Cana: Safra / Moagem

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Hedgepoint reduz estimativa da safra de cana 2024/25 para 614 milhões de toneladas

Possibilidade de “morte súbita” da temporada foi impulsionada pelos incêndios registrados na região Centro-Sul, acelerando a recuperação dos preços do açúcar


Hedgepoint - Publicado: 27 Ago 2024 - 12:36

O sentimento do mercado parece estar mudando. De acordo com a analista de açúcar e etanol da Hedgepoint Global Markets, Lívea Coda, embora os fundamentos não indiquem um aperto semelhante ao de 2023, a estrutura do mercado de açúcar está se tornando cada vez mais “suportiva” no curto prazo.

“No entanto, é improvável que os preços retornem às máximas registradas em dezembro passado”, diz e completa: “Em primeiro lugar, o posicionamento especulativo estava confortavelmente vendido até meados da semana passada. Apesar das crescentes discussões sobre uma possível ‘morte súbita’ no Centro-Sul do Brasil, os dados atuais mostram a resiliência da região”.

Ainda de acordo com ela, embora a consultoria espere que a forte produtividade dos canaviais e a rápida colheita comecem a ser corrigidos em breve, os números finais ainda devem ser maiores do que em 2021/22, quando houve “morte súbita”.

“Como resultado, os fundamentos não foram fortes o suficiente para desencadear mudanças de posição e recuperação de preços, especialmente devido às condições climáticas favoráveis para o desenvolvimento da cana e da beterraba no Hemisfério Norte”, observa.

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Os números da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) também não foram animadores para os preços. Segundo Coda, o órgão apresentou uma perspectiva “extremamente otimista”. “Apesar de revisar seus números do Centro-Sul para baixo, eles ainda estão dentro da faixa superior do mercado, projetando 626,17 milhões de toneladas de cana e 42 milhões de toneladas de açúcar”, pontua.


Lívea Coda, da Hedgepoint, já tem presença confirmada na Conferência NovaCana, que acontece em São Paulo nos dias 9 e 10 de setembro. Ele será responsável pela palestra “Estimativas de safra e de mercado”. Clique aqui para ver a programação completa.


A analista observa que, com uma produção positiva das regiões Norte e Nordeste, com 3,9 milhões de toneladas de açúcar, a expectativa é que o Brasil produza mais do adoçante do que no ano passado. Assim, Coda esperava uma semana de baixa, com os preços testando o nível de 17,52 centavos de dólar por libra-peso.

“Em relatórios anteriores, identificamos 17,5 centavos de dólar por libra-peso como um nível de suporte crucial, abaixo da paridade de exportação indiana, enquanto a arbitragem chinesa começou a se abrir nos estados produtores, sugerindo que alguma recuperação de preços era provável”, indica.

Ainda de acordo com ela, essa expectativa foi apoiada por um ambiente macroeconômico mais otimista, com a possibilidade de um corte nas taxas de juros dos Estados Unidos já sendo precificada. “No entanto, em 23 de agosto, foram registrados incêndios em toda a região Centro-Sul, acelerando a recuperação e elevando os preços. Como resultado, essa semana começou com o açúcar sendo negociado novamente a 19 centavos de dólar por libra-peso”, ressalta.

Assim, levando em conta os números mais recentes de área da Conab, a analista revisou sua estimativa de produção de cana, de 620 milhões de toneladas para 614 milhões de toneladas. Com isso, também foi feita uma redução na perspectiva para produção de açúcar, de 41,3 milhões de toneladas para 40,8 milhões de toneladas.

Conforme Coda, embora a queda afete diretamente a disponibilidade, o volume de açúcar não sugere um déficit que se aproxime dos níveis estimados até o final de 2023. Pelo contrário, para ela, o mercado parece estar relativamente equilibrado.

“Entretanto, considerando que os incêndios podem comprometer ainda mais a produção, exploramos alguns cenários”, afirma e segue: “Com 614 milhões de toneladas de cana como nosso caso base, o que aconteceria com os fluxos comerciais se o cenário de ‘morte súbita’ piorasse, os incêndios continuassem afetando a região e a produção total de cana caísse para cerca de 600 milhões de toneladas? E se as estimativas da Conab estiverem mais próximas dos números finais para o Centro-Sul e formos surpreendidos por um resultado mais saudável, próximo de 630 milhões de toneladas?”.

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De acordo com a analista, a entressafra daria suporte aos preços em ambos os casos, mas a faixa poderia variar significativamente. Se a produção de cana cair para 600 milhões de toneladas, com a fabricação de açúcar em 39,8 milhões de toneladas, ela estima uma possível faixa de preço de 19 centavos de dólar por libra-peso a 22 centavos de dólar por libra-peso, alcançando o limite superior durante a entressafra.

“Com 614 milhões de toneladas, essa faixa poderia cair 1 centavo de dólar por libra-peso, ficando entre 18 centavos de dólar por libra-peso e 2 1centavos de dólar por libra-peso”, explica e complementa: “Se o cenário se tornar mais baixista, poderemos voltar à faixa de preço observada entre junho e meados de agosto, flutuando entre 17 centavos de dólar por libra-peso e 20c entavos de dólar por libra-peso”.

Ainda de acordo com Coda, essa projeção seria um “palpate educado”, pois depende de uma leve recuperação durante a temporada 2025/26.

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“É possível que a região se recupere pelo menos marginalmente na próxima temporada. O NOAA [Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos] revisou a intensidade do La Niña para um nível neutro-negativo, sugerindo um clima mais mediano durante a janela crítica de desenvolvimento da cana no Centro-Sul, o que poderia levar a um resultado mais favorável”, acredita.

Conforme a analista, ao manter as estimativas preliminares em 620 milhões de toneladas após o início da nova temporada, seria possível observar alguma correção de preços, o que seria baixista para o contrato de maio de 2025 e os que o seguem. “Portanto, a estrutura do spread reflete os fundamentos atuais”, justifica.

Ela ainda resume o cenário ao afirmar que o sentimento do mercado está mudando, com suporte de curto prazo, mas sem retorno às altas de preços de dezembro passado. Para Coda, os fluxos comerciais estão mais confortáveis do que o estimado em 2023 e o posicionamento especulativo e o otimismo da Conab contribuíram para a queda dos preços na semana passada.

Entretanto, ela ressalva que o mercado ainda está aguardando ajustes nos níveis de produtividade e no ritmo de moagem de 2024/25. “Devemos ter em mente que a extensão do impacto desses incêndios ainda não foi totalmente contabilizada e que, embora queimada, parte da cana ainda pode ser moída, comprometendo apenas parte de sua produtividade e teor de açúcar”, observa.