A realidade dos grandes grupos do setor está longe da maioria das usinas brasileiras. De acordo com o CEO da Paraíso Bioenergia, Dario Costa Gaeta, o resultado será o aumento da concentração do setor, processo que deverá ser retomado em breve com mais unidades trocando de mãosVeja o desenvolvimento desse assunto e mais:
- Por que as fusões e aquisições de usinas devem ser retomadas
- O CEO da Paraíso Bioenergia S.A. não tratou como vítimas 40 usinas que fecharam as portas no últimos cinco anos e das outras 60 que devem seguir o mesmo caminho ou mudar de dono nos próximos dois ou três anos.
- "No fundo, a única variável controlável que uma usina tem é o custo"
- "As usinas estão há 500 anos no mercado e ainda não olham com carinho alguns pontos muito simples dentro da própria usina"
- As usinas de etanol não devem apenas esperar por condições melhores para o setor
- Para as usinas: "Produtos, tem vários; economicamente viáveis, nem todos"
O CEO da Paraíso Bioenergia S.A., Dario Costa Gaeta, apresentou uma palestra no início do ano e explicou porque está seguro de que haverá uma concentração cada vez maior dos grandes grupos no setor. "Nós vemos movimentos um pouco tímidos agora [de fusões e aquisições], mas que tendem a crescer."
Esta migração para os grandes produtores é o resultado do que ele chama de "incompetência sinérgica", que faz com que a realidade da maioria das usinas brasileiras de etanol fique longe daquelas dos grandes grupos, como Raízen e Odebrecht Agroindustrial. "Existe um incompetência sinérgica no setor, onde nós temos uma pulverização muito grande e as usinas são, em sua maioria, pequenas, de pequenos grupos."
A situação é reflexo dos valores agregados das usinas, que diminuíram pouco a pouco, suprimindo a vantagem que o etanol tinha. "Os custos crescem todo ano, nós temos políticas trabalhistas que obrigam as usinas a repor a inflação. A mão de obra, que representa quase um terço de uma usina, precisa ser reajustada todo ano a 6%, 7%. Em cinco anos, temos mais de 30% de reajuste", argumenta Gaeta.
Ele sugeriu que mesmo com custos de produção crescentes e que superam a remuneração, as usinas de etanol não devem apenas esperar por condições melhores para o setor, mas, sim, investir em atitudes que reduzem os custos e aumentam o lucro. "No fundo, a única variável controlável que uma usina tem é o custo".
O CEO da Paraíso Bioenergia S.A. não tratou como vítimas 40 usinas que, segundo dados da Unica, fecharam as portas no últimos cinco anos, nem as outras 60 que devem seguir o mesmo caminho ou mudar de dono nos próximos dois ou três anos. "Nós tínhamos 480 usinas, agora se fala em 400, e a tendência é esse número cair mais". Para ele, elas têm uma parcela de responsabilidade, já que a mentalidade é de permanecer na zona de conforto.
Para Gaeta, leveduras, CO₂ e vinhaça, que, ao lado do bagaço, integram o grupo classificado como subprodutos "velhos conhecidos" das usinas, também poderiam ser reaproveitados. "O CO₂ é uma fonte de recurso para quem queira engarrafar o gás", exemplifica. "E, para quem não sabe, onde se coloca vinhaça, não se coloca potássio, portanto, há uma economia em fertilizantes", completa. Ele disse ainda que a vinhaça poderia também ser transformada em energia.
Outro produto que pode ser aproveitado para fins diversos é o melaço da cana, que entra, contudo, no grupo de subprodutos "não tão velhos conhecidos". Como as usinas produzem, primariamente, etanol, ele é destinado apenas para este fim. Porém, a partir dele também é possível fazer cachaça, rum, fermentos biológicos, ração animal e alimentos. Além disso, ele é usado na fabricação de tijolos, cerâmica, papelão e casquinha de sorvete. Há ainda estudos para produzir, a partir do melaço, um biopolímero semelhante a um tecido para ser usado na medicina.
"O bagaço, que era um problema ambiental, já virou dinheiro: cogeração", exemplificou, apesar de ressaltar que o preço da energia gerada ainda não remunera bem os produtores, dificultando a propagação da cogeração. Além disso, o bagaço ainda pode virar compensado, pellets (que renderiam créditos de carbono), alimento animal e etanol de segunda geração.
Gaeta destacou ainda a possibilidade de produzir outros óleos, lisina e ácido acrílico. "Se eu fizer hoje uma fábrica de ácido acrílico derivado do petróleo, vou investir R$ 1 bilhão, porque está ao lado de uma refinaria e longe do mercado consumidor. Mas se for um projeto pequeno e renovável, dentro de uma usina, o investimento é 1/20 do outro e a fábrica está próxima do mercado consumidor".
Depois de apresentar as opções, o CEO da Paraíso Bioenergia fez uma ressalva: "Produtos, tem vários; economicamente viáveis, nem todos". Contudo, completou que, em geral, falta interesse das usinas para investir em produtos diferentes; elas preferem fazer o que já sabem fazer. A isso ele se refere como uma "mentalidade retrógrada" e alerta: "Precisamos abrir os olhos".
Vivian Faria – NovaCana
- Por que as fusões e aquisições de usinas devem ser retomadas
- O CEO da Paraíso Bioenergia S.A. não tratou como vítimas 40 usinas que fecharam as portas no últimos cinco anos e das outras 60 que devem seguir o mesmo caminho ou mudar de dono nos próximos dois ou três anos.
