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O impacto do setor sucroenergético nas perdas da Petrobras Biocombustível (PBio)

tanque-pbio amassado 130515Entre as seis investidas da estatal – três de etanol e três de biodiesel – apenas a joint-venture com o grupo São Martinho ofereceu lucro

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A Petrobras Biocombustível (PBio), braço da estatal petroleira que atua na produção de etanol e biodiesel, publicou um relatório sobre o desempenho de suas atividades em 2014, destacando que finalizou o exercício com um resultado líquido melhor que em 2013, muito embora esteja operando no vermelho pelo sexto ano consecutivo.

Das perdas, R$ 162,2 milhões são atribuídas a duas das empresas produtoras de açúcar e etanol em que a subsidiária da estatal é acionista.

Com um prejuízo líquido de R$ 266,3 milhões no exercício encerrado em 31 de dezembro, em comparação a 2013, a PBio reduziu sua perda em 17,6%. No entanto, este foi o segundo pior resultado desde 2009 (todos negativos), ano em que a PBio iniciou a operação.

A PBio possui participação nas sucroalcooleiras Guarani (SP), Nova Fronteira (GO) e Bambuí (MG) que, juntas, detém nove usinas. Na área de biodiesel é acionista de outras três empresas. Entre as seis investidas, apenas a Nova Fronteira, joint-venture com o grupo São Martinho ofereceu lucro, de R$ 70,8 milhões, mesmo assim insuficiente para cobrir as perdas de seus pares.

Na sequência:

- A produção de açúcar, etanol e bioenergia das investidas em 2014

- O resultado contábil de cada empresa

- Os destaques das associadas sucroalcooleiras

- O projeto de etanol celulósico da estatal

A Petrobras Biocombustível (PBio), braço da estatal petroleira que atua na produção de etanol e de biodiesel, publicou um relatório sobre o desempenho de suas atividades em 2014, destacando que finalizou o exercício com um resultado líquido melhor que em 2013, muito embora esteja operando no vermelho pelo sexto ano consecutivo.

Das perdas, R$ 162,2 milhões são atribuídas a duas das empresas produtoras de açúcar e etanol em que a subsidiária da estatal é acionista.

A PBio possui participação nas sucroalcooleiras Guarani (SP), Nova Fronteira (GO) e Bambuí (MG) que, juntas, detém nove usinas. Na área de biodiesel é acionista de outras três empresas. Entre as seis investidas, apenas a Nova Fronteira, joint-venture com o grupo São Martinho ofereceu lucro, de R$ 70,8 milhões, mesmo assim insuficiente para cobrir as perdas de seus pares.

Com um prejuízo líquido de R$ 266,3 milhões no exercício encerrado em 31 de dezembro, em comparação a 2013, a PBio reduziu sua perda em 17,6%. No entanto, este foi o segundo pior resultado desde 2009 (todos negativos), ano em que a PBio iniciou a operação.

Perdas da PBio

Após seis anos de operação deficitária, a PBio registra um prejuízo acumulado de R$ 1,199 bilhão. No exercício de 2014, o prejuízo por lote de mil ações da companhia foi de R$ 843,19.

No ano passado, a receita com os biocombustíveis teve uma queda de 25%, passando de R$ 832,7 milhões para R$ 623 milhões. Já o custo de produção, apesar de ter reduzido 27,5% – de R$ 994,1 milhões para R$ 720,5 milhões – continuou excedendo as receitas. Desse modo, o prejuízo bruto em 2014 totalizou R$ 94,7 milhões, com melhora de 39,6%, ante o resultado negativo em R$ 161,4 milhões.

A companhia ainda terminou 2014 com R$ 15,3 milhões em caixa e equivalentes, queda de 46% em relação aos R$ 28,8 milhões registrados em 2013.

Não há detalhamento sobre os dados contábeis específicos no setor de etanol, mas o relatório aponta que a Petrobras Biocombustível “obteve, no segmento de etanol, um faturamento líquido 23% maior do que em 2013 e um aumento do lucro operacional de 28%. Esses resultados foram possíveis, graças ao crescimento de 3% na moagem, aos preços maiores do etanol (que devido à estiagem, prejudicou os resultados da safra no Centro-Sul, restringindo a oferta do produto) e ao aumento de 26% no volume de energia elétrica comercializada com preço superior (cerca de 48% maior)”.

No entanto, no setor sucroenergético, o documento assume que o resultado líquido foi 19% pior do que em 2013. Segundo a PBio, o agravamento das perdas se explica pelo pagamento de encargos financeiros de dívidas bancárias e pelo resultado negativo das operações da Guarani em Moçambique. No período, a parcela do prejuízo proporcional à participação acionária, de 42,95%, da Petrobras Biocombustível foi de R$ 43 milhões.

