem econômica de vendas ao exterior, disseram cinco negociantes à Reuters.
Os embarques do segundo maior produtor de açúcar do mundo ajudarão os consumidores asiáticos e africanos a garantir açúcar a custos mais baixos em meio ao aumento do frete e dos preços globais, que estão sendo negociados perto do nível mais alto em cinco meses.
“A guerra mudou tudo de repente. Ela elevou os preços globais do açúcar em antecipação à maior demanda por etanol e arrastou a rúpia para uma mínima recorde”, disse um negociante de Mumbai de uma casa de comércio global.
Ele seguiu: “Os negócios de exportação estão finalmente se recuperando depois de semanas sem atividade. Cerca de 100 mil toneladas já foram assinadas na semana passada, e é provável que haja mais por vir”.
O aumento dos preços do petróleo em decorrência do conflito no Oriente Médio ampliou as expectativas de que o Brasil, maior produtor de cana-de-açúcar, desviará mais para a produção de etanol.
O açúcar indiano está sendo oferecido a cerca de US$ 450 por tonelada em uma base FOB (free-on-board), com países como Sri Lanka e nações africanas como Djibuti, Tanzânia e Somália reservando embarques para abril e maio, disseram os negociantes.
Até o momento, as usinas contrataram a exportação de 550 mil toneladas na atual temporada, que termina em setembro, segundo eles.
O total das exportações de açúcar nessa temporada pode aumentar para cerca de 1,5 milhão de toneladas, já que a demanda do Afeganistão, Cazaquistão, Uzbequistão e Oriente Médio deve aumentar caso a guerra acabe, disse Rahil Shaikh, diretor administrativo da Meir Commodities India, sediada em Mumbai.
Em fevereiro, a Índia aumentou sua cota de exportação de açúcar para 2 milhões de toneladas, acrescentando 500 mil toneladas às 1,5 milhão de toneladas aprovadas anteriormente. As usinas solicitaram apenas 87.587 toneladas da alocação extra, deixando a maior parte sem uso.
Existe demanda por açúcar indiano por parte de compradores estrangeiros, mas os gargalos logísticos estão pesando sobre as exportações, com a disponibilidade limitada de contêineres e o aumento das taxas de frete, disse um negociante de Nova Délhi de uma casa de comércio global.
É provável que os compradores asiáticos considerem o açúcar indiano atraente, já que os custos de frete da Índia para o sul da Ásia são muito mais baixos do que o transporte de açúcar do Brasil, disse ele. “Com a queda da rupia, as usinas estão obtendo melhores preços exportando do que vendendo localmente”, acrescentou.
A rúpia indiana caiu 4,5% até agora em 2026, atingindo uma mínima recorde, enquanto o real brasileiro se fortaleceu em 3%.
Rajendra Jadhav