Maior empresa sucroenergética do país registrou um lucro de R$ 7 milhões no trimestre de janeiro a março de 2015
O relatório de resultados da Cosan, divulgado na noite de quarta-feira (6) aos investidores, empresa que controla 50% da maior empresa sucroenergética do Brasil, revelou que a estratégia de sua afiliada de carregar estoques a espera de melhores preços não reverteu em ganhos no trimestre de janeiro a março de 2015, período que corresponde à entressafra de cana-de-açúcar no centro-sul.
No trimestre, o lucro líquido da Raízen Energia despencou 96,5%, para módicos R$ 7 milhões, em comparação aos R$ 206,4 milhões auferidos no mesmo período do exercício anterior. O resultado foi profundamente impactado pela variação cambial, que teve um efeito negativo de R$ 605,4 milhões. No mesmo período do ano passado o câmbio havia afetado positivamente os ganhos da empresa, em R$ 78,7 milhões.
Apesar de não se aprofundar sobre os resultados da Raízen Energia, joint-venture em conjunto com a Shell e uma das seis controladas pela Cosan, o demonstrativo adianta algumas informações importantes.
O relatório de resultados da Cosan, divulgado ontem na noite de quarta-feira (6) aos investidores, empresa que controla 50% da maior empresa sucroenergética do Brasil, revelou que a estratégia de sua afiliada de carregar estoques a espera de melhores preços não reverteu em ganhos no trimestre de janeiro a março de 2015, período que corresponde à entressafra de cana-de-açúcar no centro-sul.
No trimestre, o lucro líquido da Raízen Energia despencou 96,5%, para módicos R$ 7 milhões, em comparação aos R$ 206,4 milhões auferidos no mesmo período do exercício anterior. O resultado foi profundamente impactado pela variação cambial, que teve um efeito negativo de R$ 605,4 milhões. No mesmo período do ano passado o câmbio havia afetado positivamente os ganhos da empresa, em R$ 78,7 milhões.
Apesar de não se aprofundar sobre os resultados da Raízen Energia, joint-venture em conjunto com a Shell e uma das seis controladas pela Cosan, o demonstrativo adianta algumas informações importantes.
Embora as receitas trimestrais tenham aumentado 18,2%, de R$ 2,604 bilhões para R$ 3,080 bilhões, o custo de produção cresceu mais, 24%, resultando em um lucro bruto 6,6% menor, de R$ 459,2 milhões, com uma margem bruta de 14,9%.
No acumulado da safra 2014/15, a receita apresentou crescimento de 3%, para R$ 9,455 bilhões, enquanto, devido aos maiores custos dos produtos vendidos, o lucro bruto sofreu queda de 14,6%, reduzido a R$ 1,495 bilhão.
O resultado operacional, medido pelo Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), melhorou 13,1% no trimestre, para R$ 820,2 milhões, com margem de 27%. No total da safra o Ebitda resultou em R$ 2,534 bilhões, crescimento de 4%, e margem em linha com o ciclo anterior, de 26%.
Composição das vendas
A maior parte da receita veio da venda de etanol, que cresceu 23,1% na comparação entre trimestres, para R$ 1,625 bilhão, com destaque para a exportação, que embora constitua a menor fatia de marcado, teve alta de 75,3%, resultando em R$ 368 milhões.
O crescimento deve-se sobretudo ao aumento de 45% do volume vendido, parcialmente compensado pela redução de 15% no preço médio trimestral. Segundo a Cosan, a queda de preço, de R$ 1.566/m³ para R$ 1.329/m³, na comparação em base anual se deve ao mix de vendas mais concentrado no etanol hidratado.
A comercialização do biocombustível no mercado interno – que no período foi marcado pelo aumento da mistura de anidro na gasolina para 27% e na retomada da cobrança da Cide sobre a gasolina – registrou crescimento de 26,5%, para R$ 840 milhões. Já a área de trading decresceu 6,5%, reduzida de R$ 447 milhões para R$ 418 milhões.
A venda de açúcar foi favorecida pela elevação de 5,5% do preço médio em reais, que alcançou R$ 978/tonelada, elevando a receita em 14,9%, para R$ 1,408 bilhão. A comercialização doméstica cresceu 3,8%, a R$ 281 milhões, enquanto a exportação foi impulsionada em 18%, para R$ 1,127 bilhão.
Em relação ao açúcar, o relatório deu destaque “para o mercado externo, cujo volume foi 10,7% superior ao volume do mesmo período do ano anterior, devido à estratégia de concentração de vendas no final da safra 2014/15”.
Com os preços da energia no mercado spot reduzidos pela metade em 2015, a Raízen reduziu a menos da metade a venda de bioeletricidade. Segundo a companhia, a estratégia foi maximizar a geração e venda de energia da safra 2014/15 até dezembro. Com isso a receita com a cogeração encolheu 53,6%, passando de R$ 27,3 milhões para R$ 12,7 milhões, apesar dos preços médios realizados terem se mantido em linha com a entressafra anterior.
Já a receita líquida de outros produtos e serviços, que se refere, principalmente, à venda de mudas de cana-de-açúcar, vapor, melaço, anticongelante e insumos para fornecedores de cana, avançou 5,5% no trimestre, para R$ 32,5 milhões, e na safra 2014/15 totalizou R$ 210,7 milhões.
Estoques
Em 31 de março, os estoques de etanol estavam 6,5% menores em comparação a um ano antes, quando eram de 101 milhões de litros, equivalentes a R$ 121,8 milhões, queda de 2,2% no valor do estoque. Em açúcar o volume armazenado caiu 27,9%, para 49 mil toneladas, avaliadas em R$ 38 milhões.
Hedge
Em 31 de março, a Raízen Energia possuía 1,394 milhões de toneladas de açúcar fixadas para a safra 2015/16 ao preço médio de 16,49 centavos de dólar por libra-peso (cUS$/lb) e mais 88 mil toneladas já fixadas para 2016/17, a 15,20 cUS$/lb.
A proteção de câmbio para a safra atual cobre US$ 527 milhões, com preço médio unitário de R$ 2,80 por dólar. Para a safra 2016/17, a companhia tem US$ 31 milhões hedgeados a R$ 3,63 por dólar.

Investimentos
Os investimentos totalizaram R$ 847,8 milhões no trimestre, uma redução de 16,0% em relação mesmo período do ciclo anterior. No acumulado da safra 2014/15, o capex totalizou R$ 2,328 bilhão, queda de 7,7% em relação ao reportado na safra 2013/14.
Conforme o relatório, os principais dispêndios ao longo safra estão relacionados ao ativo biológico, às manutenções de entressafra e principalmente à conclusão dos projetos de expansão com brownfields nas usinas de Caarapó e Paraguaçu, além da unidade de etanol de segunda geração, inaugurada em setembro, junto à usina Costa Pinto.
Safra 2015/16
Para a safra em andamento a Cosan estima que a Raízen moerá, no máximo, 4,8% a mais que o realizado em 2014/15. As previsões são bastante próximas aos números do ciclo passado. O guidance de processamento fica entre 57 e 60 milhões de toneladas de cana, ante os 57,079 milhões de toneladas processadas no ciclo passado. Sobre esta perspectiva, o presidente-executivo da Cosan, Nelson Gomes, afirmou à Reuters que, "neste momento, a gente até está apontando uma moagem mais próxima do topo do guidance do que propriamente no meio do guidance".
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