- "No fundo, a única variável controlável que uma usina tem é o custo"
- "As usinas estão há 500 anos no mercado e ainda não olham com carinho alguns pontos muito simples dentro da própria usina"
- As usinas de etanol não devem apenas esperar por condições melhores para o setor
- Para as usinas: "Produtos, tem vários; economicamente viáveis, nem todos"
O CEO da Paraíso Bioenergia S.A., Dario Costa Gaeta, apresentou uma palestra no início do ano e explicou porque está seguro de que haverá uma concentração cada vez maior dos grandes grupos no setor. "Nós vemos movimentos um pouco tímidos agora [de fusões e aquisições], mas que tendem a crescer."
Esta migração para os grandes produtores é o resultado do que ele chama de "incompetência sinérgica", que faz com que a realidade da maioria das usinas brasileiras de etanol fique longe daquelas dos grandes grupos, como Raízen e Odebrecht Agroindustrial. "Existe um incompetência sinérgica no setor, onde nós temos uma pulverização muito grande e as usinas são, em sua maioria, pequenas, de pequenos grupos."
A situação é reflexo dos valores agregados das usinas, que diminuíram pouco a pouco, suprimindo a vantagem que o etanol tinha. "Os custos crescem todo ano, nós temos políticas trabalhistas que obrigam as usinas a repor a inflação. A mão de obra, que representa quase um terço de uma usina, precisa ser reajustada todo ano a 6%, 7%. Em cinco anos, temos mais de 30% de reajuste", argumenta Gaeta.
Ele sugeriu que mesmo com custos de produção crescentes e que superam a remuneração, as usinas de etanol não devem apenas esperar por condições melhores para o setor, mas, sim, investir em atitudes que reduzem os custos e aumentam o lucro. "No fundo, a única variável controlável que uma usina tem é o custo".
O CEO da Paraíso Bioenergia S.A. não tratou como vítimas 40 usinas que, segundo dados da Unica, fecharam as portas no últimos cinco anos, nem as outras 60 que devem seguir o mesmo caminho ou mudar de dono nos próximos dois ou três anos. "Nós tínhamos 480 usinas, agora se fala em 400, e a tendência é esse número cair mais". Para ele, elas têm uma parcela de responsabilidade, já que a mentalidade é de permanecer na zona de conforto.
A responsabilidade das usinas
"As usinas estão há 500 anos no mercado e ainda não olham com carinho alguns pontos muito simples dentro da própria usina", disse. Basicamente, a ideia de Gaeta é que subprodutos sejam utilizados ou transformados, ao invés de descartados. A proposta traria como consequência o aumento de portfólio e, assim, as usinas deixariam de depender de apenas dois produtos.Para Gaeta, leveduras, CO₂ e vinhaça, que, ao lado do bagaço, integram o grupo classificado como subprodutos "velhos conhecidos" das usinas, também poderiam ser reaproveitados. "O CO₂ é uma fonte de recurso para quem queira engarrafar o gás", exemplifica. "E, para quem não sabe, onde se coloca vinhaça, não se coloca potássio, portanto, há uma economia em fertilizantes", completa. Ele disse ainda que a vinhaça poderia também ser transformada em energia.
Outro produto que pode ser aproveitado para fins diversos é o melaço da cana, que entra, contudo, no grupo de subprodutos "não tão velhos conhecidos". Como as usinas produzem, primariamente, etanol, ele é destinado apenas para este fim. Porém, a partir dele também é possível fazer cachaça, rum, fermentos biológicos, ração animal e alimentos. Além disso, ele é usado na fabricação de tijolos, cerâmica, papelão e casquinha de sorvete. Há ainda estudos para produzir, a partir do melaço, um biopolímero semelhante a um tecido para ser usado na medicina.
"O bagaço, que era um problema ambiental, já virou dinheiro: cogeração", exemplificou, apesar de ressaltar que o preço da energia gerada ainda não remunera bem os produtores, dificultando a propagação da cogeração. Além disso, o bagaço ainda pode virar compensado, pellets (que renderiam créditos de carbono), alimento animal e etanol de segunda geração.
Novidades para o portfólio
De acordo com o CEO da Paraíso Bioenergia, as usinas também podem investir em projetos de produção de farneseno. "Através da fermentação do açúcar, ou seja, do mesmo jeito que se faz o álcool, faz-se o farneseno", explicou. A diferença é que a levedura passa por uma manipulação. O farneseno é um óleo renovável que irá compor o diesel de cana-de-açúcar, produto que já tem venda liberada nos Estados Unidos, e a Paraíso tem a primeira fábrica de farneseno da Amyris no mundo.Gaeta destacou ainda a possibilidade de produzir outros óleos, lisina e ácido acrílico. "Se eu fizer hoje uma fábrica de ácido acrílico derivado do petróleo, vou investir R$ 1 bilhão, porque está ao lado de uma refinaria e longe do mercado consumidor. Mas se for um projeto pequeno e renovável, dentro de uma usina, o investimento é 1/20 do outro e a fábrica está próxima do mercado consumidor".
Depois de apresentar as opções, o CEO da Paraíso Bioenergia fez uma ressalva: "Produtos, tem vários; economicamente viáveis, nem todos". Contudo, completou que, em geral, falta interesse das usinas para investir em produtos diferentes; elas preferem fazer o que já sabem fazer. A isso ele se refere como uma "mentalidade retrógrada" e alerta: "Precisamos abrir os olhos".
Vivian Faria – NovaCana