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Os impactos da desregulamentação do mercado de açúcar na Índia

A desregulamentação do açúcar na ÍndiaMedidas que podem aumentar a competitividade e diminuir a instabilidade do setor são analisadas pela consultoria FCStone
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A desregulamentação do açúcar na Índia
Depois de seis meses de estudo pelo Comitê Rangarajan, que culminaram na apresentação de sete propostas para aumentar a competitividade e diminuir a instabilidade do mercado de açúcar indiano, o governo do país aprovou, no início de abril, a desregulamentação parcial do setor.

A partir de agora, as usinas não terão mais obrigação de venderem 10% do que produzirem ao Estado a preços reduzidos, nem terão o volume que podem vender domesticamente determinado pelo governo. Para avaliar os impactos destas mudanças, a consultoria FCStone do Brasil dedicou um relatório ao assunto.

Depois de seis meses de estudo pelo Comitê Rangarajan, que culminaram na apresentação de sete propostas para aumentar a competitividade e diminuir a instabilidade do mercado de açúcar indiano, o governo do país aprovou, no início de abril, a desregulamentação parcial do setor.

A partir de agora, as usinas não terão mais obrigação de venderem 10% do que produzirem ao Estado a preços reduzidos, nem terão o volume que podem vender domesticamente determinado pelo governo. Para avaliar os impactos destas mudanças, a consultoria FCStone do Brasil dedicou um relatório ao assunto.

Segundo o documento, assinado pela analista de mercado Lígia Heise, a desregulamentação parcial do mercado de açúcar indiano possibilita uma melhoria de até 3% na margem líquida das usinas e um maior controle e planejamento sobre o capital de giro das usinas, o que pode reduzir o pagamento de juros.

A partir daí, há um desencadeamento de uma série de ações que vão garantir a estabilidade do mercado. A melhoria na situação financeira das usinas deve reduzir o atraso no pagamento dos fornecedores de cana, o que contribui para a redução da migração entre culturas e a estabilização da produção de cana, e, consequentemente, colabora para a diminuição da oscilação dos preços tanto domésticos quanto internacionais.

Ainda de acordo com a FCStone, a maior estabilidade do setor deve reestruturar a indústria, intensificando as fusões e aquisições, e atrair novos investidores, o que pode contribuir para uma melhoria tecnológica seguida de redução de custos de produção.

Com relação aos preços do açúcar, a consultoria acredita que, domesticamente, eles poderão ser pressionados, devido ao aumento da oferta das unidades produtoras, porém, usinas e consumidores devem passar a usar mais a bolsa de futuros para que o preço do produto seja protegido.

O que continua igual

Apesar das novidades – e das boas perspectivas que elas trazem consigo, as outras cinco alterações propostas pelo comitê que analisou a situação do mercado indiano de açúcar não foram aceitas pelo governo, pelo menos por enquanto.

São elas: o relaxamento do controle sobre importações e exportações, mudança no preço de remuneração da cana, fim da regra que determina para que usinas os fornecedores podem vender e de que fornecedores as usinas podem comprar cana, fim da distância mínima entre usinas e da determinação de que o açúcar seja embalado em sacos de juta.

A questão da remuneração dos fornecedores é considerada fundamental para reduzir a instabilidade vivida por eles, a qual provoca migração para outras culturas, como o trigo, o milho e o sorgo. A ideia é que haja um preço mínimo único para a cana, estabelecido pelo governo central, e não mais o preço do país e o preço dos estados.

Além disso, o comitê sugeriu que, a cada seis meses, parte dos lucros obtidos pelas usinas seja distribuído, fazendo com que a cana seja remunerada não apenas por peso, mas também pelo conteúdo de açúcar da cana fornecida.

Sem isso, a FCStone considera as medidas aprovadas como benéficas, porém, insuficientes para garantir o fim das grandes variações na produção de açúcar na Índia e, consequentemente, nos preços mundiais da commodity.

Vivian Faria – NovaCana
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