“Se alguma coisa não acontecer dentro das próximas duas semanas, eles terão que entrar em recuperação judicial”
Depois que o Grupo Virgolino de Oliveira (GVO) perdeu o primeiro prazo para o pagamento dos juros da dívida, a sucroalcooleira pode ter só algumas semanas a mais para levantar novos recursos e finalizar um acordo com credores, o que poderia evitar sua falência.
Na última terça-feira (13), a GVO perdeu o prazo para o pagamento dos juros de 10,875% de uma nota no valor de U$ 135 milhões com garantia e vencimento para 2020.
Com o pagamento dos juros de mais duas dívidas vencendo nos próximos dias, a pressão para que a GVO chegue a um acordo com acionistas só aumenta. Somados às dívidas não pagas da empresa, estes bonds têm sido negociados em um conturbado território desde outubro do ano passado.
Depois que o Grupo Virgolino de Oliveira (GVO) perdeu o primeiro prazo para o pagamento dos juros da dívida, a sucroalcooleira pode ter só algumas semanas a mais para levantar novos recursos e finalizar um acordo com credores, o que poderia evitar sua falência.
Afetada por uma queda nos preços do açúcar, por meses o endividado grupo de açúcar e etanol tem discutido uma solução com bondholders e potenciais novos investidores, na tentativa de fortalecer sua estrutura de capital e reduzir o peso de suas obrigações financeiras.
Na última terça-feira (13), a GVO perdeu o prazo para o pagamento dos juros de 10,875% de uma nota no valor de U$ 135 milhões com garantia e vencimento para 2020. Somados às dívidas não pagas da empresa, estes bonds têm sido negociados em um conturbado território desde outubro do ano passado.
Com o pagamento dos juros de mais duas dívidas vencendo nos próximos dias, a pressão para que a GVO chegue a um acordo com acionistas só aumenta. O próximo prazo é o dia 28 de janeiro. Nesta data, a GVO deverá pagar U$ 16 milhões ou 10,5% dos juros de uma dívida de U$ 300 milhões que vence em 2018. O último prazo é 9 de fevereiro. Neste período, a sucroalcooleira terá que reembolsar U$ 18 milhões ou 11,75% dos juros de um débito de U$ 300 milhões, com vencimento em 2022.
Sem o pagamento dos juros da primeira dívida, os bonds com vencimento em 2018 viram, na última terça, cotações de U$ 0,06, enquanto que as notas com garantia e vencimento para 2020 estavam sendo negociadas a U$ 0,20 e até U$ 0,40.
Dinheiro extra
A empresa tem discutido com bondholders um plano de reestruturação transferindo participação da empresa, o que poderia reduzir para 15% a fatia da família que hoje é dona da sucroalcooleira, segundo uma fonte com conhecimento da situação.
Mesmo assim, entre os assuntos ainda não resolvidos está a busca de recursos de U$ 100 e U$ 200 milhões em dinheiro adicional, valor que a empresa precisa para manter suas operações funcionando, disse esta fonte.
A participação restante, de 85%, seria dividida entre os detentores das notas da GVO, ainda sem garantia de pagamento, e entre os investidores que proveriam este dinheiro adicional.
Mesmo conseguindo uma postergação no pagamento dos juros da dívida, muitos acreditam que os níveis de caixa da empresa estão tão baixos que ela terá que lutar para manter as luzes acesas por mais tempo.
“Se alguma coisa não acontecer dentro das próximas duas semanas, eles terão que entrar em recuperação judicial”, disse a fonte, que está familiarizada com as negociações.
Rebaixamentos em sequência
Entre as agências de classificação de riscos, o tom de desconfiança é evidente, e foi seguido de dois rebaixamentos. O primeiro, da Fitch Ratings, que reduziu a nota de crédito do grupo de CC para C.
Com o vencimento de suas obrigações financeiras próximas e nenhum sinal de avanço nas negociações com investidores ou bondholders, neste mês foi a vez da Standard and Poor’s reforçar a “a alta probabilidade de default” e reduzir a nota de crédito da processadora de açúcar e etanol.
“Acreditamos que a processadora brasileira de cana-de-açúcar, GVO, não será capaz de cumprir com seus futuros pagamentos de juros relativos aos seus três bonds, no valor aproximado de US$40 milhões, que vencem nas próximas semanas”, disse a agência.
O alerta foi acompanhado do rebaixamento da nota de crédito da GVO, que caiu de CCC- para C, e que pode despencar ainda mais, caso o calote seja confirmado.
“Rebaixamos os ratings da empresa, de ‘CCC-’ para ‘CC’ na escala global e de ‘brCCC-’ para ‘brCC’ na Escala Nacional Brasil. Também estamos mantendo os ratings na listagem CreditWatch com implicações negativas. O CreditWatch negativo reflete a possibilidade de um rebaixamento dos ratings para ‘D’ se a empresa entrar em default nos pagamentos de sua dívida”, ressaltou.
Com texto da Reuters e detalhes adicionais do NovaCana