A consultoria StoneX tem dúvidas de como será o mix de produção de cana em 2024/25 diante dos incêndios que atingem áreas produtoras de cana-de-açúcar em São Paulo. “Frente ao cenário de queimadas, o nível de mix pode se sustentar próximo das estimativas mais pessimistas, de 40,5% para o açúcar”, diz em relatório.
Supondo um cenário hipotético em que 30% da área estimada de 215 mil hectares seja totalmente perdida pelas queimadas, não podendo ser aproveitada, e assumindo que o mix da cana queimada cairá para 40% – com o açúcar total recuperável (ATR) se mantendo elevado – haveria uma perda potencial ao redor de 470 mil toneladas de açúcar, diz a consultoria, em relatório.
Apesar desse cenário, a StoneX não vê impacto grande nos preços do açúcar internacional no longo prazo. “Para o saldo global, a perda potencial de 470 mil toneladas não alteraria o consenso de duas safras superavitárias em 2023/24 (outubro a setembro) e 2024/25, cujas estimativas estão em 4,6 milhões de toneladas e 1,2 milhão de toneladas de saldo positivo, respectivamente”, declara.
Para fluxo de curto prazo, esse volume seria significativo, mas o Brasil conta com estoques folgados de açúcar e exportações robustas. “No médio prazo, seria apenas 3% do potencial a ser embarcado pelo Centro-Sul no restante da safra 2024/25 (abril a março) e, em um contexto global superavitário, sem impacto relevante na disponibilidade do demerara”, completa.
A consultoria ainda ressalta que é preciso contabilizar o quanto será perdido de açúcar pelas queimadas, pois dependerá muito da área total impactada e quanto haverá de perda de produtividade, se houver, na cana restante queimada que será colhida.
A StoneX estima a moagem no Centro-Sul do país em 602,2 milhões de toneladas em 2024/25 e um mix açucareiro de 50,5%. Até o momento, porém, o mix não respondeu aos níveis esperados, se posicionando em 49% no acumulado da temporada.
Fernanda Pressinott