Produção

As três companhias sucroalcooleiras encerraram a safra 2014/2015 com moagem total de 26,426 milhões de toneladas de cana, crescimento de 3% em relação ao ciclo anterior. O destaque foi a produção de etanol que totalizou 1,23 bilhão de litros, aumento de 17% entre safras. A fabricação de açúcar somou 1,6 milhão de toneladas.

As nove usinas em que a PBio participa estão distribuídas pelos estados de São Paulo, Goiás e Minas Gerais, além de uma unidade em Moçambique.

“O aumento [na produção de etanol] foi possibilitado pelos investimentos dos últimos anos na ampliação da capacidade de processamento das usinas, bem como em renovação e expansão dos canaviais, o que diminuiu os impactos da quebra de safra causada pela seca que assolou a Região Centro-Sul do Brasil”, considera a estatal.

No período, a comercialização de energia excedente, produzida com a queima de bagaço da cana, atingiu 1.295 gigawatts-hora (GWh).

pbio 2014 produção sucro

pbio 2014 investidas

Nova Fronteira: R$ 70,8 milhões de lucro

A Nova Fronteira Bioenergia, joint-venture entre Petrobras Biocombustível e o Grupo São Martinho, foi a única entre as investidas da estatal a encerrar 2014 no azul. A PBio possui 49% da sociedade que controla a Usina Boa Vista, situada em Quirinópolis (GO), com capacidade de moagem de 4 milhões de toneladas.

A Boa Vista produz exclusivamente etanol e foi a unidade que gerou isoladamente o maior volume do biocombustível no Brasil, em 2014, segundo o relatório. A unidade atingiu a marca de 384 milhões de litros, o que representa um aumento de 9% em sua produção. Também foi destacada a produção de energia, com alta de 10%.

Para a sociedade na Nova Fronteira, iniciada em 2010, a estatal investiu R$ 431,8 milhões.

Bambuí: R$ 70,8 milhões de prejuízo

Com um prejuízo de R$ 70,8 milhões atribuível à participação da PBio, a Bambuí, localizada no munício mineiro de mesmo nome, registrou queda de 9% na produção, devido à seca que provocou uma quebra de safra de 35% em relação ao planejado, informa o relatório. A cogeração apresentou aumento de 123%, mas não há dados individualizados sobre a produção.

A PBio adquiriu a participação de 43,58% na usina, controlada pela Total Agroindústria Canavieira, em 2009. A unidade conta com 2,4 milhões de capacidade de moagem, tendo sido investidos R$ 154,7 milhões pela subsidiária estatal.

Guarani: R$ 91,3 milhões de prejuízo

A Guarani, controlada pela francesa Tereos Internacional, é a principal investida sucroenergética em termos de volume de produção. A companhia canavieira conta com nove usinas e a PBio detém 42,95% de participação no negócio, respondendo por uma parda de R$ 91,3 milhões, no exercício.

Em 2014, nos nove meses de safra (abril-dezembro), a Guarani processou 20,2 milhões de toneladas de cana, com a produção de 1,4 milhão de toneladas de açúcar e 645 milhões de litros de etanol.Na produção do biocombustível a empresa teve o maior aumento percentual, produzindo 26% a mais do que em 2013, enquanto a geração de bioeletricidade aumentou 35%.

O ingresso da estatal na sociedade se deu em 2010, quando a PBio adquiriu a participação de 31,44% com aportes de R$ 877,9 milhões até março de 2011. Em sequência ao acordo de investimentos, a Petrobras Biocombustível efetuou novos aportes em outubro de 2012, de 2013 e de 2014, nos montantes de, respectivamente, R$ 212,4 milhões, R$ 225,1 milhões e R$ 240,1 milhões, passando a deter a atual participação acionária.

pbio 2014 resultados

Etanol 2G

Depois do gerente de projetos de segunda geração (2G) da área de biocombustíveis da PBio ter assumido que não existe previsão para investimento em etanol celulósico e que o prazo de 2015 para operação de uma usina 2G foi descartado pela companhia, o relatório informa que o projeto para implantação de uma usina de etanol 2G “encontra-se em fase de estudos de engenharia para viabilizar a construção de uma planta industrial”. Previamente, o gerente da área confirmou ao NovaCana que o projeto havia parado nesta etapa.

O documento também conta sobre pesquisas para o uso de uma biomassa da cadeia do biodiesel na fabricação do etanol celulósico. Em 2014, a PBio “prosseguiu com os estudos de engenharia para a implantação de uma unidade de etanol celulósico e realizou testes com cachos de palma vazios como matéria-prima”.

No ano passado foi concluído pela estatal um estudo que analisou o ciclo de vida do etanol na cadeia produtiva brasileira. “A pesquisa demonstrou que, para uma usina típica, ele reduz em mais de 72% as emissões de CO2 em comparação com a gasolina, número que pode aumentar, com a eliminação das queimadas e o incremento na geração de energia elétrica”. No entanto, Não há explicações sobre em que esta análise se difere das já existentes.

Amanda SchArr – NovaCana

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